Sociedade

ARTE NA RUA

Artistas nas ruas de Porto Alegre denunciam práticas de tortura defendidas por Bolsonaro

Na última terça-feira (23) artistas demonstraram no centro de Porto Alegre práticas de tortura executadas na ditadura militar. O candidato à presidiência Jair Bolsonaro (PSL) já disse ser favorável à tortura. Em outro ponto do centro outro grupo encenava práticas violentas executadas por eleitores dele durante o segundo turno dessas eleições manipuladas pelo judiciário.

quarta-feira 24 de outubro| Edição do dia

Apesar do conservadorismo colonial do estado, os artistas do Rio Grande do Sul transbordam um grito de sanidade nas ruas de Porto Alegre. Desde o fim do primeiro turno já ocorreram diversas intervenções urbanas. Na terça-feira práticas de tortura executadas durante o período da ditadura militar foram encenadas em frente ao mercado público, quebrando lógicas de quem ali transitava. Uma denúncia necessária com cenas um tanto chocantes e até perturbadoras aos que passavam.


Foto: Guilherme Santos/Sul21. Veja aqui mais imagens.

No último dia 11 outro grupo de artistas fizeram uma intervenção na concentração de um grande ato ocorrido na cidade. Essa intervenção já foi reproduzida novamente em outros dias, inclusive na última terça-feira. A encenação mostra pessoas negras, indígenas e LGBTs opositoras a Bolsonaro sendo derrubadas ao chão. Assim ocorreu com o capoeirista baiano Mestre Moa de Katendê, assassinado com 12 facadas por um bolsonarista. Assim também ocorreu com pelo menos 5 mulheres trans esfaqueadas em nome de Bolsonaro. Ali os artistas representam seus corpos jogados. Representam também a conivência na indiferença empunhando placas de "branco" e "nulo".

Além das intervenções teatrais a céu aberto, outras intervenções artísticas também circulam em Porto Alegre. Nos muros e paredes pixações, grafites e cartazes denunciam essa extrema direita que odeia as mulheres, os negros, os LGBTs e o povo pobre e trabalhador. Ao mesmo tempo, estudantes do curso de Teatro da UFRGS foram vanguarda na mobilização e organização contra a extrema direita, chamando outros setores a se mobilizar e declarando abertamente um voto crítico em Haddad. Na última segunda-feira os estudantes do Instituto de Artes também deliberaram voltar todos seus esforços para mobilizar contra a chapa militar.

A sociedade capitalista ceifa a arte constantemente. O acesso à cultura é negado à grande maioria da população, e eventuais produções artísticas que surjam por fora dos salões oficiais acabam muitas vezes por se perder em um mundo onde a maioria da população batalha para sobreviver o mês todo com o salário que ganha. Com a crise cada vez mais joga na marginalidade e estigmatiza as atividades artísticas. Se com os governos anteriores, inclusive os do PT, já era restrito e precário o incentivo público à produção artística, o próximo período tende a ser diretamente de perseguição contra este setor. O conservadorismo e o autoritarismo querem sufocar a arte e os artistas junto com os parcos direitos democráticos conquistados pelos trabalhadores e pelo povo brasileiro.

No Rio Grande do Sul Bolsonaro tem 58% das intenções de voto neste segundo turno. Aqui a classe trabalhadora e o povo sofrem com a crise econômica às custas dos privilégios das elites super conversadoras que dominam o estado. Elites que impulsionam uma cultura "tradicionalista", orgulhosas de seu escravismo, machismo, LGBTfobia e de todos seus traços retrógrados, um tanto medievalesco. Nestas terras ao sul do Brasil o segundo turno é disputado entre Eduardo Leite (PSDB), cuja gestão em Pelotas ficou marcada pelo escândalo dos exames de câncer feitos por amostragem e resultou em mortes de mulheres, e José Ivo Sartori (MDB), que se orgulha de ter jogado na miséria trabalhadoras e trabalhadores do serviço público estadual com cruéis atrasos e parcelamentos de salários.

Na capital deste estado são os artistas e os estudantes que buscam uma brecha de racionalidade em meio às enxurradas de fake news através das quais Bolsonaro e sua equipe de militares enganam o povo para, logo depois, fazer com que todos nós trabalhemos até morrer, sem nenhum direito. Os artistas buscam quase que desesperadamente mostrar o que muitas vezes o antipetismo não lhes deixa ver: Bolsonaro é tudo o que foram de ruim os governos anteriores e muito mais. Muito mais repressão, violência e opressão contra os que já mais sofrem.

É interessante que venha também do curso Teatro UFRGS uma declaração de voto crítico bastante sóbria e efetivamente crítica. Frente a situação colocada neste segundo turno, não se trata de dar apoio político ao PT e tentar convencer pessoas que viveram 13 anos de governo do PT, muitas que inclusive ajudaram a eleger esses governos, das supostas qualidades do PT e de Haddad. Quem elegeu Lula em 2002 tinha grandes esperanças de uma vida melhor, e a permanência disto depende de mudanças estruturais que o PT jamais cogitou fazer. A conciliação de classes petista teve o prazo de validade que a crise capitalista internacional permitiu, e passou a significar ataques sobretudo quando a situação se agudizou. Além disso o PT aderiu aos métodos de corrupção comuns a qualquer governo capitalista. Hoje este partido já não serve mais ao nível de ataques aos direitos e às condições de vida das massas exigidas pelo capital. Por isso vem sendo atacado desde o início dessas eleições, com a prisão arbitrária e o veto à candidatura de Lula, além de restrição e censura à sua campanha.

São de grande importância as manifestações artísticas que denunciam os horrores defendidos e executados por Bolsonaro e seu eleitorado. A estratégia petistas puramente eleitoral mostra sua falência e confirma que a luta contra a extrema direita não termina nas eleições. O Esquerda Diário está a serviço de fortalecer essa luta e a organização necessária para travá-la. Exigimos da UNE que convoquem assembleias para fundar massivos comitês de base em cada universidade deste país. O mesmo vale às entidades secundaristas sobre as escolas. As centrais sindicais como CUT e CTB precisam romper sua paralisia e convocar assembleias em cada categoria onde dirigem sindicatos para fundar massivos comitês de base. É somente na luta de classes, nos organizando em cada local de trabalho e estudo, que vamos derrotar a continuidade violenta dos ataques de Temer que Bolsonaro pretende aplicar. É também com nossa organização que podemos nos defender dos ataques racistas, machistas e LGBTfóbicos dos bolsonaristas.




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