Educação

ABSURDO

Após demitir milhares de terceirizados, Doria anuncia volta as aulas presenciais

Após demitir trabalhadoras terceirizadas em meio à pandemia, sendo muitas delas responsáveis pela limpeza das escolas, Doria anuncia hoje o plano que prevê a retomada das atividades escolares. Mesmo contrariando protocolos sanitários ao demitir esse trabalhadores, o governador diz que essa retomada seguirá supostos protocolos de segurança

quarta-feira 24 de junho| Edição do dia

Conforme anunciado hoje (24) o governador João Doria (PSDB) e o seu secretário da educação, Rossieli, pretendem reabrir as escolas a partir do dia 08 de setembro. Com base em um suposto protocolo de segurança, que promete a maior higienização dos espaços, o governador e sua equipe não falam sobre como isso será feito na prática, assim como, não mencionam que foram responsáveis pela demissão de diversas trabalhadoras terceirizadas, muitas delas responsáveis pela limpeza das escolas, serviço esse essencial frente à pandemia.

No começo da pandemia, diversos trabalhadores terceirizados foram demitidos das escolas. Muitos deles eram responsáveis por manter a higienização desse locais e foram obrigados, durante um período, a trabalharem embora não houvesse qualquer atividade escolar. Esse setor da classe trabalhadora, composto majoritariamente por mulheres negras, hoje tem sido um dos mais afetados pela pandemia , sobretudo, pela precarização do trabalho e das condições de vida, pelo desemprego e pela falta de um sistema de saúde não sucateado.

Todos esses elementos que afetam, principalmente, a classe trabalhadora, são resultado da crise sanitária, econômica e social em curso no país. São derivados de um sistema econômico estruturalmente racista, que reserva somente miséria aos trabalhadores e à juventude. Nesse sentido, Doria, que no início da pandemia, se colocava como um setor “racional” frente ao bolsonarismo, mostra, com a sua política de demissão de terceirizados, de retomada da economia e das atividades escolares, que, assim como Bolsonaro, preza exclusivamente pelo lucro dos empresários.

O governador do estado de São Paulo, que fez uma ampla campanha para a eleição do presidente Jair Bolsonaro, mostra como faz demagogia com o discurso científico. Ele ignora o contingente de mortos pela crise, ao mesmo tempo que precariza e demite um setor essencial, inclusive, para o combate à pandemia, tendo em vista os protocolos sanitários. É preciso remarcar, também, que o governador foi linha de frente no processo de sucateamento do sistema de saúde, que em função disso, está sobrecarregado com a chegada do novo coronavírus.

Além da demissão em massa de terceirizadas em meio à pandemia, o que agravou as condições de vida delas, essas trabalhadoras eram obrigadas a trabalhar sob um regime precário de trabalho, com baixos salários. Isso mostra como Doria, assim como Bolsonaro, é responsável pelos catastróficos efeitos sociais da crise, que estão diretamente ligados com a desigualdade social, e que afetam a classe trabalhadora.

Agora, Doria diz que pretende reabrir as escolas e que fará isso a partir de um suposto protocolo de segurança, contudo, sabe-se que na prática esse protocolo será aplicado de forma duvidosa, a partir de uma sobrecarga imensa das trabalhadoras terceirizadas. Nesse marco, fica evidente que a reabertura das escolas, frente o atual contexto, é absurda.

É fundamental a luta pela política de testes massivos para a população e de estatização de todos os leitos sob o controle dos trabalhadores da saúde, o que deve estar combinado com a reconversão industrial para que as demandas da sociedade sejam atendidas. Ao mesmo tempo, é preciso buscar garantir a contratação e a efetivação imediata de todos os trabalhadores terceirizados sem a necessidade de concurso público.




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