SERGIO MORO

Após criticar foro privilegiado, Moro segue calado sobre o caso Fabricio Queiroz

Sérgio Moro, o ex-juiz "celebridade" da Lava-Jato e atual ministro do governo Bolsonaro, permanece calado diante do uso do recurso de foro privilegiado, que ele próprio criticou em abril de 2018, pelo senador Flávio Bolsonaro.

sexta-feira 18 de janeiro| Edição do dia

Sérgio Moro, o ex-juiz "celebridade" da Lava-Jato e atual ministro do governo Bolsonaro, permanece calado diante do uso do recurso de foro privilegiado, que ele próprio criticou em abril de 2018, pelo senador Flávio Bolsonaro no STF. Através deste recurso, o ministro do Supremo Tribunal Federal, Luiz Fux, barrou as investigações no MP-RJ das provas levantadas pelo COAF de movimentações milionárias envolvendo o ex-assessor de Flávio, Fabrício Queiroz.

Não é a primeira vez que Moro segue em silêncio diante de declarações dadas quando assumia a Operação Lava-Jato, quando envolve a família Bolsonaro: o escândalo do caixa 2 das eleições de Jair Bolsonaro passou livre de críticas de Moro, que havia declarado em palestra dada em Harvard, universidade norte-americana, que "caixa 2 era pior que corrupção".

Relembre: Em 2017 Moro afirmou "caixa 2 é pior que corrupção" e hoje, faz vista grossa para Bolsonaro

A nomeação de Moro para o governo Bolsonaro colocou abaixo a máscara propagandeada pela mídia de que a Lava-Jato estava à serviço do combate a corrupção, mostrando que na realidade, foi uma das ferramentas utilizadas para que o judiciário atuasse intervisse na política sob a tutela dos militares. Manipularam as eleições em favor da eleição de Jair Bolsonaro, perseguindo campanhas eleitorais, sequestrando milhões de votos via biometria, logo após prender Lula e negar sua candidatura.

Moro, que na véspera do segundo turno vazou um depoimento de Palocci incriminando Lula, foi agraciado com um cargo com superpoderes no governo prometendo aprofundar seu suposto "combate a corrupção". Frente aos escândalos envolvendo Queiroz, tirou o corpo fora e se calou. Ele que afirmou em 2016 que "jamais entraria para política", volta a se contradizer quando se recusa a comentar o uso do foro privilegiado por parte de Flávio Bolsonaro impedir investigações sobre o caso COAF.

Essa série de contradições escancara completamente a farsa do "combate à corrupção" e deixa muito explícito que essa casta de juízes privilegiados que não foram eleitos por ninguém está longe de atender as demandas da população. Eles trabalham para aprofundar os ataques do golpe institucional contra os trabalhadores (como a reforma da previdência que será votada) enquanto os patrões continuam lucrando com a ajuda do judiciário que julga de acordo com seus interesses.

Para acabar com os privilégios os juízes deveriam ser eleitos, ter mandatos revogáveis e ganhar o mesmo salário que uma professora. Assim, a população poderia impor sua vontade ao invés de deixar as grandes decisões nas mãos de juízes que ganham quase R$ 40 mil em meio a crise.




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