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CORONAVÍRUS

Após surtos nos frigoríficos do RS, Leite quer reabri-los sem ter testes aos trabalhadores

Para ceder às pressões dos setores pecuários, Leite pretende, sem testagens e garantias aos trabalhadores, reabrir frigoríficos que foram interditados por serem focos de COVID-19, infectando milhares de trabalhadores no estado.

domingo 10 de maio| Edição do dia

O governador Eduardo Leite (PSDB) afirmou, neste sábado (9), por transmissão ao vivo em rede social, que o governo estuda reabrir os frigoríficos no Rio Grande do Sul como JBS, Aurora entre outros, por questões sanitárias. Os frigoríficos que foram fechados em decorrência de grandes surtos do novo Coronavírus que explodiram no setor, infectando centenas de trabalhadores, representam nada menos do que 12 dos 19 casos de surto da doença em todo o Rio Grande do Sul, mostrando ser um dos setores que mais corre risco no estado. Enquanto isso, mesmo com toda essa incerteza, Leite quer reabrir os maiores focos do COVID-19 no estado e arriscar a vida de outros milhares de trabalhadores e das demais pessoas das cidades e do próprio estado em nome do lucro dos capitalistas que desejam passar por cima da vida dos trabalhadores para não perderem dinheiro.

O governo e a mídia ao longo das últimas semanas vieram fazendo uma campanha o Estado está melhor no combate a pandemia, tendo um número menor de infectados e mortos e ainda não tendo o seu sistema de saúde colapsando. Porém eles não chegam a falar nas subnotificações e o aumentos das mortes por problemas respiratórios que tiveram. De 37 mortes por síndromes respiratórias em 2019, passou-se para 260 casos em 2020, durante a pandemia, um aumento de 602%, porém com apenas cerca de 100 notificados como morte pelo COVID-19, até então. Nessa discrepância entre aumentos significativos de mortos por doenças respiratórias e baixo número de casos notificados reside o descaso do governo do estado que não realiza as testagens massivas para mapeamento da doença e isolamento correto dos infectados, incorrendo em uma subnotificação dos casos, que na prática deixa todo mundo no escuro sem saber de fato os números de infectados e mortos.

Agora, o Rio Grande do Sul inicia um ensaio de reabertura distanciada, decretada pelo governador, que na realidade é uma reabertura às cegas, sem testagem, com o sucateamento do sistema de saúde com profissionais da saúde muitas vezes sem equipamentos necessários, que reserva ao povo gaúcho não um reabertura econômica responsável com a vida e a saúde pública como quer fazer crer o próprio Eduardo Leite, e como acredita inocentemente alguns setores políticos (incluindo alguns setores da esquerda política), mas sim uma abertura no escuro quanto aos dados exatos de contaminações e mortes, quanto a identificação e isolamento dos infectados, que acaba por botar em risco a vida de todo mundo, mesmo em um “plano de distanciamento controlado”, que na verdade não tem como controlar nada sem informação nenhuma. Todos os fatores explicitam os reais intentos do governo do estado que é de ceder a pressão do empresariado e dos capitalistas em geral para que o trabalhador tenha que arriscar sua própria vida nos postos de trabalho para garantir o dinheiro dos patrões que não precisam correr riscos, andam em seus carros e possuem bons planos de saúde e ainda conseguem fazer os testes que os trabalhadores mais expostos não possuem acesso, em laboratórios particulares, pagando preços elevados.

O reflexo mais claro do atual cenário ante aos últimos acontecimentos no governo do estado está no tratamento da questão dos frigoríficos, onde Leite coloca possibilidade de abertura com a demagogia que irá retornar com todos os cuidados e prevenção, mas sem ser feito os testes para saber quem são os trabalhadores infectados com o vírus pode agravar a situação, e ainda fazendo ameaças espúrias ao povo com falas de abates sanitários, citando inclusive abertura de “grandes valas para lançar aves e suínos” e que as aves seriam até mesmo “enterradas vivas”. Pois bem, para Leite e o empresariado, talvez seja mais conveniente e lucrativo preservar os animais para o abate que seja lucrativo e reservar as valas para os trabalhadores mortos, que cada vez mais são tratados como descartáveis no estado e no Brasil.

É preciso urgente saber para onde estão indo os testes prometidos, se eles estão sendo feitos de fato em todas as hospitalizadas. Sabemos que os profissionais da saúde não possuem testes, isso é um absurdo. Ao mesmo tempo exigir que a quarentena seja organizada de forma racional, fechando todos os serviços não essenciais, testando todos os trabalhadores que estão na linha de frente, garantindo uma renda mínima para os desempregados, proibindo as demissões e reduções salariais, e ampliando a rede SUS, centralizando todos os leitos de UTI nas mãos dos trabalhadores e do SUS. Não podemos confiar nas palavras desses senhores, é preciso ir a fundo nos dados. Apenas os trabalhadores podem dar uma saída para essa crise.




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