Internacional

CRISE NA ARGENTINA

Argentina: três fatores para evitar uma catástrofe econômica ao povo trabalhador

O dólar voltou a subir e o risco-país atingiu 2.112 pontos. O Banco Central Argentino vendeu 367 milhões de dólares e o sangramento não para. O governo anunciou o adiamento do vencimento da dívida, uma inadimplência seletiva. A pilhagem se aprofunda. Medidas necessárias para evitar o colapso.

quinta-feira 29 de agosto| Edição do dia

O dólar saltou na quarta-feira para 60,17 pesos argentinos, apesar da venda de 367 milhões de dólares em reservas e do leilão de 60 milhões de dólares em nome do Tesouro. A pilhagem de recursos não para. O Governo anunciou o adiamento dos vencimentos da dívida (inadimplência seletiva) e o início do diálogo com o FMI para estender os prazos de vencimento. Ou seja, jogar para o futuro os pagamentos da dívida.

O que fazer para interromper a pilhagem de recursos?

Inverter as prioridades: Não ao FMI. Dinheiro para o trabalho, saúde e educação

O governo propõe discutir no Congresso um projeto de lei para estender os termos da dívida local sem retirada de capital.

O candidato a presidente pela Frente de Esquerda - Unidade (da qual o PTS, organização irmã do MRT na Argentina, faz parte), Nicolás del Caño, criticou as medidas anunciadas pelo ministro da Economia, Hernán Lacunza.

Del Caño declarou: "eles abrem o Congresso para salvar os especuladores, renegociando a dívida ilegítima".

A dívida é um fardo pesado. O próximo governo terá de enfrentar pagamentos no total de 166 bilhões de dólares em quatro anos, a uma média de 41,513 bilhões de dólares por ano, ou seja, quase 10% do PIB irá para as mãos do capital financeiro por ano.

O candidato da Frente de Todos (Frente eleitoral de Alberto Fernandez e Cristina Kirchner) questionou repetidamente o endividamento do macrismo, mas foi responsável por repetir que a dívida será paga sem analisar suas irregularidades. Isso significa pagar uma dívida que inclui o título de 100 anos emitido pelo ex-ministro das Finanças Luis Caputo.

A história da dívida argentina é cheia de ilegalidades. A dívida pública aumentou exponencialmente durante a ditadura. O juiz Jorge Ballestero emitiu uma decisão onde foram verificados 470 crimes na conformação da dívida pública durante a ditadura com base em uma denúncia de Alejandro Olmos Gaona. Por que temos que continuar pagando essa dívida ilegal?

A Frente de Todos, para ser consequente com suas críticas ao endividamento macrista, deveria pelo menos suspender os pagamentos e realizar uma auditoria da dívida. Mas não. Eles estão determinados a pagar cada dólar ao custo de atacar as maiorias populares.

A esquerda propõe inverter as prioridades e garantir recursos para melhorar a educação, a saúde e não os especuladores. Não ao FMI. Na matéria a seguir, a redação do La Izquierda Diario, mostra as razões para entender porque não pagar a dívida:

La deuda es una estafa: razones para entender por qué no hay que pagarla

Por um banco único estatal

Nicolás del Caño twittou que "um único banco estatal, como propomos a partir da Frente de Esquerda, não apenas impediria a fuga de capitais, mas é o caminho para proteger pequenos poupadores que sempre são enganados como aconteceu em 2001 com o corralito". (Corralito foi uma política onde congelaram-se os depósitos dos poupadores e estabeleceram-se limites semanais para a retirada de fundos, similar com as medidas tomadas pelo Plano Collor no Brasil)

Os bancos são os grandes vencedores dessa crise; nos últimos doze meses, eles faturaram 241,4 bilhões de dólares. A fuga de capitais até agora este ano atingiu 13,832 bilhões de dólares
Em julho, houve uma saída de investimentos em carteira relacionados à “bicicleta financeira”. Apenas dez bancos concentraram 82% das operações de compra e venda de dólares, incluindo Santander Río, HSBC, BBVA Francés, Citibank, BNP Paribas, Galicia, ICBC, Banco Provincia, Banco Nación e JP Morgan Chase.

Temos que nacionalizar o sistema financeiro e criar um único banco estatal. Essa é a única maneira de evitar a evasão e a fuga organizada pelos capitalistas e garantir o valor dos ativos para os pequenos poupadores. Seria também uma ferramenta para crédito barato para moradias populares ou para o pequeno comerciante afogado pela crise.

Pelo monopólio estatal do comércio exterior

Nicolás del Caño disse que “devemos discutir medidas que acabem com a fuga de capitais e a chantagem dos mercados. Somente a nacionalização do sistema bancário e do comércio exterior podem começar a parar os saques.”

Um pequeno grupo, apenas 200 empresas, que compõem a cúpula econômica responde por quase 70% das exportações. Muitas empresas remarcaram os preços após a desvalorização, como grupos nacionais argentinos que são também multinacionais (Techint ou Arcor), empresas de cereais (Cargill, Bunge, AGD, Vicentín, Dentfus, Toepfer, Molinos Río de La Plata e Nidera), empresas do setor automotivo e de mineração.

O monopólio do comércio exterior permitiria a administração de dólares provenientes de exportações com base nas necessidades dos trabalhadores e não decidida por exportadores que especulam com uma taxa de câmbio mais alta.

Além disso, essas medidas exigem um conjunto de medidas de emergência para evitar os ataques aos salários e a contínua piora das condições de vida dos trabalhadores. Como destacou Nicolás del Caño, “juntamente com medidas emergenciais, como o aumento imediato de salários, pensões e planos sociais, a proibição de demissões e o cancelamento de tarifas. Nós devemos discutir as prioridades do povo trabalhador !! ”




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