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Argentina não espera 2019: por uma juventude anticapitalista para enfrentar o saque

Juventude do PTS convoca para a luta contra Macri e o FMI: por uma juventude anticapitalista para lutar contra o pagamento da dívida pública

sexta-feira 7 de setembro| Edição do dia

Na quinta-feira, 30 de Agosto, enquanto dezenas de milhares de estudantes, docentes e investigadores nos mobilizamos em todo o país, o plano de fundo dos mercados e especuladores, habilitados pelo governo de Macri, davam um novo golpe muito duro nos bolsos dos trabalhadores e desvalorizada ainda mais o salário, o orçamento educativo, da saúde, as aposentadorias. O saque se acelera.

Reproduzimos aqui a declaração da Juventude do PTS, organização irmã da juventude do MRT na Argentina, quanto à continuidade da construção da luta contra Macri e o FMI.

As mobilizações educativa crescem a cada semana. A Marcha Nacional Educativa impulsionada na Praça de Maio foi extremamente massiva, levando em consideração as condições climáticas. Mas o novo cenário político nacional, após a corrida cambial e a saída imediata de um orçamento com maiores ajustes que propõe Macri em um pacto com o PJ para cumprir com o FMI, nos coloca novas tarefas no movimento estudantil mobilizado: aprofundar o processo de luta com medidas mais contundentes que estejam à altura do ataques, unificarmos com os trabalhadores em luta como os do Estaleiro Rio Santiago, e ligar a luta d pela defesa da educação e em apoio aos nossos docentes com uma luta maior: derrotar o governo de Macri e o ajuste do FMI, com a cumplicidade do PJ e as direções sindicais, para deter o saque em curso.

O saque se acelera e aprofunda

A comunidade universitária atravessava sua quarta semana de luta, com greve docente, assembleias massivas nos “bastiões amarelos” de Cambiemos como Córdoba ou Jujuy e mobilizações inéditas em Mendonza de Cornejo, Neuquén, Rosario, Santa Fé. Mais de 20 ocupações de faculdades do norte À sul, combinavam o apoio aos docentes em luta e a preocupação por um orçamento subexecutado, que se desvaloriza com o passar das semanas. Muitas das colunas foram encabeçadas com a exigência “Dinheiro para a educação, NÃO para a dívida”, porque todos e todas sabemos que é nela que se vão milhares de milhões de dólares que poderiam resolver o problema orçamentário.

A corrida do dólar da quarta e quinta-feira que batia todos os recordes dos últimos anos, agrava estes problemas: a oferta de 24% aos docentes com desvalorização já significa um corte de 20% e o orçamento educativo, pela cotização do dólar nestes dias, será 30 vezes menor do que o que se pagará para a dívida até o fim do ano.

O saque deu um novo salto e a renegociação com o FMI piorará as condições para o país. A desvalorização significa uma perda do salário real e a degradação da vida de todas as famílias trabalhadores. Significa que milhares de crianças passarão fome, enquanto seus pais ficam sem trabalho e as aposentadorias dos seus avós são cortadas, sob níveis de pobreza que hoje superam 30%. Significa também que o governo nacional e os governos estaduais aumentam sua repressão, como a que levou adiante o governador de Chaco, Peppo, que assassinou à sangue frio um menino de 13 anos.

Macri pediu em cadeia nacional com uma hipócrita e falsa angústia que “nos temos que ajustar todos”. É mentira! O saque tem evidentes ganhadores e perdedores. Os que ganham são os donos do campo, as grandes empresas petroleiras, mineradoras, os banqueiros e especuladores que aumentam seus lucros em mais de 100% com a desvalorização. É uma piada o anúncio de retenções a setores do campo de um montante fixo de $4 por cada dólar que vendam, que ficará diluído se segue subindo. Enquanto os que perdemos somos a grande maioria dos assalariados, aposentados e a juventude precarizadas que com uma inflação prevista em mais de 42%, tarifaços, maior ajuste de orçamento que já chega a 400 bilhões de pesos que implicará em demissões e fechamento de fábricas, flexibilização trabalhista, ajuste na saúde, ciência e educação. Tudo isso às custas de continuar pagando regularmente uma dívida fraudulenta, ilegal e ilegítima que ninguém de nós contraiu e que continua enlaçando o país à submissão ao imperialismo, como fizeram todos os governos anteriores.

Este novo salto do ataque ao conjunto dos trabalhadores e da juventude, coloca o movimento estudantil em um novo desafio, porque não existe defesa da universidade pública sem enfrentar o ajuste de Macri e dos governadores. Temos que unificar nossas forças junto aos trabalhadores para derrotar este saque, aprofundando as medidas de luta para uma saída independente: que os empresários e especuladores paguem pela crise!

A saída é anticapitalista

No processo de luta que atravessa o movimento estudantil, estão sendo colocados sobre a mesa três grandes projetos em disputa Nas assembleias e interfaculdades, que foram massivas em muitas cidades, e nas mobilizações, cada agrupação política se joga pela sua saída da crise nacional. Por um lado, estão os representantes do governo nas universidades, Franja Morada - Novo Espaço, que boicotam diretamente toda a luta, são os que defendem este plano de ajustes e por isso são vaiados e repudiados pelo movimento estudantil que se organiza.

O outro projeto é o que propõe as agrupações ligadas ao PJ e ao kirchnerismo, que quiseram se mostrar “críticos” ao ajuste mas intervém com os mesmos métodos burocráticos e atuando para desviar o movimento em direção às urnas em 2019. Estas correntes respondem aos seus partidos que a nível nacional negociam o ajustes nas nossas costas: o PJ, que está disposto a votar o que pede o FMI e o kirchnerismo, que diz abertamente que a saída é votar por um “governo popular” em 2019, como disse sua condução docente de CONADU do palco na marcha federal na última quinta-feira. É uma verdadeira ofensa que no dia que o dólar chegara a $40, entre dança e música em cima do palco, o kirchnerismo nos diga que temos que esperar que o macrismo transforme o país em ruínas e que a saída é nas urnas. Mas qual é o programa do kirchnerismo para a crise em curso? É da governadora Alicia Kirchner que deu 2% de aumento de salário aos docentes enquanto negocia com o macrismo o orçamento de ajuste para 2019? É o da direção do sindicato telefônico FOETRA que entregou a flexibilização trabalhista dos trabalhadores à “corporação” de Clarín? Ou a de seus metrodelegados Pianelli e Segovia que acaba de fazer um grande favor à Metrovías assinando um retrocesso no direito à greve? As ações dizem mais que mil palavras: estão sustentando o plano de ajuste de Macri e do FMI. E ainda por cima não propõe nenhuma medida séria de defesa nacional como o não pago da dívida, porque foram eles mesmos que pagaram 200 bilhões de dólares a organismos internacionais sob seu governo.

É compreensível que os que se dizem “opositores” mas atual como sustentação do macrismo, sejam os que também boicotam qualquer instância de auto-organização estudantil e as medidas mais combativas. Assim foi em Córdoba, Rosário e no corte no Obelisco em Buenos Aires impulsionado pelo CEFyL, que mostrou um caminho propondo uma medida contundente votada em assembleias, e da qual o kirchnerismo logicamente estrelou com sua ausência.

Nós temos outro projeto, antagônico ao deles. Se o saque é agora, não há tempo a perder. E a resposta tem que ser à altura dos ataques do governo. As agrupações que impulsionamos em todo o país desde a juventude do PTS com companheiros independentes levantamos um programa de conjunto para que a crise seja paga pelos capitalistas e não pelos trabalhadores e a juventude. Nestes momento não se pode defender a educação pública, sem derrotar o governo de Macri e seu plano de ajuste. E não existe saída possível aos padecimentos deste saque que não ataquem os interesses dos empresários e especuladores, partindo do não pagamento da dívida pública, a nacionalização dos bancos e o monopólio do comércio exterior para acabar com a fuga de capitais.

PPara impor esta saída, precisamos colocar de pé um movimento com a enorme força social do movimento operário, o movimento estudantil e o movimento de mulheres, que é uma aliança capaz de derrotar o governo de Macri. Por isso, propomos começar a coordenar com as e os trabalhadores medidas concretas em cada estado ou região para golpear com um só punho. Começando com preparar juntos todas e todos os estudantes que intervém nesta luta uma grande jornada nacional em apoio ao Estaleiro Rio Santiago, no próximo 12 de Setembro. Também temos que nos propor que a paralisação tardia e sem continuidade definida pela CGT às costas das trabalhadores e trabalhadores, do 25/9, seja uma paralisação ativa, com fechamentos de rodovias e ruas e mobilização para dar uma mensagem política contundente às classes dominantes. Os sindicatos docentes, começando pela Conadu Histórica, devem se colocar na linha de frente desta tarefa.

Rede Nacional de Agrupações Anticapitalistas

Frente a cada saque histórico que sofreu o povo trabalhador do nosso país, vimos que a crise é paga por nós e os lucros são levados pelos grandes empresários. Hoje o salário real é um pouco mais da metade do que era antes da ditadura, a pobreza era de 4%, no governo progressista do kirchnerismo ficou em 25% e hoje está acima de 30%. Um regime político e social que ainda em tempos de crescimento sustenta tas níveis de pobreza merece que o superemos! Nunca na história da humanidade foi tão obscena a desigualdade entre os mais ricos e os mais pobres: somente 8 pessoas tem a mesma riqueza que metade da população. Não queremos que com cada novo saque se socialize mais a miséria e se enriqueça a mesma minoria. Queremos socializar as riquezas e o conhecimento produzido por nós, e a única maneira é acabar com este sistema pelas mãos dos trabalhadores.

No mundo vemos que se não opusermos uma saída radical e dos trabalhadores à crise capitalista, as saídas são radicais pela direita. Vejamos Trump nos EUA ou a extrema direita na Europa; ou o golpe (por hora institucional) no Brasil.

Hoje a juventude emerge no nosso país com o movimento de mulheres e estudantil, toda essa força e energia pode ser colocada para desenvolver uma grande força social que conquiste um governo dos trabalhadores para acabar de vez com a irracionalidade de que nós que produzimos a riqueza vivamos pior para que os parasitas as apropriem. Agora é quando!

Te convidamos para ser parte de uma Rede Nacional de Agrupações Anticaptalistas, junto à Juventude do PTS e companheiros independentes, para construir esta alternativa no no movimento estudantil dos que não queremos mais remendos, nem mordaças ou a divisão das lutas. Dos que queremos reconstruir um novo movimento estudantil junto aos trabalhadores, autoorganizado democraticamente, que nas lutas que estamos dando em defesa da universidade pública construa um futuro liberto de toda miséria, opressão e exploração.

É nesta perspectiva que a Juventude do MRT impulsiona a Faísca, Juventude Anticapitalista e Revolucionária, junto a militantes independentes. Acompanhem-nos no Facebook e no Instagram: @juventude_faisca e construa conosco essa alternativa no Brasil!




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