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Após censurar conteúdos, Bolsonaro cancela edital com séries de temas LGBT

quarta-feira 21 de agosto| Edição do dia

Imagem: (Arquivo/Agência Brasil)

Após Bolsonaro dizer que vai impor censura ideológica ou acabar com a Ancine (Agencia Nacional de Cinema), seu governo volta atacar, hoje (21/08), o direito a arte através da suspensão do edital que havia selecionado séries de temática LGBTs para TV aberta. Quem assinou essa abjeta portaria foi o capacho bolsonarista Osmar Terra, ministro da Cidadania. Publicada no Diário Oficial, a decisão é de que o edital estará suspenso por 180 dias podendo assim permanecer por mais 180. Já vimos este filme, com a lei de fomento ao teatro na cidade de São Paulo, por exemplo, como já relatamos aqui.

O presidente já havia criticado na semana passada, no dia 15 de agosto, algumas produções pré-aprovadas, sendo todas da mesma temática. O governo censurou projetos, e como sempre, desprovido de quaisquer argumentos minimamente críveis, deixou claro que a Ancine (Agência Nacional do Cinema) estará também a serviço de ser órgão de propaganda da ideologia burguesa e da extrema direita e que não serão mais liberadas verbas para produções com temas LGBT: "Conseguimos abortar essa missão", comentou Bolsonaro na ocasião.

Assinado pelo ministro da cidadania, Osmar Terra, a portaria suspende o edital por 180 dias, com possibilidade de prorrogação por mais 180 dias. Suspensa dada, dias depois do presidente afirmar que não vai permitir que a ANCINE libere verbas para algumas produções com temas LGBT que tentarem captar recursos. "Fomos garimpar na Ancine, filmes que estavam já prontos para ser captado recursos no mercado. É um dinheiro jogado fora. Não tem cabimento fazer um filme com esse tema” disse em uma transmissão no Facebook.

Tentando mascarar a inegável censura, a publicação diz que houve "necessidade de recompor os membros do Comitê Gestor do Fundo Setorial do Audiovisual - CGFSA" e segue: "Após a recomposição do CGFSA, fica determinada a revisão dos critérios e diretrizes para a aplicação dos recursos do FSA, bem como que sejam avaliados os critérios de apresentação de propostas de projetos, os parâmetros de julgamento e os limites de valor de apoio para cada linha de ação". Nada além da legitimação de que esteja nas mãos do governo o que será veiculado ou não.

Em julho, o presidente assinou um decreto que transfere o Conselho Superior do Cinema, responsável pela formulação da política nacional de audiovisual, do Ministério da Cidadania para a Casa Civil atacando diretamente o acesso à arte e à cultura.

Nada a esperar de um governo que tem como ministra a Damares, que diz que há uma ideologia de gênero por trás do filme infantil “frozen” ou do desenho animado como o “Bob-esponja” e um presidente que vê que uma “degeneração moral” em qualquer obra que não reproduza seus valores homofóbicos, racistas e machistas.

Essa é mais uma investida ideológica contra quem se coloca contra as ideias conservadoras. É mais um degrau que a extrema direita sobe rumo a propagação desenfreada de sua ideologia, usando órgãos que deveriam ser livres para difundir e fomentar a cultura, o pensamento crítico, as manifestações e linguagens artísticas livremente. Por isso dizemos: Tirem as mãos sujas da cultura e da arte!

Não basta censurar. Tem que colocar a arte na prateleira do capitalismo!

Obviamente não surpreende que para Bolsonaro as linguagens artísticas sejam códigos de barras prontos para consumo e lucro de empresários e grandes marcas. Portanto, quando afirma: "É um dinheiro jogado fora. Não tem cabimento fazer um filme com esse tema," chove no molhado. E deixa evidente que como peças de seu projeto servil ao capitalismo e ao imperialismo, até mesmo a arte e a cultura são úteis quando são mercadorias.

Veja um pouco mais sobre as séries censuradas:

"Afronte", "Transversais", "Religare Queer" e "O sexo reverso" são os projetos de séries que foram "abortadas", como vociferou Bolsonaro.

’Transversais’

’Sonhos e realizações de cinco pessoas transgêneros que moram no Ceará’. Émerson Maranhão, contou ao G1 que a produção foi inscrita no edital na categoria diversidade de gênero. Será um documentário em cinco episódios, baseado no curta-metragem "Aqueles dois", de 2018. Émerson explica:
"Na prática são cinco documentários. Cada capítulo vai contar a história de uma pessoa, de diversas origens sociais". E declara ainda que embora sem a aprovação via edital, realizará a série.

’Afronte’

Também ao G1, Bruno Victor, conta que a produção tem uma história parecida com a de "Transversais" e tem em comum também o fato de ser também baseada em produção anterior. Trata-se de um trabalho de conclusão de curso de Victor com Marcus Azevedo diretores da produção. No enredo, que se desenrola em cinco capítulos, será relatada a vida de LGBTS do DF, sendo o processo de pesquisa uma interessante mistura de linguagens, já que como descreveu Victor: "Às vezes pegamos essas histórias reais e ficcionamos" .

’O sexo reverso’

Uma série, que tem como foco a expansão da troca de experiências a partir da pesquisa da antropóloga Bárbara Arisi, que em visita a tribo dos Matis, no Amazonas, foi surpreendida ao participar de uma pesquisa dos próprios indígenas sobre as práticas sexuais dos brancos. Segundo o produtor Maurício Macêdo a tribo seria envolvida diretamente na produção, tanto na equipe que filma, quando na que edita. "O último episódio seria com a tribo vendo e comentando os episódios anteriores e a experiência toda."

’Religare Queer’

Projeto não tem informações disponíveis assim como os outros; mas documento aponta que é idealizado pela empresa Válvula Produções, que já produziu filmes sobre a quadrinista Laerte e a cantora Linn da Quebrada.




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