Após Marchezan decretar retorno as aulas 77 casos de COVID-19 são registrados nas escolas

Para garantir que os pais possam ir trabalhar, PSDB leva à frente política de reabertura das escolas para que pais possam deixar seus filhos em algum lugar, mesmo que isso coloque a vida das crianças e dos professores em risco. Com isso, prefeitura contabilizou 15 infecções na última semana, mas nenhuma em instituições de Ensino Fundamental, que voltaram na segunda-feira passada.

sábado 24 de outubro| Edição do dia

Desde que começaram a receber alunos em regime de plantão há cerca de um mês, escolas municipais de Porto Alegre confirmaram 77 casos de coronavírus, sendo cinco em crianças, segundo levantamento da Secretaria Municipal de Educação (Smed) obtido por GZH nesta sexta-feira (23).

Na semana em que as aulas presenciais do Ensino Fundamental municipal voltaram (o que ocorreu na última segunda-feira), foram 15 casos registrados em escolas que estão funcionando normalmente e oito infecções em instituições que operam em regime de plantão (abertas apenas para receber materiais do governo e distribuir itens didáticos e comida aos alunos).

Contudo, a Smed afirma, por meio de sua assessoria de imprensa, que nenhuma infecção ocorrida na última semana foi registrada em qualquer escola do Fundamental – portanto, a prefeitura entende que, até o momento, a liberação não causou contaminações.

Das 15 infecções dos últimos dias em escolas que abriram, 14 foram em escolas comunitárias (administradas por empresas com dinheiro público e cuja maioria atende a Educação Infantil) e uma contaminação em uma escola de Educação Infantil.

Professores, por outro lado, argumentam que os números são baixos porque a maioria das escolas ainda está fechada, muitos professores se mantêm em greve e a maioria dos pais não levou os filhos às aulas, o que reduz a circulação.

O balanço do Sindicato dos Municipários de Porto Alegre (Simpa), porém, é outro. A entidade aponta que há 25 casos confirmados de coronavírus desde o início do regime de plantão e 20 suspeitos aguardando resultado.

Servidores filiados à entidade estão em greve desde o início da semana, quando as aulas de escolas municipais do Ensino Fundamental de Porto Alegre retornaram.

A volta chegou a ser suspensa na Justiça, mas a prefeitura de Porto Alegre recorreu e as atividades presenciais estão mantidas. O Simpa recorreu a seguir para solicitar novamente a suspensão das aulas, mas a Justiça decidiu mais uma vez, na tarde desta sexta-feira (23), manter as aulas presenciais.

O argumento do Simpa é de que o governo não oferece as condições de segurança para o retorno das atividades presenciais. A entidade afirma que 83 escolas municipais de Porto Alegre encaminharam documento à Smed relatando que não têm condições de voltar às aulas.

A diretora do Simpa Márcia Loguercio argumenta que a estrutura das escolas municipais inviabiliza que as aulas presenciais sejam seguras. Ela cita limitações estruturais, como janelas basculantes emperradas, o que impede que o ambiente seja arejado. Na Escola Nossa Senhora do Carmo, na Restinga, ela diz que não há água há um mês.

— Das 30 escolas que visitei para fazer verificação, nenhuma delas tem condição de arejamento natural. Em muitas escolas, ter isso significa quebrar parede e abrir janela. Se tivéssemos um COE (Comitê Operativo de Emergência) municipal que verificasse os planos de emergência em todas as escolas e visitasse todas as escolas para averiguar, mas não, isso está a nosso cargo. Não é possível que professores sejam responsáveis por avaliação técnica, não somos da saúde nem engenheiros. Temos 83 escolas sem condições de abrir com segurança — afirma Loguercio.

Por fim, cabe ressaltar que esta medida de reabertura das escolas em um período ainda sem vacinas está a serviço de permitir que os pais possam deixar seus filhos em algum lugar para ir trabalhar, mesmo que isso signifique colocar a vida das crianças em risco. Tal política quer ser levada adiante por Nelson Marchezan (PSDB) em Porto Alegre e pelo governador do estado, Eduardo Leite (PSDB).

Fonte; GauchaZH




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