Educação

PRECARIZAÇÃO DO ENSINO E DEMISSÕES NA LAUREATE

Após trocar professores por robôs, Laureate demite em massa em meio à pandemia

Após a bizarra substituição de professores por robôs na correção de atividades de alunos na modalidade EaD em suas faculdades, o grupo Laureate - dono da FMU, Anhembi Morumbi e outras faculdades - demitiu 120 professores ligados a essa modalidade de ensino, em plena pandemia.

Fernando Pardal

@fepardal

quinta-feira 14 de maio| Edição do dia

Precarização do processo de ensino/aprendizagem e a política de morte das patronais andam de mãos dadas em uma sociedade em que a educação se tornou mercadoria nas mãos dos capitalistas. É isso que o escandaloso caso da Laureate, um dos maiores monopólios educacionais do mundo, está mostrando de forma escancarada.
Primeiro, a mega empresa que abrange faculdades como FMU e Anhembi-Morumbi substituiu professores por robôs na correção de atividades educacionais do EaD (Ensino à Distância). Agora, como já era de se esperar está demitindo massivamente os professores que foram trocados pelo software.
O cinismo dos empresários que controlam o grupo não tem limites, e dizem em seu site que têm a “visão de tornar a educação de qualidade mais acessível”. A prática, no entanto, demonstram que seu único objetivo é o lucro, e que querem fazer do seu mercado de diplomas o mais rentável possível, e para isso não hesitam em colocar computadores no lugar dos docentes. As mensalidades dos cursos EaD, com um valor médio de R$ 150, são a nova “galinha dos ovos de ouro” das instituições, que podem “entuchar” quantos alunos quiserem nas disciplinas, economizando aluguel, energia elétrica, água e, agora, até a mão de obra dos docentes. Vale tudo para otimizar os lucros.
Uma docente, que preferiu não se identificar, relatou ao jornal Folha que ficou sabendo da demissão ao tentar acessar o sistema online: “Fui acessar o sistema pela manhã para começar a atender os alunos, mas minha senha estava bloqueada. Enquanto tentava resolver, entraram em contato e me avisaram da demissão”. Ela disse que segundo a instituição não haverá mais cargo de docente na modalidade EaD. Serão apenas tutores e remanejamentos do quadro de docentes presenciais (quem sabe com aulas gravadas). Os tutores receberão um salário de R$ 1.200 por jornadas de oito horas, enquanto um professor recebia, em média, R$ 5.000.
As declarações da Laureate são nojentas. Eles disseram em nota que a empresa está "fazendo um movimento importante para unificar a área acadêmica de educação a distância com a área presencial de suas instituições, desfazendo, assim, a separação que havia". Claro, tudo pelo bem dos estudantes! Eles querem apenas "aproximar ainda mais o presencial do virtual", e a demissão dos docentes que atuavam no EaD não impactará de maneira alguma a qualidade acadêmica oferecida". Eles ainda omitem a quantidade de demissões afirmando ser “pelos docentes”, quando dizem “Em respeito à contribuição e à privacidade dos profissionais, a Laureate não divulga externamente a quantidade e nem os nomes dos professores que não fazem mais parte de nossa comunidade acadêmica”. Concluindo a justificativa dessa ação tão “humanista”, dizem ainda na nota que “A Laureate ratifica que a implementação de novas tecnologias não tem o intuito de substituir a função essencial do corpo docente, mas sim oferecer aos professores a oportunidade de dedicar mais tempo na relação direta com seus alunos, liberando agenda e energia para gerar mais proximidade com as suas turmas, um melhor acompanhamento no desempenho dos estudantes e mais tempo para que possam focar em outras atividades acadêmicas. Portanto, o objetivo é sempre humanizar ainda mais a relação de ensino e aprendizagem”
Ao site Publica, a Rede de Educadores do Ensino Superior em Luta afirmou que “Na Laureate esse processo já se desenrola há alguns anos, primeiro com a produção de manuais, para que qualquer professor pudesse dar virtualmente qualquer disciplina. Depois com a compra de direito das videoaulas por mais de 70 anos, tirando do professor mais essa tarefa. E, por fim, o uso desses robôs e as demissões desses profissionais”.
Os professores são massacrados nessas instituições, como demonstra o relato de um dos docentes demitidos que dava aula em 52 disciplinas para mais de 4.000 estudantes. "Nós já tínhamos pouca autonomia, já que não produzimos as aulas e os conteúdos ministrados. Depois tiraram de nós as correções das atividades, e ficamos apenas para tirar dúvidas dos alunos. Agora seremos substituídos por tutores".
As medidas que a Laureate toma hoje não caíram do céu: para poder aplicá-las contam com o apoio de Bolsonaro: Weintraub aumentou a possibilidade de carga horária à distância de 20% para 40% mesmo nos cursos presenciais no ano passado. Tudo em defesa dos lucros dos empresários, tal como seu insistente negacionismo e a defesa do “retorno à normalidade” em meio a uma pandemia que já matou mais de 12 mil pessoas.




Tópicos relacionados

Ensino à distância   /    Coronavírus   /    Demissão   /    precarização   /    Universidades Privadas   /    Demissões   /    Educação

Comentários

Comentar