FERIDO NA MARCHA À BRASÍLIA

Aposentado atingido no maxilar com arma letal na Marcha para Brasília ainda sente dores

O aposentado Carlos Geovani Cirilo, atingido no maxilar por um tiro de munição letal na Marcha para Brasília, em 24 de maio, traumatizado com a repressão policial, declara: "Agora nunca mais eu quero saber de Brasília"

segunda-feira 26 de junho| Edição do dia

Milhares de jovens e trabalhadores que marcharam em Brasília contra a reforma da previdência e pelo Fora Temer, em 24 de maio, foram reprimidos pelo governo que reagiu colocando a polícia militar do distrito federal e o exército nas ruas, e sabemos que policiais militares foram filmados atirando com armas de fogo em direção aos manifestantes, e que muitas pessoas foram feridas pela polícia. O aposentado Carlos Geovani Cirilo, coordenador do núcleo de aposentados da Asthemg (Associação Sindical dos Trabalhadores em Hospitais de Minas Gerais), foi uma das vítimas, atingido no maxilar por um tiro de munição letal. A bala entrou pelo lado direito do rosto e ficou alojada perto da carótida.

Cirilo, no momento em que foi atingido, retornava para o ônibus que o levara ao protesto desde Belo Horizonte, onde mora. Estava sozinho e sem seus documentos, que estavam todos guardados no ônibus. Só foi encontrado pelos companheiros no dia seguinte, no Hospital de Base.

Era sua quarta vez em Brasília. Tinha ido à manifestação "pra ver se melhora alguma coisa" no país, e terminou passando seis dias em coma por conta da violência da polícia racista e assassina.

Cirilo passou por cirurgia de reconstrução dos ossos da face, e, assim que acordou, podia se alimentar apenas por sonda no nariz. Agora, ingere comida pastosa, e ainda sente dores no rosto, muito inchado. A bala permanece alojada em sua face, pois os médicos acharam arriscado retirá-la.

No dia 7 de junho, foi transferido em ambulância custeada pela Asthemg ao Hospital João 23, em Belo Horizonte. O custo das onze horas de viagem foi de R$ 6.500.

Colegas de sindicato dizem que solicitaram o auxílio dos governos do DF e de Minas para transferir Cirilo, mas não foram atendidos. Carlos Martins, coordenador-geral da Asthemg, afirma que chegou a ter reunião com representantes do governo do DF que teriam informado "que o governador [do DF, Rodrigo Rollemberg, do PSB] daria toda a assistência necessária para que ele pudesse ser removido da forma mais adequada possível". "Quando cobramos, colocaram vários empecilhos. Não sabiam se iam garantir o transporte aéreo, iam estudar a possibilidade do terrestre, mas não deram retorno", diz Carlos.

Em 1º de junho, centrais sindicais protocolaram um ofício ao governador de Minas, Fernando Pimentel (PT), pedindo intervenção do Estado. A Secretaria de Saúde de Minas informou que, a pedido do governador Pimentel, passou a acompanhar o caso de Cirilo e tomar providências. "No decorrer do encaminhamento dessas providências, o paciente foi transferido para o hospital João 23.", afirma em nota, confessando que demorou demais diante das necessidades médicas do paciente.

O aposentado diz que não esperava voltar como paciente ao João 23, hospital que conhece "como a palma da mão", pois lá trabalhou como auxiliar de serviços gerais e segurança por mais de 30 anos, e o hospital deixou de ser sua rotina há somente três meses, quando se aposentou.

Infelizmente, a repressão policial, que vem com a intenção de inibir que a população se coloque nas ruas em defesa de seus direitos, parece ter amedrontado Cirilo, que declarou: "Agora nunca mais eu quero saber de Brasília" e nem de protestos. "Só espero que consigam localizar ele [o policial que atirou] e cobrar dele o que fez.".

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Aparentemente o desejo de Cirilo de que o responsável por atirar com arma letal em seu rosto durante uma manifestação de milhares não se realizará. A Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal informou que há inquérito aberto para apurar de onde partiu o tiro que lhe atingiu, mas que o "impedimento da retirada do projétil do maxilar da vítima dificultará a identificação do autor". Mas que os três policiais flagrados usando armas de fogo estão afastados, em funções administrativas. Ou seja, foram "punidos" com postos de trabalho de menos prestígio na corporação policial, mas sem dar nenhuma resposta sequer, mesmo que por dentro das arbitrárias leis burguesas.

Esse caso ilustra bem como a polícia é usada pelos governos de maneira reacionária e repressora, para retirar dos cidadãos a coragem de "melhorar as coisas no país" com suas próprias mãos, que é um direito. Mais um direito retirado por esse governo ajustador que, junto a seu braço armado que é a polícia, ataca, reprime e não possui nenhum comprometimento com a vida dos trabalhadores.




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