Política

MARIELLE PRESENTE!

Após se comparar a Marielle, Bolsonaro interfere na PF para controlar investigações

A nomeação de Rolando de Souza como diretor-geral da PF, após o ministro Alexandre de Moraes barrar a nomeação de Alexandre Ramagem, amigo pessoal do clã Bolsonaro, soma-se mais uma página da crise política que se abriu desde a ruptura do ex-ministro da Justiça Sergio Moro. Rolando é tido como braço direito de Ramagem, trabalhou como secretário da Abin e assim que assumiu a direção da Polícia Federal trocou cinco superintendências estaduais da PF, incluindo a do Rio de Janeiro, centro das acusações de Moro.

quinta-feira 7 de maio| Edição do dia

Moro acusa o presidente Jair Bolsonaro de querer interferir diretamente na direção da PF no Rio de Janeiro, em depoimento reafirmou suas acusações contra o presidente. Ainda que saibamos que o próprio Moro tenha utilizado politicamente sua localização para favorecer a eleição de Bolsonaro e aprofundar ataques ao conjunto do povo trabalhador, especialmente ao povo negro com seu "Pacote Anti-crime", suas acusações seletivas debilitam o governo que tinha em Moro a legitimidade de "combater a corrupção", o que obviamente nunca se tratou disso.

Na Justiça do Rio tramitam crimes que envolvem diretamente o clã Bolsonaro, como o suposto esquema de rachadinhas do senador Flávio Bolsonaro e o caso Queiroz. A relação do clã Bolsonaro com Adriano da Nobrega peça chave do escritório do crime, acusado de chefiar uma milícia carioca também fazem parte dos crimes relacionados à família, sua mãe e esposa foram empregados no gabinete de Flávio, mas não param por aí as supostas ligações entre o clã e o submundo do crime carioca.

Estamparam nos jornais e nos noticiários outras acusações que os ligam ao assassinato da ex-vereadora Marielle Franco e seu motorista Anderson. Certamente, as mudanças desde a superintendência carioca e no comando da PF estão vinculadas às inúmeras acusações à família que a liga com as milícias cariocas e o caso Marielle. As interferências de Bolsonaro justamente onde tramitam inúmeros processos de crimes que inclusive o vincula com as milícias cariocas e o assassinato da vereadora escancaram a base social miliciana que Bolsonaro se apoia.

Não à toa Bolsonaro de maneira nojenta chegou a comparar esse covarde assassinato com a facada de Adélio, querendo minimizar o crime que comoveu o país inteiro e que até hoje não sabemos quem mandou matar Marielle. Essa interferência direta na PF está vinculada a necessidade de Bolsonaro livrar cara da família de crimes e muito provavelmente esconder algo que ao longo dos anos está ficando ainda mais claro que é sua ligação com as milícias do Rio.

O caso Marielle ainda é um crime sem resposta e que exigimos justiça, só uma investigação independente pode chegar aos verdadeiros mandantes do crime, interferências como essa de Bolsonaro deixam claro que não será pela polícia, totalmente vinculada aos interesses da família Bolsonaro que teremos alguma resposta. Não podemos nos enganar com Moro, ele assim como Bolsonaro estiveram lado a lado no golpe institucional, o ex-ministro através da Lava-Jato até pouco tempo o blindava, escondendo seus esquemas e relações com as milícias não só dele, mas também de seus filhos.

A memória de Marielle continua viva e a luta por justiça também, não podemos deixar que políticos reacionários envolvidos até o pescoço com corrupção e as milícias falem em nome dela ou utilizem seu nome para se eximir de qualquer culpa que possam ter em seus assassinato. Continuaremos batalhando por uma investigação independente, sem interferência de Bolsonaro e sua família e qualquer ator político do regime. Por justiça, tirem a mão de Marielle Franco!




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