Sociedade

DORIA E A "RAÇÃO PARA POBRES"

Após amplo rechaço popular, Doria adia o uso da "ração humana" na merenda escolar

Após afirmar que o produto já estaria nas escolas ainda este mês, ontem (19/10) em encontro para receber título de cidadão goiano na Assembleia Legislativa de Goiânia, Doria declarou que já não sabe se a farinata será incluída nas merendas, mas que vai buscar as autorizações necessárias e que “se precisar de um pouco mais de tempo", não há problema, pois alegou não ter pressa, "precisamos ter eficiência”.

sexta-feira 20 de outubro| Edição do dia

Imagem: Ato contra racionamento da merenda ocorrido em agosto deste ano.

O anúncio de João Doria de que utilizará a “ração humana” para distribuir para os pobres e nas merendas escolares tem gerado muita revolta e questionamentos por parte da população, professores, e até de Conselhos de Nutricionistas e do próprio Ministério Público.

Primeiro o prefeito afirmou que a ração seria inserida gradualmente nas merendas escolares já neste mês, agora diz que não há pressa para inserir o produto à base de restos.

João Doria anunciou o produto como “abençoado”, como se fosse a solução mágica para o combate à fome e à desnutrição na cidade e até no Brasil. Segundo o prefeito, a ração “é o suficiente para alimentar uma criança em um dia” e diz que o alimento é “absolutamente completo em qualidades proteicas e vitamínicas”.

Não é o que avaliam especialistas em alimentação e o que pensa população, que inclusive realizou manifestação em repúdio na noite de ontem, e registram diversas declarações sobre o absurdo na Secretaria de Educação.

Para que haja a introdução de algum novo alimento nas merendas escolares, a Secretaria da Educação, por meio da Codae (Coordenadoria de Alimentação Escolar) deve realizar a escolha dos alimentos e submeter a testes de aceitabilidade dos produtos através de análise nutricional e com os próprios alunos, conforme estabelece o PNAE (Plano Nacional de Alimentação Escolar). No entanto, mesmo que Doria e a empresa fornecedora da farinha afirmem com total certeza que o produto possui todos os nutrientes necessários, nenhuma dessas informações ainda foram comprovadas ou sequer são passiveis de ser comprovadas, sendo que o Conselho Regional de Nutrição, o Conselho Nacional de Segurança Alimentar se manifestaram contrariamente ao produto e o Ministério Público do Estado, solicitou esclarecimento do prefeito e vai submeter a farinha à perícia.

Após afirmar que o produto já estaria nas escolas ainda este mês, ontem (19/10) em encontro para receber título de cidadão goiano na Assembleia Legislativa de Goiânia, Doria declarou que já não sabe se a farinata será incluída nas merendas, mas que vai buscar as autorizações necessárias e que “se precisar de um pouco mais de tempo", não há problema, pois alegou não ter pressa, "precisamos ter eficiência”. Em nota, a Assessoria de Imprensa da Prefeitura de São Paulo afirmou que em "eventual" distribuição do composto, vai dar prioridade para as famílias com maior vulnerabilidade social.

Não há qualquer garantia do processo de produção e nem da qualidade nutricional, sendo que o próprio Conselho Nacional de Segurança Alimentar se colocou veemente contra a distribuição desses supostos alimentos. A eficiência defendida por Dória é na verdade a mesma que as empresas fornecedoras estão interessadas: a redução de qualquer custo na produção e na comercialização dos produtos, até com aqueles alimentos que seriam jogados no lixo. Essas empresas receberiam incentivos econômicos para participar do programa, isenções de impostos e custos com descarte dos alimentos barateados.

O combate à fome de Dória é mais uma de suas demagogias para beneficiar seus amigos empresários, às custas da saúde e da vida da população.




Tópicos relacionados

Racionamento da merenda   /    João Doria   /    Sociedade

Comentários

Comentar