ARGENTINA

Argentina: perseguição judicial do governo Macri aos deputados da Frente de Esquerda

Enquanto se desenvolve o debate, na Câmara de Deputados da Argentina, sobre o Orçamento 2018, o deputado Nicolás del Caño afirmou que “há uma campanha de demonização à esquerda e particularmente à Frente de Esquerda e dos Trabalhadores (FIT) por ter participado das enormes mobilizações que aconteceram na segunda-feira nas imediações deste congresso”.

sexta-feira 22 de dezembro de 2017| Edição do dia

Depois, precisou que “Myriam Bregman (legisladora da cidade de Buenos Aires pelo PTS-FIT) e minha pessoa, fomos denunciados por advogados amigos do governo. Supostamente por termos cometido delitos de atentado à ordem constitucional e à vida democrática, abuso de autoridade, violações dos deveres de funcionário público e perturbação ao exercício da função pública”. E aclarou que “um dos advogados é defensor dos assassinos de Mariano Ferreyra. Eles vêm acusar a nós de antidemocráticos e violentos”.

Clique em "Legendas/CC" no youtube para ver a legenda em português

VEJA TAMBÉM Argentina contra a reforma da previdência: a esquerda que Temer não previu

Intervenção do Deputado do PTS/FIT Nicolás Del Caño

Depois de que dezenas de milhares se mobilizaram, nesta segunda-feira, em frente ao Parlamento para rechaçar a lei da reforma da previdência que ataca os aposentados e os setores mais pobres, a polícia desatou em uma brutal repressão. A resposta do oficialismo foi justificar a repressão e as aposentadorias de pobreza, ao mesmo tempo que os meios de comunicação, afinadas com o governo, começaram uma campanha contra os manifestantes e as organizações de esquerda.

Este último foi denunciado por Del Caño ao afirmar que enquanto o Governo nacional, com o apoio das grandes mídias e do poder judicial, empreende essa campanha de demonização, “não vimos as caras dos policiais que quitaram o olho de três pessoas, que atropelaram um aposentado. Não conhecemos os responsáveis da pressão e das instâncias ilegais. Onde está a cara do prefeito que assassinou Rafael Nahuel? Por que a ministra Bullrich, responsável da morte de Rafael Nahuel e Santiago Maldonado, segue a frente no ministério? É estranho que nos acusem de antidemocráticos quando propomos uma consulta popular para que o povo decida e vocês se negaram a isso”.

Acrescentou, também, que “não vão nos acusar de violentos aqueles que pertencem a um governo, cujo presidente forma parte de uma família que passou a possuir de 7 a 47 empresas na ditadura genocida, enquanto assassinavam e sequestravam mais de 30 mil companheiras e companheiros e roubavam crianças. São eles que vão nos chamar de violentos? Eles vão nos acusar, enquanto não disseram uma palavra sobre De la Rúa, que está livre e é responsável dos 30 mortos do 19 e 20 de dezembro?”. E agregou que “nós, os trotskistas, enfrentamos e resistimos o totalitarismo de Stalin e não vão nos amedrontar com o quase-totalitarismo”.

Em relação ao objetivo político que persegue o Governo de Macri com essa acionar, declarou que “o objetivo é fazer uma demonização e mudar o eixo. Eles querem tapar esse calote e o roubo de milhões”. E afirmou que “não vão nos amedrontar, formamos parte da resistência do povo contra o governo. A estafa a 17 milhões de pessoas não vai ser escondida demonizando aos que estivemos na praça naquele dia”.

Por último, aproveitou sua intervenção para denunciar a prisão e perseguição aos dirigentes e trabalhadores do Engenho La Esperanza por parte do governo de Jujuy, cujo governador é parte da coalizão de Macri, que estão em luta pela sua frente de trabalho.

LEIA TAMBÉM
- Temer elogia Macri por aprovar a reforma espancando manifestantes, nosso exemplo são os trabalhadores argentinos
- Reforma da Previdência é aprovada na Argentina com a paralisia das Centrais Sindicais




Tópicos relacionados

PTS   /    PTS na FIT

Comentários

Comentar