Juventude

COMITÊS NA UNICAMP

Arrancar as cotas, barrar as punições e levar centenas à Brasília

Há cerca de um mês os estudantes do IFCH criaram um comitê de base para mobilizar instituto contra as reformas e ataques do golpista Temer, e também para fortalecer a luta para que as cotas étnico-raciais sejam conquistadas na votação do CONSU e que as punições aos estudantes sejam revertidas.

domingo 14 de maio| Edição do dia

O 28A ficou marcado pela entrada em cena da classe trabalhadora organizada, com seus métodos de luta, como as greves e piquetes. Através de assembleia e do comitê, os estudantes do IFCH se prepararam para esse dia, com um chamado amplo á participação e a partir da realização de uma Mesa de debate no instituto sobre a Reforma Trabalhista, que contou com a presença de professores do curso de Ciências Sociais e de professores da rede estadual que trabalham em escolas da cidade.

Muitos estudantes do IFCH e de toda Unicamp tomaram as rodovias e ruas junto aos trabalhadores no dia 28 de abril. Paramos a cidade junto aos trabalhadores das fábricas, aos professores das escolas, aos estudantes secundaristas e estudantes de universidades privadas de Campinas, além de muitos outros trabalhadores e de uma importante parte da população que apoiou. Também participamos dos dois atos que reuniram milhares de pessoas em Campinas. Fomos às ruas mostrar que queremos derrubar as reformas e o próprio governo golpista de Temer.

Depois de terem parado o país no dia 28, os trabalhadores estão se organizando a partir do chamado das direções das Centrais Sindicais e dos movimentos populares, como MTST, para ocupar Brasília no dia 24 de maio. A organização dos estudantes a partir da base e de espaços democráticos é fundamental para que consigamos traçar os próximos passos da nossa luta e agregar mais pessoas a ela. Podemos ser dezenas de milhares para tomar Brasília junto aos trabalhadores.

Quanto ônibus a Unicamp levará à Brasília? Como vamos construir esse novo passo da luta nacional para que também na nossa luta dentro da universidade pelas cotas e contra as punições estejamos fortalecidos pela nova correlação de forças que a classe trabalhadora está impondo aos capitalistas? Queremos que o comitê chamado pela assembleia do CACH se desenvolva e alcance centenas de estudantes, para que junto aos trabalhadores sejamos sujeitos de responder a crise nacional. Nessa segunda dia 15, às 17h30, será a próxima reunião, onde discutiremos o balanço do 28A e a ida à Brasília. E queremos mais, sabemos que outros comitês podem ser construídos em mais institutos e faculdades. O Diretório Central dos Estudantes também pode chamar a construção de um comitê de toda a Unicamp. Não queremos seguir a rotina de assembleias convocadas, mas que não são construídas na base dos cursos e acabam por não ser realizadas. Sabemos que podemos tomar a nossa luta nas mãos e construir vivos espaços de debate, preparação e organização. Para isso esses espaços devem ser compostos não só pelas direções do DCE e entidades, mas terem uma convocação e divulgação ampla para serem tomados por centenas de estudantes.

Um desafio importante que nós jovens e os trabalhadores temos é a partir da nossa organização de base garantir que a ação de Brasília seja massiva, fortaleça a luta pela derrubada das reformas e não se torne mera marcação de posição e pressão parlamentar como pretende a direção da CUT, que vem se movimentando e buscando canalizar a força dos trabalhadores não para uma luta séria contra as reformas e Temer, mas somente com objetivo de eleger Lula em 2018 e a retomada do poder pelo PT num novo pacto com os capitalistas. Por isso devemos exigir das direções sindicais e estudantis que a ida à Brasília seja parte de um plano de lutas efetivo e da preparação de uma nova greve geral. A UNE deve garantir centenas de ônibus organizados em todos os locais que atua para que milhares de jovens universitários e secundaristas possam estar junto aos trabalhadores e militantes dos movimentos em Brasília.

O mês de maio é também a reta final de mais uma etapa da nossa luta pela aprovação das cotas-étnico raciais. Com a greve de três meses e a ocupação da reitoria que fizemos no ano passado, a partir da organização do movimento estudantil, dos centros acadêmicos, DCE, Núcleo de Consciência Negra e Frente Pró-Cotas, garantimos a realização de audiências públicas que aprofundaram o debate e mostraram o atraso da Unicamp dita de excelência em relação a muitas universidades por ter uma política séria de ações afirmativas. Mais que isso, escancaramos à comunidade universitária o racismo institucional de uma universidade que fecha suas salas de aulas e currículos para a população negra.

Agora podemos transformar essa demanda numa causa de toda a população, da juventude secundarista que ocupou suas escolas, da juventude que se endivida nas universidades privadas, dos trabalhadores e da população que espera ser parte da produção e do usufruto do conhecimento que a Unicamp produz. Com a conquista das cotas podemos derrotar os planos privatizantes e excludentes de governos golpistas como o de Jonas, Dória e todos os defensores das reformas. Queremos cotas já para que a estrutura de poder racista e elitista da universidade seja questionada, para que possamos avançar na luta contra a reitoria que terceiriza milhares de trabalhadores negros, enquanto possui duplos salários e privilégios. Queremos avançar a um questionamento radical do acesso da universidade, pois sabemos que para que toda a juventude negra possa estudar na universidade pública de qualidade o filtro social do vestibular deve ser derrubado.

E temos como desafio também da nossa luta e organização não deixar ninguém pra trás. A reitoria de Tadeu e a nova reitoria de Knobel estão processando estudantes negros que participaram da luta pelas cotas. Não podemos aceitar essa punição seletiva e racista. É urgente que façamos uma campanha dentro e fora da Unicamp pela revogação imediata da punição ao estudante Guilherme Montenegro, diretor do DCE, e o cancelamento de todos os processos disciplinares que buscam sentenciar outros estudantes. Não aceitaremos que nenhum estudante que luta seja punido.




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