Mundo Operário

FÁBRICA OCUPADA

Após a Mabe, Mardel é a segunda fábrica ocupada em defesa dos empregos

Os trabalhadores da metalúrgica Mardel, de Ribeirão Pires no ABC Paulista entraram em greve na última quarta-feira (09) e ocuparam a fábrica na luta pela manutenção dos 250 postos de trabalho e para manter a produção.

sábado 12 de março de 2016| Edição do dia

Essa é a segunda fábrica ocupada como resposta a tentativa patronal de fechamento da planta e demissão massiva dos trabalhadores, a primeira foi a exemplo da fábrica Mabe de Campinas e Hortolandia.

A Mardel existe há 40 anos no bairro Barro Brando e fornece peças para fabricantes de veículos da região do ABC, foi vendida em dezembro de 2015 para o Grupo Prevent, que anunciou o fechamento da planta de Ribeirão Pires na última semana. A justificativa patronal da transferência do maquinário para produzir no Interior do Estado, é que já tem uma planta e a mão-de-obra é mais barata. Ou seja, para o grupo Prevent, o lucro patronal está acima das 250 famílias que ficarão nas ruas com o fechamento da planta de Ribeirão Pires.

Medidas autoritárias para tentar impedir a resistência operária

A empresa jogou baixo no tratamento dado aos trabalhadores, ao retirar os ônibus, tentar travar a entrada, suspender o almoço na fábrica, além de espalhar mentiras sobre a existência de uma proposta negociada, sendo que a única conversa existente teria sido justamente sobre transferência do maquinário. Mesmo assim, os trabalhadores seguem ocupados impedindo o fechamento da fábrica e os ataques patronais, uma expressão da disposição de luta para enfrentar os ajustes e as manobras patronais.

Tais ocupações são exemplos de resistência frente a um cenário de desemprego, inflação, ataques a direitos trabalhistas como aposentadoria e seguro desemprego, enquanto os grandes partidos da ordem disputam quem vai continuar a aplicar esses ajustes e ataques, um cenário no qual a direção dos sindicatos vem vacilando na defesa de nossos direitos, criando “soluções” frente a crise como suspensão de contratos (Lay off), redução de salários (PPE), transferências para locais onde a exploração dos trabalhadores consegue ser ainda maior, pelo menor custo de mão-de-obra.

Maíra Machado, diretora da APEOESP (Sindicato dos Professores Estaduais de São Paulo) e militante do MRT declarou: "É muito importante o exemplo da ocupação da Mardel e da Mabe de Campinas e Hortolândia - nestas duas últimas as plantas possuem trabalhadores com doenças ocupacionais, endividados, sem indenização, sem convênio médico, sem décimo terceiro e 2 meses de salário - como forma de resistência dos trabalhadores. Pois apontam que é possível colocar de pé a partir destas lutas um movimento nacional contra os ajustes e a impunidade. Que possa colocar os trabalhadores como sujeito político nacional para lutar contra o cruel ajuste descarregado nas costas do povo trabalhador do governo Dilma e também não esperarmos da Lava-Jato, da justiça e da polícia uma resposta a impunidade que atinge todos os partidos da ordem, de um esquema de corrupção já estrutural na política burguesa".




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