XENOFOBIA

Após ataque xenófobo, indígenas venezuelanos decidem deixar o país

A crise de imigração no Brasil e as crescentes manifestações de xenofobia expressam o descaso do governo golpista em lidar com seres humanos em situações muitas vezes degradantes quando atravessam a fronteira.

quinta-feira 23 de agosto| Edição do dia

Indígenas venezuelanos Warao que viviam no abrigo público de Pacaraima, na fronteira, saíram do local nesta terça-feira (21) e voltaram para a Venezuela. Dois ônibus com 25 pessoas deixaram o lugar no início da tarde.

O retorno se deu devido ao episódio do dia 18 onde brasileiros atacaram os imigrantes venezuelanos. O abrigo onde estavam é chamado Janokoida e abriga cerca de 400 pessoas, todos esse indígenas venezuelanos. O retorno foi realizado em ônibus do próprio governo venezuelano e é o primeiro caso de retirada da fronteira após o ataque.

Desde o sábado que não chegam mais Warao no abrigo, segundo o representante deles, o venezuelano Narciso Zapata. O medo, segundo ele, é o principal motivo de ninguém mais procurar vaga para viver no abrigo. Inclusive famílias que estavam abrigadas há 6 meses no local decidiram retornar para seu país de origem, não por encontrarem melhores condições de vida, mas sim por medo de acabarem se tornando vítimas de agressões, como é o caso da indígena Begônia Garcia, de 25 anos que vivia no abrigo com os filhos e o marido, Antonio Dias. Depois do sábado, Bergônia optou por ir embora do Brasil.

O assalto a um comerciante foi o estopim para o conflito na fronteira. Desde então, foi enviado reforço policial para a região. Nessa segunda (20), 60 agentes da Força Nacional chegaram a cidade para atuar na segurança, o que demonstra que tratar casos de xenofobia, já que as agressões partiram de boatos de que o assalto teria sido cometido por um imigrante, são casos de polícia e não se tem uma política séria de imigração para acolher essas pessoas que largaram toda uma vida em seu país de origem para tentar sobreviver de forma menos penosa no Brasil.

Já há um pedido do governo do Estado para que se feche a fronteira, algo inclusive inconstitucional, e que mesmo assim parece ser declarado como opção para a própria a Secretaria de Governo de forma “temporária”.

É necessário uma política séria para superar a crise tanto na Venezuela quanto no Brasil, e sua expressão nas imigrações cada vez mais recorrentes, reforçadas por uma política reacionária no cenário nacional com o avanço dos ataques aos trabalhadores, fazem estourar manifestações de xenofobia que devem ser combatidas a todo e qualquer custo.

Não podemos ser nós, trabalhadores e povo pobre, a carregar o peso da crise em nossas costas enquanto os banqueiros lucram com a crise e o pagamento da dívida pública, que rouba todo ano cerca de 1 trilhão dos cofres públicos.
A necessidade de defender o não pagamento da dívida e a reversão desse orçamento para investimento em infraestrutura e melhoria nas condições de vida e geração de empregos é urgente, e assim atender às necessidades da população local e também às necessidades colocadas com a chegada dos imigrantes.




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