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CPI DA MERENDA

Após recesso, CPI da Merenda aprova plano de trabalho, mas sem convocar Capez

A CPI investiga contratos da cooperativa de agricultores Coaf com o governo do estado, além de 21 prefeituras. Fernando Capez, presidente da ALESP pelo PSDB, principal nome acusado de envolvimento com o caso, nem se quer foi citado.

sexta-feira 5 de agosto| Edição do dia

Após a luta dos estudantes secundaristas, que ocuparam colégios estaduais, ETECs e até mesmo a ALESP, em denúncia à máfia da merenda que os deixou até hoje sem alimento nas escolas, foi aberta no dia 30 de maio na Assembleia Legislativa de São Paulo a CPI da Merenda. A investigação mal deu seus primeiros passos e foi suspensa por conta do recesso parlamentar. Agora com o retorno das atividades, a primeira reunião da CPI aprovou um plano de trabalho da comissão, que convocará ou convidará 16 nomes a prestarem depoimento (7 convocações e 9 convites).

Porém, um dos grandes nomes acusados de envolvimento com o esquema de fraude ou facilitação de licitações para beneficiar a cooperativa de alimentos Coaf (Cooperativa Orgânica Agrícola Familiar), através do desvio de dinheiro público e pagamento do propina, o presidente da ALESP Fernando Capez, do PSDB, e seus assessores acusados, não apareceram nessa lista. Além dele, outros cinco nomes de deputados da base do governo acusados de envolvimento também não constavam na lista, o que gerou protesto de setores de oposição ao governo na reunião.

Capez é acusado por dois delatores da Operação Alba Branca de ter recebido propina em contratos com a Coaf. Ex-dirigentes da Coaf já admitiram ter superfaturado suco de laranja vendido para a Secretaria Estadual da Educação e ter pagado propina a agentes públicos durante a campanha eleitoral de 2014, quando Capez foi eleito deputado estadual. O lobista identificado pela polícia como principal elo entre a Coaf e políticos e funcionários do estado, citou, em delação premiada, o nome de Capez no esquema.

Dessa primeira reunião, quatro nomes foram elencados para prestar os primeiros depoimentos da CPI, que ocorrerá na próxima terça-feira (9), que são: os delegados José Eduardo Vasconcelos, Paulo Roberto Montelli e Mário José Gonçalves, responsáveis pelo início das investigações em Bebedouro (SP) que culminaram na operação Alba Branca, deflagrada em janeiro, como também o administrador da Coaf, João Roberto Fossaluzza Junior. Além desses, e o corregedor-geral, Ivan Francisco Pereira Agostinho, já listado anteriormente no plano de trabalho, também será ouvido nessa data.

Dos nove deputados que formam a CPI, oito são da base de Alckmin. São eles: Barros Munhoz (PSDB), o presidente da CPI, Marcos Zerbini (PSDB), Estevam Galvão (DEM), Adilson Rossi (PSB), Jorge Caruso (PMDB), Gilmaci Santos (PRB), Coronel Camilo (PSD) e Delegado Olim (PP). Somente Alencar Santana Braga (PT) é da oposição. Não é de se surpreender porque esses nomes da base de Alckmin foram poupados pela comissão.

Não obstante, houve protestos de estudantes secundaristas durante a reunião. A merenda prometida pelo governador Geraldo Alckmin, não foi entregue nesse segundo semestre, que segue servindo apenas a “merenda seca”, que consta apenas uma bolacha, um achocolatado e um bolinho, e não uma refeição completa.

Deputados de oposição disseram temer que a comissão da CPI, composta majoritariamente por setores ligados a Alckmin, seja “chapa branca”, investigando apenas as prefeituras para poder blindar o governo do estado. Essa primeira reunião dá sinais de que esse será o destino da CPI, favorecendo os principais acusados, que são da base aliada tucana. Os estudantes cantavam palavras de ordem como "Se a CPI não der em nada, a Alesp vai ser ocupada".




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