REFUGIADOS

Armadilha mortal: Grécia impõe quarentena insalubre em campos de refugiados

O governo grego decidiu pôr em quarentena o campo de refugiados de Ritsona após detectar 20 casos de COVID-19. O lugar no qual vivem amontoadas 2.000 pessoas já estava em condições precárias antes da pandemia. Agora a falta de condições sanitárias podem converter o campo em uma armadilha mortal.

Juan Andrés Gallardo

Buenos Aires | @juanagallardo1

sexta-feira 3 de abril| Edição do dia

O governo grego pôs em quarentena nesta quinta-feira as mais de 2.000 pessoas que vivem no campo de refugiados de Ritsona após detectar 20 casos de COVID-19.

O local no qual vivem amontoadas centenas de famílias que escaparam das guerras no Oriente Médio, já tinha condições precárias antes da pandemia. Agora a falta de condições sanitárias básicas podem converter facilmente o campo de refugiados em uma armadilha mortal para todos seus habitantes.

Segundo informou o Ministro da Migração, durante os próximos 14 dias está totalmente proibida a entrada ou saída deste campo, situado a uns 75 quilômetros ao noroeste de Atenas.

A decisão se tomou após a detecção de um primeiro caso de COVID-19 em uma mulher africana que no sábado passado deu a luz a um bebê em um hospital de Atenas.

Na quarta-feira, equipes médicas da Organização Nacional da Saúde Pública (EODY, na sigla em grego) fizeram testes em 63 pessoas que estiveram em contato com ela e até o momento confirmaram-se 20 casos de COVID-19.

Segundo informou o ministério em um comunicado, nenhuma das pessoas apresentava sintomas da doença.

As autoridades sanitárias continuaram colhendo amostras dos imigrantes e refugiados até ter sob controle a totalidade dos cerca de 2.200 residentes que vivem enos contâineres repartidos pelos três setores do campo.

O governo acionou um forte aparato repressivo para garantir uma rígida quarentena. Como já demonstrou semanas atrás atirando e batendo em imigrantes em Lesbos, a polícia fará cumprir o isolamento com métodos brutais e sem escrúpulos. Os refugiados não podem esperar mais do que o risco do contágio pelas condições de superlotação no campo ou a violência ou morte nas mãos da polícia se tentarem sai do local.

Como se a polícia não fosse suficiente, o ministério de Migração e Asilo estabeleceu inclusive um escritório em Ritsona para monitorar a aplicação das medidas de restrição.

Embora o governo grego afirmou que em todos os campos de refugiados foram habilitados espaços que podem servir para uma quarentena, as organizações humanitárias temem uma propagação descontrolada e pediram a evacuação imediata de campos como o de Moria, onde vivem aglomeradas mais de 20 mil pessoas.

No campo de refugiados de Moria “há um banheiro a cada 200 pessoas e uma torneira com água potável a cada 1.300”, assinalou Vasilis Stravaridis, diretor do Médicos Sem Fronteiras da Grécia.

“Nestas condições, não há um plano de gestão em caso de contágio, apenas esperança de que isso não ocorra”, afirmou.

Ao invés de garantir condições dignas e seguras para os milhares de refugiados, em toda a Europa aprofundaram-se as medidas para garantir um maior confinamento em campos ou centros de detenção que não cumprem com nenhuma norma sanitária. Todos os governos serão responsáveis pelo contágio massivo daqueles que agora se encontram emboscados em uma armadilha mortal, após ter escapado das guerras que estes mesmos países imperialistas levaram adiante no Oriente Médio, gerando fome e miséria a toda sua população.




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