Gênero e sexualidade

LGBTFOBIA

Após ter sido “crucificada” na Parada de Orgulho LGBT, modelo sofre sua 2° agressão por parte de religiosos

A modelo transexual passou a ter maior visibilidade, após desfilar na Parada de Orgulho LGBT, em 2015, representando a crucificação de Jesus Cristo. Neste ano, sua fantasia foi em representação à balança da Justiça, em que segurava uma bíblia com os dizeres “Bancada Evangélica” e “Retrocesso”, e gerou outras tantas ameaças.

quarta-feira 13 de julho| Edição do dia

De acordo com o relato de Viviany, por volta das 17h de ontem, ela saiu de casa para ir ao supermercado, na Avenida Brigadeiro Luís Antônio, e, ao deixar o local, foi cercada por cinco homens, que começaram a ofendê-la e depois a espancaram. As agressões só foram interrompidas após um casal que passava na rua começar a gritar. Os agressores fugiram, e Viviany preferiu pegar um taxi até sua casa, onde recebeu amigos médicos que lhe fizeram os curativos.

"A todo momento falavam que eu era um demônio, que essa raça tinha que morrer. Recitavam passagens da Bíblia ou que diziam alguma coisa relacionada à Bíblia. Falavam em Romanos e coisas como ’não te deitarás com um homem, como se fosse mulher’ e muitas palavras que não entendia, como se fosse em outro idioma. Eles diziam também ’traveco vira homem’, ’praga da humanidade’. Ofensas e Chutes. Quero esquecer", descreveu a modelo, em mensagem enviada ao UOL, por meio de sua assessoria de imprensa.

Segundo informações dadas a Globo, Sabrina Reis, que divide o apartamento na capital paulista com a modelo, contou que "Viviany não quis ir ao hospital porque teria que fazer um boletim de ocorrência, e ela não quer. Porque está descrente, não acredita em mais nada. Da outra vez que foi agredida, nada aconteceu. E ainda ficam falando que ela quer se aproveitar para aparecer na mídia", segundo explicou a mesma, a modelo sairá de São Paulo por uns dias, "Ela quer se recuperar longe daqui".

Em agosto de 2015, a modelo também denunciou ter sido esfaqueada enquanto andava próximo a sua casa, no centro da capital paulista. Na época, ela registrou boletim de ocorrência, assim como denunciou a série de ameaças que passou a receber após sua primeira performance política de denuncia ao modo como é tratada a população LGBT e os crescentes números e casos de homofobia.
Por volta das 20h30 de ontem, a modelo publicou uma mensagem em sua página na rede social Facebook: "Mais uma vez o que eu não queria que acontecesse com qualquer LGBTS acontece comigo só peço orações... pra que melhores logo... nada de fotos e nem vídeos dessa vez, apenas que orem e mandem energias positivas".

O ano de 2016 vem batendo tristes recordes de violências e violações das quais a população LGBT é alvo. Isso ocorre, em contrapartida, no período em que se tem maior visibilidade e pressão da população LGBT para a abertura ao diálogo sobre as questões de sexualidade e gênero, mas que enfrenta grande resistência por parte dos setores conservadores e fundamentalistas, que não se abalam com a quantidade de práticas violentas que vêm dizimando parte significativa dessa minoria que morre todos os dias.




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