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Argentina se soma à paralisação internacional de entregadores de APPs do 1º de julho

Trabalhadores de aplicativo da Argentina se reuniram na terceira Assembleia Nacional de Entregadores e votaram somar-se à paralisação internacional do 1º de julho, seguindo o caminho de seus irmãos do Brasil.

quarta-feira 24 de junho| Edição do dia

Nesta segunda-feira, distribuidores de todo o país realizaram uma nova assembleia nacional de maneira virtual para decidir como continuar a luta que estão dando por seus direitos e continuar desenvolvendo uma organização democrática.
Ao voltar do trabalho depois do meio-dia, entregadores de diferentes cantos do país, como Rosário, Córdoba, CABA, norte, sul e oeste da GBA, La plata, Mar del Plata, Neuquén, entre outros, estavam virtualmente conectados para realizar uma nova assembleia nacional, a terceira. Há algum tempo eles vêm se organizando para reivindicar seus direitos trabalhistas, mas não receberam respostas.
Na sexta feira passada, uma delegação da Argentina tinha participado junto a entregadores brasileiros e de outros países da América Latina, onde se discutiu de articular uma paralisação internacional no 1º de julho. Por unanimidade, esta chamada foi reafirmada.

A partir do La Izquierda Diario, nós nos comunicamos com Damián, trabalhador da Rappi e membro da La Red de trabajadorxs precarizadxs: “Estamos muito felizes por continuar avançando e redobrando a organização todos os dias, muito mais companheiros e companheiras participaram do evento que na assembleia anterior, todos os dias somos mais os entregadores que queremos que parem de nos tratar como se fôssemos descartáveis. Não só aqui, mas em todo o mundo. Por isso, em 1º de julho, queremos fazer uma grande paralisação com mobilização para que eles tenham que nos ouvir. Milhares e milhares de pessoas em todo o mundo estão se cansando de suas vidas não valerem nada, vimos com a enorme maré de solidariedade internacional que as mobilizações nos Estados Unidos contra o racismo despertaram. Aqui também estamos cansados ​​das empresas nos chamarem de heróis, mas nos tratando como se fôssemos descartáveis ​​e nos enviando para a primeira linha de contágio sem elementos de segurança. Nos cansamos de pedalar o dia inteiro por uma miséria e nos cansamos de perder companheiros atropelados, 5 já morreram nesses meses de quarentena. É por isso que aderimos à greve internacional, porque nossas vidas importam".

Cüyén, trabalhadora da Rappi que faz parte do La Red e é referência do setor em Rosário, nos disse: "Estamos em contato permanente com tudo, trazemos comida para as enfermeiras da linha de frente, compras de avós que não podem sair, remédios para os que estão em isolamento, mas para as empresas, obviamente, nossas vidas não valem nada, portanto não nos fornecem máscaras, álcool gel ou sabonetes. No final da assembleia, foi revelada a escandalosa acumulação de companheiros nas instalações do Burger King. Nota-se como os patrões nos desprezam e maltratam tanto os jovens que trabalham no fast food quanto os dos apps. Todas essas condições foram adicionadas ao fato de não termos ART (espécie de seguro saúde) ou salário fixo. Então, estamos lutando por um sindicato que nos represente, eles querem nos vender que somos colaboradores. Estamos discutindo como criar uma organização democrática que trabalha por e para os trabalhadores. Somos cada vez mais, porque a crise e o desemprego levam a que mais trabalhadores tenham que se inscrever nos aplicativos. É por isso que queremos debater democraticamente e decidir como queremos que seja nosso sindicato, vamos iniciar esse debate em cada área. Somos muitos, temos muita força e, se nos organizarmos, podemos mudar as coisas "

Eles votaram exigir materiais de higiene e segurança frente à pandemia, a cargo das empresas; o fim do sistema de pontos e penalizações, a reativação das contas dos companheiros bloqueados e o fim dos abusos policiais aos entregadores, que aqui no Brasil também sofrem com isso, como o caso do jovem entregador de Carapicuíba que foi estrangulado pela polícia. Foi votado também fazer um chamado amplo para todos os setores, inclusive de outras categorias, que apoiem esta paralisação.

A assembleia decidiu avançar também no debate sobre que tipo de regulamentação e contrato de trabalho é apropriado para a atividade, votando que as empresas os reconheçam como trabalhadores com relação de dependência, com um salário com o qual seja possível viver, além do reconhecimento de insalubridade do serviço. Além disso, debateu-se sobre a necessidade de ter seu próprio sindicato, independente e combativo, em base a um estatuto que garanta a democracia de base. Para isso, criaram comissões que elaborarão propostas para uma próxima assembleia.

Além disso, vão se mobilizar para interromper a votação de qualquer tipo de projeto que piore suas condições de trabalho e legitime a precariedade das empresas de aplicativos, se pronunciando em rechaço às tentativas de “regularizar” a atividade por fora da lei trabalhista e de direitos aos trabalhadores que, no momento, o Ministério do Trabalho ainda não tentou regularizar.
Por fim, votaram apresentar uma carta para legisladores portenhos em que exigem os seguintes pontos:

1. ART (seguro saúde) e seguro de vida e roubo a cargo das empresas
2. Licença por doença
3. Obra Social (uma espécie de cobertura médica na Argentina)
4. Somos trabalhadores, não colaboradores
5. Equipamentos de segurança e higiene a cargo das empresas
6. Cálculo transparente da taxa do pedido com base na quilometragem e faturamento da empresa.
7. 100% de aumento no pagamento de pedidos, sem classificação ou divisões. Renda mínima igual à cesta básica familiar garantida pelas empresas.
8. Reincorporação, reativação e normalização de contas bloqueadas / canceladas e / ou manipuladas arbitrariamente.
9. Não à discriminação por nacionalidade.
10. Dias de descanso
11. Férias pagas.
12. Seguro de roubo a cargo das empresas.




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