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FRENTE DE ESQUERDA NA ARGENTINA

Argentina: Frente de Esquerda em campo, ato com milhares no estádio de Atlanta

Ato de 19 de novembro no estádio de Atlanta. Falarão os dirigentes do sindicalismo combativo e referências como Myriam Bregman, Néstor Pitrola e Juan Carlos Giordano. O encerramento será com Nicolás del Caño.

sexta-feira 7 de outubro| Edição do dia

No que será um fato inédito nos últimos anos, e dando conta do crescimento de suas forças, a Frente de Esquerda e dos Trabalhadores (FIT, na sigla em espanhol) convoca um grande ato nacional em um estádio de futebol aberto.

Será no estádio Atlanta, no sábado 19 de novembro, e contará com oradores do sindicalismo combativo como Claudio Dellecarbonara e o Pollo Sobrero, e referências da esquerda como Myriam Bregman, Néstor Pitrola e Juan Carlos Giordano.

O encerramento do ato ficará a cargo do candidato da esquerda à presidência, Nicolás del Caño.

Sobre a base de uma declaração política, a Frente de Esquerda convoca milhares de trabalhadores, mulheres e jovens a lotar Atlanta para por de pé uma grande tribuna independente dos capitalistas, por uma alternativa da classe operária.

É um chamado aos milhares que querem enfrentar os tarifaços, as demissões, e defender o salário. Às que saíram às ruas para gritar "Nenhuma a menos!" e neste fim de semana protagonizaram um grande Encontro Nacional de Mulheres em Rosário. Aos que cerram fileiras contra a burocracia sindical que não chama uma forte paralisação nacional e é cúmplice do ajuste. À juventude trabalhadora e estudantil que luta por seus direitos em todo o país.

Por uma alternativa política dos trabalhadores

O documento de convocatória, acordado com base em uma proposta que apresentou o PTS à Mesa Nacional da FIT, e que foi aceito sem modificações substanciais, apresenta a Frente de Esquerda como a única variante de esquerda e de independiência política frente ao governo macrista e frente às distintas variantes de oposição peronista como Massa, o PJ e o kichnerismo, que representam outras frações burguesas sempre subordinadas ao grande capital.

A declaração da FIT denuncia que "como representante dos interesses do grande capital, o governo de Macri vem levando adiante um plano de ajuste e de ataque às conquistas dos trabalhadores (...) O pagamento dos fundos de abutre, a lavagem de dinheiro e os brutais tarifaços nos serviços públicos são só uma amostra da política deste governo, a serviço dos grandes empresários e das multinacionais, das patronais do campo, dos bancos e do imperialismo."

Ao mesmo tempo, o chamado ao ato adverte que "a política do governo nacional é compartilhada em seus alinhamentos centrais por distintas variantes da oposição patronal, como o expressam os ajustes levados a cabo - inclusive com uma brutal repressão e perseguição aos que luta - pelos governos da FpV/PJ em suas províncias (como Tierra del Fuego, Santa Cruz e Santiago del Estero, entre outras) e o apoio que eles deram no parlamento, tanto as diferentes variantes do FpV/PJ como a Frente Renovador, às principais leis impulsionados pelo macrismo (pagamento aos fundos de abutres, a regularização de ativos, novos membros da Corte Suprema, entre outras)" .

Sobre a força liderada por Sergio Massa, o documento diz que "as propostas da Frente Renovador de ’defesa das Pequenas e Médias Empresas’ ou do ’trabalho nacional’ não implicam em nenhuma medida frente a cobrança do capital financeiro e aos tarifaços a favor das privatizadas. Suas propostas supostamente ’protecionistas’ só servem de desculpa para fomentar uma maior precarização do trabalho: em última análise, recorrem à concorrência internacional para promover rebaixamento do salário e das condições de trabalho".

Neste marco, o documento reivindica que "a Frente de Esquerda surgiu em 2011 defendendo a independência política da classe operária desde uma perspectiva anticapitalista e socialista (...) A Frente de Esquerda rechaçou a variante fracassada de submissão aos blocos e partidos capitalistas, como ocorreu com a centro-esquerda; também se delimitou dos governos "nacionalistas" ou "progressistas" latino-americanos que, inclusive quando protagonizaram tensões com o imperialismo, preservaram as relações capitalistas de propriedade. Defendendo a luta por um governo de trabalhadores (...), entendendo esta consigna no sentido antiburguês e anticapitalista. Defendendo a luta pela unidade socialista da América Latina, contra a falsa verborragia destes governos sobre a "integração latino-americana", que encobriu a continuidade da submissão ao capital imperialista".

Sobre a burocracia sindical, a convocatória denuncia que apesar dos ataques, "a CGT nem sequer chamou uma paralisação de domingo, porém mesmo que o fizesse, estaria longe de ser parte de um plano de luta para iniciar o caminho para derrotar o ajuste. As CTA, por sua vez, são parte da política kichnerista de utilizar a oposição ao macrismo para levar-lá atrás da política de conciliação de classes, como ficou claro na convocatória realizada junto às câmaras de empresários e políticos do FpV à Marcha Federal".

Por isso o documento reafirma que "viemos exigindo às centrais sindicais que rompam com a trégua e convoquem uma grande paralisação contra as demissões, o ajuste e os tarifaços, com mobilização de centenas de milhares em todo o país, como parte do plano de luta progressivo até derrotar o plano anti-operário e anti-nacional do governo. Além disso, combatemos a criminalização dos protestos, como a tentativa de derrubada de dirigentes do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Tierra del Fuego (SUTEF), a tentativa de aplicar a decisão da Corte para limitar o direito de greve dos ferroviários de Sarmiento, que então em luta aberta contra a patronal, o governo e a burocracia sindical; a perseguição de delegados da linha 60, o repúdio aos ataques contra a oposição no sindicato da Carne, e outros absurdos. Além disso, reivindicamos a liberdade imediata de Milagro Sala".

Frente a este panorama, a convocatória propõe que "lutemos por recuperar os sindicatos para os trabalhadores, contra a burocracia sindical, para que a classe operária possa colocar em prática seu programa de saída para a crise em benefício de todos os explorados e oprimidos da nação", e reivindicamos neste sentido as frentes únicas com o SUTNA e os SUTEBAs opositores, assim como "a experiência da oposição combativa e antiburocrática no Metrô., que se enfrenta com uma burocracia sindical abertamente kichnerista".

Para finalizar, assinala que "impulsionamos a frente única das organizações operárias para enfrentar o ajuste e promovemos a unidade de ação contra a repressão estatal e pelas reivindicações populares. Sustentamos que a luta consequente contra o governo macrista exige independência política dos partidos capitalistas. Por todo isso, convocamos a todos os trabalhadores, estudantes e setores populares a enfrentar o ajuste e desenvolver uma alternativa política própria, a partir desta campanha em todo o país, que culminará em um grande ato a se realizar em 19 de novembro no estádio Atlanta, onde se expressarão os representantes do classismo assim como também as distintas forças políticas que integramos a FIT".

Leia aqui a declaração completa da Frente de Esquerda (em espanhol).




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