Internacional

ESPIONAGEM DA ESQUERDA

Argentina: espionagem ilegal contra o Partido dos Trabalhadores Socialistas é repudiada

No fim de semana, soube-se que a agência de inteligência argentina espionava jornalistas e acadêmicos, além de uma reunião e dirigentes do Partido dos Trabalhadores Socialistas (PTS), partido que forma a Frente de Esquerda. Essa espionagem ilegal recebeu repúdio imediato generalizado.

terça-feira 9 de junho| Edição do dia

Sabe-se que os serviços de inteligência fizeram um relatório em uma reunião de 24 de setembro de 2017 no Hotel Bauen, na cidade de Buenos Aires, onde centenas de trabalhadores realizaram uma plenária aberta para refletir e resolver medidas no momento em que "o governo e os empregadores de Macri tentaram baixar novos ataques à classe trabalhadora e aos pobres, com a cumplicidade dos líderes sindicais ". O relatório da Agência Federal de Inteligência (AFI) detalha que as informações foram coletadas por "fontes próprias", ou seja, "infiltrados" naquela reunião.

"Obtém-se de nossas próprias fontes que, durante as atividades realizadas em relação ao plenário mencionado, foram estabelecidas as diretrizes gerais para a criação de comissões que terão como missão operacional o impedimento da conferência da OMC a ser realizada durante o corrente ano; para impedir o desembarque do G20 no país ”, cita o relatório absurdo, que também menciona a Frente de Organizações em Luta (FOL) e a Tendencia Piquetera Revolucionaria (TPR). Como se sabe, há também, entre as vítimas de espionagem ilegal nas mãos do Estado, cerca de 400 jornalistas e ativistas do Ni Una Menos.

O dossiê foi preparado pela Diretoria de Análise Interna do Departamento de Crimes contra a Ordem Constitucional e existem fotos e dados pessoais de alguns dos dirigentes do Partido dos Trabalhadores Socialistas, parte da Frente de Esquerda, e dos Trabalhadores na Argentina, que promovem a Rede Internacional La Izquierda Diario no país. Juntamente com as informações dos líderes do PTS, havia uma lista de colaboradores da campanha eleitoral de 2017 e uma lista de "quadros treinados", para se referir a militantes experientes.

Deve-se destacar que as informações que os serviços de inteligência coletaram são absolutamente públicas, tanto a reunião mencionada, como os líderes e colaboradores espiados também são figuras públicas e estão na internet.

Mas isso não torna a atividade de espionagem ilegal menos séria, já que o PTS e outras organizações já sofreram em várias ocasiões: Projeto X da Gendarmeria, em 2011, o famoso “homem de barba grisalha”, nas manifestações dos trabalhadores de Lear, em junho de 2015 espionagem de Myriam Bregman; advogados do Centro de Profissionais de Direitos Humanos e parentes de Santiago Maldonado em 2017; e arecente vigilância ilegal de mineradores de Andacollo, em Neuquén.

"Vamos nos apresentar nesse caso exigindo que uma investigação seja conduzida até às últimas consequências e que sabemos quem foram os responsáveis ​​materiais e políticos deste ataque às liberdades democráticas", declarou o PTS.

Nas redes sociais, foi sentida a rejeição desses atos graves de espionagem ilegal aos líderes do PTS, aos inúmeros jornalistas e personalidades.




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