Argentina: Como foi preparada a marcha em defesa da educação em todo o país?

quinta-feira 30 de agosto| Edição do dia

Ocupações de faculdades, assembleias massivas e mobilizações de milhares em diferentes estados anunciam uma jornada histórica de luta dos estudantes e professores em todos os estados argentinos.

O conflito universitário está a ponto de completar um mês e hoje, ainda que os grandes meios afins do governo tentem evitá-lo, promete ser o principal assunto em todo o país.

É que em meio da subida descontrolada do dólar e das manobras de um governo que cada vez mais se mete para dentro da lama do FMI, os professores e estudantes estão demonstrando que as forças para enfrentá-lo e frear seu plano de ajustes existem.

Tanto é assim que desde segunda-feira está sendo preparada uma marcha pela educação nacional que certamente convocará milhares e milhares de estudantes em todos os estados, como não se vê desde os anos 90’.

Nestes dias se votaram ocupações de faculdades em todo o país, o que se soma às mobilizações de milhares que já havíamos visto na semana passada e assembleias enormes em estados com Córdoba e Jujuy.

Sem ir mais longe, ontem em Rosário se mobilizaram milhares no monumento à bandeira.

Na Medicina da UBA, que já tinha tido na semana passada uma assembleia como há muitos anos não se via, decidiram ontem a noite ocupar a universidade e, neste momento, tapar a virgem que está na entrada da faculdade com um cartaz laranja que diz “Fmed de pé”.

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Nas Ciências Sociais, também da UBA, decidiram ocupar a faculdade e participar do corte que tinha sido proposto pelo Centro de Estudantes de Filosofia e Letras (CEFyL) nesta manhã que já está acontecendo e pode ser acompanhado pelo Instagram da Juventude do PTS, organização irmã do MRT na Argentina: @juvpts

A mesma coisa aconteceu em Psicologia, onde além disso tiverem a anedora de que quando quis falar “o EDI”, agrupação ligada às autoridades e ao Governo Nacional, foram vaiados.

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A Assembleia da Universidade de Salta humanidades votou a ocupação da reitoria durante todo o dia de hoje até a hora da marcha.

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Algo muito parecido aconteceu em Jujuy, onde logo após marchar até a reitoria, como foi decidido em assembleia geral e assembleias de curso, os estudantes ocuparam a casa de estudos sob a consigna “Mais orçamento para a educação, não para a dívida”.

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Em Córdoba, as autoridades parece que não estão muito cômodas sabendo que é o estado onde mais se vêm organizando os jovens. Na semana passada o reitor já havia protagonizado um escândalo quando quis desalojar a Faculdade de Direito com a polícia. Agora deram um salto. Na interfaculdades desta terça-feira, Paola, que é militante do PTS e do Pão e Rosas, denunciou a perseguição judicial e política aos estudantes que votaram pela retirada da virgem da faculdade de Direito.

Nem assim conseguem botar medo. Na faculdade de Arquitetura ontem se reuniram mil jovens para debater que medidas tomar para enfrentar o recorte orçamentário e apoiar os docentes na sua luta por salários dignos.

Estas mesmas autoridades continuaram com ameaças com o fechamento de faculdades, coisa que também fez o Reitor da UBA Barbieri com a sedes de Paternal e CBC da rua Ramos Mejía, em Caballito.

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Voltando às assembleias das quais os governos tampouco gostam, em Mendonça as interfaculdades da Universidade de Cuyo reuniu 1000 pessoas.

As Universidades General Sarmiento (UNGS) e de San Martín (UNSAM) em Buenos Aires contaram com assembleias de 400 pessoas que votaram pela ocupação dos estabelecimentos e participar hoje também do corte no obelisco.

UNSAM

UNGS

Em Santa Fé aconteceu uma assembleia de 400 pessoas no marco das ocupações da Faculdade de Humanidades e Ciências, a de Arquitetura e DEsenho e o Instituto Superior de Música. Votaram marchar à Reitoria e fazer uma interfaculdades lá para ver como seguir.

Enquanto o governo tenta separar os docentes dos estudantes, dizendo que existem problemas com os salários mas negando o corte no orçamento e colocando os docentes como responsáveis pelas aulas que não começaram, a realidade está mostrando que ganha cada dia mais força a unidade.

Eles tem medo. Sabem que hoje seremos milhares em todo o país dizendo que não queremos que o dinheiro vá para a dívida externa, nem para os especuladores, mas sim queremos para a educação, saúde e moradia.




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