Gênero e sexualidade

8M - ARGENTINA

Argentina: Uma nova assembleia massiva para preparar o #8M

quinta-feira 15 de fevereiro| Edição do dia

Foi realizada em Buenos Aires a segunda assembleia para preparar a Greve Internacional de Mulheres do 8 de Março (8M). Exigiram que as centrais sindicais convoquem a paralisação e organização nos locais de trabalho.

Na sexta-feira, 9, foi realizada uma nova assembleia de frente com o 8M na Cidade de Buenos Aires. A convocação massiva obrigou novamente a realização ao ar livre no prédio da Mutual Sentimiento no bairro portenho Chacarita.

Como na primeira assembleia, as responsáveis pela abertura foram as trabalhadoras demitidas do hospital Posadas e ferroviárias, que chamaram a solidariedade com as suas lutas e convidaram a participar do Encontro de Trabalhadoras e Trabalhadores Contra as Demissões e os Ajustes. As mulheres, lésbicas, travestis e trans que se reuniram para preparar uma nova Paralisação Internacional de Mulheres receberam com aplausos e solidariedade estas mulheres que resistem junto aos seus companheiros as demissões e o ajuste do governo Macro e dos governadores do PJ.

Durante mais de tres horas se desenvolveram debates sobre as demandas e as formas que terá a paralisação no próximo 8 de Março. As vozes e os debates que atravessam o feminismo e o movimento de mulheres hoje se expressaram. Foram propostas uma série de demandas que incluem: basta de demissões e ajuste, contra a violência, inclusive a econômica, basta de travesticidios e feminicidios, pelo direito ao aborto legal, seguro e gratuito.

A extensa lista de oradoras começou a saudação da legisladora portenha do PTS na Frente de Esquerda Myriam Bregman: "Quero saudar está assembleia que esteve com os trabalhadores da PepsiCo, que viajou ao Bolson no pior momento da repressão às comunidades originárias e que viajou a Jujuy para mostrar que na Argentina existem presas e presos políticos."

Participaram da assembleia diferentes organizações feministas, LGBT, mulheres que se organizam nos seus locais de trabalho, de estudo e nos bairros. O Coletivo Ni Una Menos, a Campanha Nacional pelo Direito ao Aborto Legal, Seguro e Gratuito, referências de partidos da esquerda como o Partido dos Trabalhadores Socialistas, Partido Obrero e Izquierda Socialista, todos membros da Frente de Esquerda. Tambem estiveram presentes escritoras, intelectuais e jornalistas, como Gabriela Cabezón Cámara, Marta Dillon, María Pía López e María Florencia Alcaraz. Lara Bertolini, o Bachillerato Popular Trans Mocha Celis e Alma Fernández, militante travesti, também foram parte da assembleia. Com uma grande bandeira, a exigência de Justiça por Diana Sacayán ena denúncia do travesticidios se fez escuta.

Entre as demandas e consignas que estiveram em debate, junto com a de Basta de demissões e ajuste, contra a reforma da previdência e contra a violência machista, se escutou com força a exigência do Aborto Legal Já e o cumprimento da Lei de Educação Sexual Integral em todas as escolas do país. Nina Brugo e Celeste Mac Dougall, impulsionadoras da Campanha pelo Direito ao Aborto Legal, Seguro s Gratuito, que se prepara para apresentar por sétima vez no Congresso seu projeto de lei, assim como as organizações de esquerda, insistiram na necessidade de destacar este direito elementar, que permitiria evitar a morte de centenas de mulheres todos os anos pelo aborto clandestino. A necessidade de impor esta demanda com a mobilização nas ruas foi também uma das conclusões que várias participantes levaram à assembleia.

Florencia Minici levou a proposta do Coletivo Ni Una Menos, e sustentou que além de continuar "insistindo e discutindo dentro dos botões sindicais a necessidade de impulsionar uma medida de força, a necessidade da paralisação,mas também temos que continuar com esta reflexão para as múltiplas formas nas quais podemos parar". Neste sentido Minici propôs que a consigna de paralisação pelos direitos das mulheres se incorporasse à de "vinte e quatro horas de desobediência ao patriarcado" e um "barulhaço as 13 horas, antes de sairmos para a mobilização".

Guadalupe Oliverio, da agrupação Pan y Rosas, sinalizou na sua vez a importância de debater o conjunto das demandas para votar as consignas da convocatória para a mobilização do 8M e começar a levá-las a todos os lugares de estudo e de trabalho, para preparar uma grande jornada pelos direitos das mulheres; contra as demissões e o ajuste de Macri e dos governadores; por todos os nossos direitos, e especialmente pelo direito ao aborto legal, seguro e gratuito; e contra a criminalização das manifestações.

Guadalupe também destacou a importância de incluir a exigência às centrais sindicais que convoquem uma paralisação efetiva, como se fez em 2017. "Como vimos nesta assembléia, são cada vez mais as mulheres trabalhadoras que se aproximam, como não vamos exigir que as centrais e os sindicatos chamem a paralisação para que neste dia todos possam participar da jornada e ir à Praça de Maio? Se não existe paralisação, a vontade de luta que existe nas ruas não vai poder se expressar". "O desafio do movimento de mulheres é estar com tudo nesta briga, para que possamos ser milhares nas ruas, para que ninguém que queira participar fique sem, para que a terra trema de novo, para que as nossas demandas se imponham", disse.

Desde a Rede Internacional La Izquierda Diario estaremos cobrindo também as assembléias e convocatórias que existem em diferentes países.




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