Educação

MEC

Após descaso do governo com notas do Enem, secretário de Ensino Superior deixa o MEC

Arnaldo Lima Junior pediu demissão nesta quinta-feira, 30, logo após descaso do governo com os erros nas notas do Enem de mais de 170 mil jovens.

sexta-feira 31 de janeiro| Edição do dia

O Secretário de Educação Superior do Ministério da Educação (MEC), Arnaldo Lima Junior, pediu demissão nesta quinta-feira, 30, em meio a uma das maiores crises da pasta, causada por erros na divulgação de notas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e falhas no Sistema de Seleção Unificada (Sisu) que mostrou o descaso do governo com o sonho de mais de 170 mil jovens.

Embora a prova seja de responsabilidade de outro órgão do MEC, o sistema, usado para o ingresso em universidades públicas, era de responsabilidade de Lima. Um dos principais auxiliares do ministro da Educação, Abraham Weintraub, o secretário comunicou seu desligamento alegando motivos pessoais. Ele nega que sua demissão tenha sido causado por problemas com o Sisu.

Em carta, Lima diz que nunca deixou de "ousar" ao exercer seu trabalho na pasta e que não fez nada "sozinho". Afirma ainda ter contado com apoio de Weintraub nos nove meses em que ficou no cargo. Lima foi responsável pelo desenho do Future-se, que tem o objetivo de captar recursos privados para universidades federais. Principal bandeira de Weintraub para essas instituições, o programa contou com o rechaço de centenas de estudantes em todo o país e foi alvo de críticas de reitores. Apresentado em julho, o Future-se terminou a fase de consulta pública na semana passada e ainda precisa de aval do Congresso.

Pode te interessar: Future-se: veja o caminho de Weintraub para destruir as universidades

A divulgação da lista de aprovados na 1.ª chamada do Sisu chegou a ser impedida pela Justiça após o MEC admitir erros na correção de algumas provas do Enem. Após o Superior Tribunal de Justiça (STJ) liberar a divulgação dos resultados, participantes do exame relataram problemas na lista de espera. Procurado, o MEC cinicamente disse que o sistema funcionava normalmente.

Outro problema relatado foi o vazamento de uma lista "não oficial" no site do Sisu na terça-feira, antes de a divulgação ser liberada pelo STJ. Apesar da proibição judicial, o ministério confirmou que uma lista que "não representava o resultado oficial" ficou disponível e pôde ser vista "por alguns minutos". Ou seja, brincou com o sentimento de milhares de jovens que além de terem a nota corrigida com erros também tiveram contato com uma lista de aprovação que não era oficial.

Em meio à demissão de Lima, os jovens continuam reféns das atitudes do MEC, que já se mostrou indiferente ao sofrimento dos milhares de estudantes que tiveram sua prova mal corrigida. Não é novidade que esse problema com as notas do Enem é responsabilidade do governo Bolsonaro e, em especial, do ministro da educação Abraham Weintraub, que desde o ano passado defende uma política privatista para as universidades, como é o Future-se, que busca elitizá-las cada vez mais.

Veja mais: O que os erros do ENEM revelam sobre o projeto de Bolsonaro para a educação?

Frente a isso, somente a força dos estudantes organizados pode ser capaz de dar uma resposta contundente para regularizar a situação de todos aqueles que foram prejudicados e tirar de uma vez por todas Weintraub do Ministério da Educação, sabendo que a saída do ministro não é a solução para nossos problemas, já que são parte de uma política do governo que se estende para além de sua atuação, mas frente a tamanho desrespeito é necessária sua saída.

Pode te interessar: A crise do Enem mostra: toda a juventude deve ter direito a estudar, sem pagar

O texto contém informações da Agência Estado.




Tópicos relacionados

Abraham Weintraub   /    Weintraub   /    MEC   /    ENEM   /    Educação

Comentários

Comentar