Política

FABRÍCIO QUEIROZ

Após um ano inteiro de denúncias, MP do RJ inicia operação contra Queiroz

O Ministério Público do Rio de Janeiro, depois de um ano inteiro de denúncias, decidiu abrir operação contra o ex-assessor de Flávio Bolsonaro, Fabrício Queiroz, pela prática da "rachadinha". As acusações vinham desde o início do recebendo vista grossa do judiciário, e agora Queiroz volta a ser alvo do MP.

quarta-feira 18 de dezembro de 2019| Edição do dia

Nesta quinta-feira,dia 18 de dezembro, o MP realiza um mandado de busca e apreensão em endereços de Fabrício Queiroz, de seus familiares e também de Ana Cristina Siqueira Valle, mãe de Flávio e ex-esposa de Jair Bolsonaro.

Fabrício Queiroz, motorista-laranja e ex-assessor de Flávio Bolsonaro, volta hoje a ser alvo do MP pela prática de “rachadinha”, a qual se baseia na alocação de servidores em cargos parlamentares sob a condição de que parte do salário seja devolvido. Queiroz já tinha uma investigação suspensa desde o início do ano, após pedido de uma liminar do próprio Flavio Bolsonaro, que foi aceita pelo STF.

Queiroz esteve junto de Flávio, na Assembleia Legislativa do Rio por mais de 10 anos (de 2007 a 2018), neste período sua mulher, duas filhas, a enteada, uma ex-cunhada, entre outros familiares foram admitidos no esquema corrupto. Embora já houvesse provas há mais de um ano, apresentadas em dezembro de 2018 por Eduardo Gussem, procurador-geral do Rio, numa nota informando a abertura de 22 inquéritos sobre os relatórios da Coaf, que incluem Fabrício Queiroz, o Judiciário - articulador do Golpe Institucional de 2016 - fez o máximo para abafar os escândalos que no começo do ano já podiam se tornar o epicentro da desestabilização do governo de extrema-direita ultraneoliberal em curso, bem como poderia afetar o andamento de suas principais reformas, como a da previdência, chamada pelo próprio Jair Bolsonaro como “centro de gravidade do governo”, além de envolver explicitamente o filho do presidente recém eleito senador do Rio. Isso reafirma que a Laja Jato nunca teve um “compromisso contra a corrupção”, o lema carregado nas propagandas bolsonaristas e também por Sérgio Moro, mas que está empenhada no fortalecimento nos interesses imperialistas dos capitalistas, e disposta a fazer vista grossa à família Bolsonaro em nome destes interesses.

Não foi somente este primeiro caso que repercutiu de forma preocupante para a imagem do novo governo, mas outra crise ocorreu há pouco tempo, em outubro, quando o jornal O Globo revelou áudio de Queiroz no qual pode ser verificado a aproximação do ex-assessor com o clã Bolsonaro, sendo parte da negociação de cargos políticos em gabinetes e comissões parlamentares. No vazamento é enfatizado especialmente o gabinete de Flávio Bolsonaro, o senador que nega manter relação ou contato com Queiroz desde o final do ano passado ou aceitado qualquer indicação dele. Não nos esquecendo que o áudio emitido por parte do jornal O Globo está imerso numa série de disputas entre os atores do regime político, sobretudo após as recentes rupturas de Bolsonaro com a Lava-Jato, evidenciando seu completo envolvido com aquilo que vai contra o que chama de “velha política”, com o enriquecimento de si próprio, da família, milicianos e amigos, que levou a uma crise interna no PSL, sua quase dissolução, e a busca de Jair Bolsonaro por restaurar sua imagem em um novo partido apoiado por outro setor reacionário do seu governo, a igreja evangélica.

Interessante notar como o processo de investigação é retomado após a aprovação da Reforma da Previdência, inclusive apoiada pelos setores reformistas da esquerda, como PT e PCdoB junto da pacificação de suas burocracias sindicais que negociaram e seguem negociando o futuro dos trabalhadores, o que fortalece os ajustes que os capitalistas exigiam para descarregar sua crise nas costas da classe trabalhadora na figura do guru Paulo Guedes, além de ter aberto o caminho para uma avalanche de privatizações, ataques aos servidores públicos (brevemente barrados) e descompromissos com serviços essenciais à população, como saúde e educação.




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