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SÍRIA

Após ataque dos Estados Unidos, Rússia e Irã declaram apoio ao regime sírio

No domingo, Rússia e Irã afirmaram que os EUA atacaram a soberania do povo sírio e que "estão preparados para responder a qualquer agressão".

terça-feira 11 de abril de 2017| Edição do dia

A Síria recebeu este domingo o apoio de seus aliados, Rússia e Irã, que se colocaram contra a "agressão dos EUA" contra o país árabe, após o ataque norte-americano contra uma base aérea no território sírio.

"Estamos preparados para responder a qualquer agressão ou transgressão das linhas vermelhas por qualquer parte, os Estados Unidos conhecem as nossas capacidades de resposta", advertiu a Sala de Operações Conjuntas da Rússia e Irã e das Forças Aliadas na Síria, em um comunicado.

Na nota publicada pelo site do jornal do governo sírio Tishrin considera-se que a ação dos EUA suplanta e ataca a “soberania do povo e do Estado da Síria”, e recorda que este país está há seis anos lutando contra o terrorismo em nome do resto do mundo. O comunicado da sala de operação acrescenta que "a agressão dos EUA não vai dissuadir os aliados que lutam contra o terrorismo e o eliminam."

"Ambos os lados enfatizaram a inaceitabilidade de ações agressivas dos EUA contra um Estado soberano e contra o direito internacional. Se pronunciaram por uma investigação objetiva e imparcial sobre o incidente com armas químicas no último 4 de abril na província de Idleb", diz um comunicado do Kremlin.

Além disso, houve uma conversa telefônica entre Al Assad e o líder iraniano Hasan Rowhaní, em que o presidente sírio disse que Washington falhou em seu objetivo de elevar a moral dos "grupos terroristas que apoia diante das vitórias alcançadas pelo Exército árabe Síria”, segundo um comunicado da presidência.

Por sua parte, Rowhani ressaltou que o Irã permanece junto ao Estado sírio na guerra contra o terrorismo e nos esforços para encontrar uma solução política para o conflito. Bagheri também falou sobre o ataque norte-americano à base de Shayrat, e destacou que o ato viola o direito internacional e duvidou da veracidade do "incidente" de Jan Shijun, qualificando-o de "conspiração" contra a Síria, informou a agência de notícias oficial SANA.

Na sexta-feira, o Comando do Exército sírio afirmou que o ataque causou a morte de seis pessoas, deixou dezenas de feridos e "enormes perdas materiais"; enquanto a SANA informou a morte de nove civis em aldeias vizinhas. Segunda-feira, Rex Tillerson, Secretário de Estado norte-americano, disse que o seu país vai enfrentar qualquer um que cometa crimes contra a humanidade. "Nós nos comprometemos a responsabilizar qualquer um que cometa crimes contra inocentes em qualquer parte do mundo", enfatizou Tillerson aos repórteres na Itália.

Na madrugada de sexta-feira, os EUA atacaram, com 59 mísseis de cruzeiro, Tomahawk, a base em Shayrat, de onde supostamente foi lançado o ataque aéreo com armas químicas contra Jan Shijun, que deixou pelo menos 87 pessoas mortas, de acordo com dados do Observatório Sírio lançado Direitos humanos.

A oposição à Al Assad acusou aviões governamentais de terem realizado o bombardeio contra Jan Shijun, sob o controle de grupos armados, enquanto o governo de Damasco negou e afirmou que sua força aérea teve como alvo um "armazém terrorista", onde eram guardadas substâncias químicas.

Tanto o ataque químico realizado pelo regime sírio, como a resposta de Donald Trump bombardeando uma base aérea marcam uma mudança na guerra civil na Síria que, até agora, vinha avançando, com Al Assad recuperando cidades controladas até recentemente pelas cidades rebeldes. A enorme crise que se abriu na semana passada, seguida pela primeira intervenção direta dos Estados Unidos na administração Trump, abre uma nova situação que hoje é difícil dizer até onde chegará, incluindo a ligação entre Trump e Putin.




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