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Após ironizar cinco mil mortos, Bolsonaro afirma: "Não vão botar no meu colo essa conta"

O mesmo presidente que chamou o coronavírus de gripezinha afirmou que não tem nenhuma culpa: "Não vão botar no meu colo uma conta que não é minha".

quarta-feira 29 de abril| Edição do dia

Imagem: Jorge William/ O Globo

O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quarta-feira, 29, que o governo federal fez "tudo que é possível ser feito" para conter a crise causada pela pandemia do coronavírus e que não pode ser responsabilizado pelas mais de 5 mil mortes no País. "Não vão botar no meu colo uma conta que não é minha", afirmou ao presidente ao deixar o Palácio da Alvorada. Segundo o presidente, governadores e prefeitos que adotaram medidas de isolamento social é que devem ser cobrados.

"A imprensa tem que perguntar para o (João) Dória por que mais pessoas estão perdendo a vida em São Paulo", disse Bolsonaro, destacando que o governo federal fez sua parte ao liberar recursos para a Saúde e destinar um benefício de R$ 600 a trabalhadores informais. "Não adianta a imprensa querer colocar na minha conta essas questões que não cabe a mim", disse. "O Supremo (Tribunal Federal) decidiu que quem decide essas questões (sobre restrição) são governadores e prefeitos."

Na posse de Nelson Teich com ministro da Saúde, em 17 de abril, Bolsonaro disse que sabia dos riscos de defender a abertura do comércio. "Essa briga de começar a abrir para o comércio é um risco que eu corro. Se agravar (a doença) vem ao meu colo. Agora, o que acredito, que muita gente está tendo consciência que tem de abrir", afirmou na ocasião.

Nesta quarta, rodeado por parlamentares do PSL, com os quais se reuniu mais cedo, o presidente acusou a imprensa de "mentir" ao dar destaque a uma declaração dele na véspera, quando respondeu com um "e daí?" ao ser questionado sobre o número de mortes pela covid-19 no País. Ontem o Brasil ultrapassou a quantidade registrada na China, onde a doença surgiu.

Questionado por um repórter em frente ao Palácio da Alvorada nesta terça feira (28), sobre o número oficial de mortes divulgado ter ultrapassado 5.000 pessoas, Bolsonaro ironizou dizendo que nada pode ser feito enquanto morremos aos milhares sem testes e sem leitos de UTI.

"E daí? Lamento. Quer que eu faça o quê? Eu sou Messias, mas não faço milagre". A mesma ironia em referência ao seu nome já havia sido feita em setembro de 2018, quando o Museu Nacional, no Rio, foi destruído por um incêndio. "Já está feito, já pegou fogo, quer que faça o quê? O meu nome é Messias, mas eu não tenho como fazer milagre", disse na ocasião, ainda durante a campanha eleitoral. O nome completo do presidente é Jair Messias Bolsonaro.

A frase absurda de Bolsonaro mostra a cara de pau da política dessa extrema direita em se colocar a todo momento no polo do negacionismo, afirmando se tratar de “apenas uma gripezinha” enquanto os trabalhadores e os setores mais pobres e precarizados do país, especialmente os negros, estão vendo seus familiares morrerem sem poderem fazer nada, sem saberem a causa exata e sequer terem direito à velório.

Nesta terça, 28, após questionar e ser informado que as TVs estavam gravando a declaração, Bolsonaro lamentou as mortes e disse que se solidarizava com as pessoas que perderam familiares por conta da doença. "É a vida. Amanhã vou eu", completou.

Hoje, ele afirmou que suas declarações de ontem foram tiradas do contexto. "Você mentiu", disse a um jornalista que o questionou se ele negava o que havia dito ontem. "Lamento as mortes profundamente. Sabia que iam acontecer. Mas eu desde o começo me preocupei com vida e emprego, porque desemprego também mata. Então, essa conta, tem que ser perguntada para os governadores", afirmou Bolsonaro.

O presidente ainda disse que foi "achincalhado" nas vezes que citou a preocupação com a economia, mas que a "segundo onda" do desemprego provocará uma "recessão gravíssima".

"O que estou fazendo é sugerir ao Ministério da Saúde medidas para a gente voltar rapidamente, tá? Com responsabilidade, (voltar) a uma normalidade. Como disse um parlamentar aqui, os países que adotaram o isolamento horizontal foi onde mais faleceram gente", disse.

Bolsonaro joga a culpa para os prefeitos e governadores, como se não tivesse nada a ver com a história. Ainda que sim esses tenham suas responsabilidades, se trata do presidente da república querendo se eximir da culpa pela carência de EPI´s nos hospitais, pessoal qualificado, respiradores e leitos e do colapso da saúde nos estados, sendo a União o ente que mais concentra poder e dinheiro do SUS.

Sistemas de saúde por todo país começam a colapsar e casos grotescos como as valas comuns que vimos em Manaus, ou toda “elegância” de Doria e Witzel que preferem encomendar enormes frigoríficos para não desgastar sua imagem, são cada vez mais frequentes. Não bastasse isso a ampla maioria dos governadores tem adotado um discurso de que estamos lidando bem com a pandemia, que o pior está passando e devemos reabrir gradualmente o comércio e flexibilizar as quarentenas para salvar a economia!

Mais uma vez fica claro que independente do setor dos grandes capitalistas, verdadeiros parasitas que lucram com nossas mortes, que tenta se colocar como melhor gestor da pandemia – seja os militares que com sua mão de ferro sustentam o bolsonarismo cruel, seja os governadores com o congresso e o STF – seremos nós a sair perdendo sempre. Está mais do que na hora de apresentarmos uma alternativa independente que defenda os trabalhadores, a juventude e conjunto dos setores oprimidos em meio a pandemia.

Por isso nós, do Esquerda Diário e do MRT, temos levantado a necessidade dos setores que se reivindicam socialistas à defender uma política correta de Fora Bolsonaro e Mourão! e que chame a construção de um ato classista e independente como fizeram a CSP-Conlutas e a Intersindical. Reforçarmos esse chamado pela construção de um polo com independência de classe nesse momento!




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