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PIAUÍ

Após cortes do governo Wellington Dias (PT-PI), estudantes da UESPI fazem greve para salvar universidade

Há cerca de dois meses, estudantes e professores da Universidade Estadual do Piauí realizam greve contra a situação que se encontra na universidade que, segundo eles, corre o “risco de morte”.

domingo 19 de maio| Edição do dia

A situação vem se deteriorando há alguns anos, com cursos funcionando com não mais que quatro docentes, sendo 2 deles não efetivos, graves problemas na infraestrutura, com falta de bebedouros e banheiros nos prédios, ausência de vigilantes nos campus. Falta de iluminação, mato alto são algumas expressões da situação.

Ao mesmo tempo, o recém empossado governador Wellington Dias (PT), anunciou uma política de arrocho econômico e uma reforma administrativa que tende a agravar ainda mais a situação, mitigando recursos da universidade em nome do respeito à Lei de Responsabilidade Fiscal e do pagamento da dívida do estado.

Dentre as medidas do governador estão a não previsão de abertura de concurso para docentes, o congelamento dos salários, progressões e promoções funcionais de docentes e servidores. Além disso, houve a suspensão das monitorias remuneradas, bolsa trabalho e auxílio moradia para os estudantes. Há ainda a ameaça de cancelamento de editais de bolsas de pesquisa e extensão.

Centenas de servidores terceirizados de serviços gerais e segurança foram demitidos e amargam três meses de salários atrasados. Um escândalo por parte da política petista no governo do estado, que descarrega a crise nas costas das famílias mais precárias, nos bolsistas, enquanto precariza o trabalho docente.

“Nossos problemas são muitos e são gritantes. São quase 300 disciplinas sem professor neste início de semestre letivo. A falta de estrutura e de recursos materiais e humanos comprometem o funcionamento da instituição. Por isso a garantia, ampliação e o cumprimento integral do orçamento da UESPI são questões fundamentais. Só assim conseguiremos assegurar uma estrutura digna, professores suficientes, o fortalecimento das atividades de ensino, pesquisa e extensão, a ampliação de bolsas estudantis e uma Política de Assistência estudantil decente”, disse a professora Rosângela Assunção, coordenadora geral da Associação dos Docentes da UESPI - ADCESP.

Desde o Esquerda Diário nos solidarizamos com a luta dos estudantes, funcionários e docentes em luta na UESPI e repudiamos a política petista, que administra a crise fazendo valer os “compromissos” com os capitalistas que a inventaram. O mesmo pretexto que Bolsonaro vem se valendo para justificar seu corte de 30% nas universidades federais, assumindo publicamente que o faz para pagar a dívida pública, ao mesmo tempo em que usa do corte como moeda de troca para aprovar a Reforma da Previdência.

Estudantes da UFRN em apoio a luta dos estudantes da UESPI

Diante da enorme força demonstrada pelos mais de 1 milhão de estudantes, funcionários da educação e professores nas ruas do último dia 15, está colocada a tarefa de unificar a luta entre trabalhadores e estudantes contra os cortes a educação e a Reforma da Previdência.

Wellington Dias faz parte do grupo de governadores do Nordeste que se dispuseram a apoiar essa reforma, mediante a retirada de alguns pontos impopulares, mas mantendo as medidas que nos farão trabalhar até morrer. Diante disso, o chamado a mobilização nacional em defesa da educação para o próximo dia 30, convocado pela UNE, precisa ser um dia também de luta contra os cortes de Wellington Dias.

No entanto, A UNE não só não tem prestado sequer solidariedade e apoio a essa luta estudantil na UESPI, como tem chamado o dia 30 por fora da unificação da luta com os trabalhadores contra a Reforma da Previdência de Bolsonaro. Sua política, assim de centrais sindicais como a CUT e CTB, representam os interesses do PT e PCdoB, que ajudaram a eleger Rodrigo Maia à Câmara de Deputados e agora esperam a aprovação da reforma para receberem o auxílio fiscal aos seus estados.

É fundamental que em cada universidade, instituto federal, e escola, se discuta um chamado às centrais sindicais e a UNE para que se adiante o dia de paralisação nacional marcado apenas para o dia 14/06 para o próximo dia 30, unificando a luta contra os cortes a reforma. É urgente que sejam construídas verdadeiras assembleias em cada local de trabalho e estudo para organizar a unidade entre a juventude e os trabalhadores de todo país, atacando o coração do governo Bolsonaro, que é a Reforma da Previdência, contra qualquer chantagem que ele possa fazer para nos dividir.

É parte das discussões do Esquerda Diário em cada assembleia que batalhemos contra que seja mais uma vez a juventude e os trabalhadores a pagarem a crise dos capitalistas, em nome de saudar a dívida pública, que condiciona os orçamentos federais e estaduais às necessidades dos banqueiros estrangeiros e empresários, num verdadeiro mecanismo de subordinação estrutural que impede que as riquezas nacionais sejam utilizadas para melhorar os serviços públicos.




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