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FECHAMENTO DA FORD

Após Ford anunciar fechamento, operários negam chamado para produção de peças

Mesmo tendo anunciado o fim da operação no Brasil, a Ford convocou nesta segunda, 18, os trabalhadores para comparecerem às plantas da montadora para a produção de peças de reposição. O chamado é visto com desconfiança pelos trabalhadores, que estão se negando a retornar.

quinta-feira 21 de janeiro| Edição do dia

Imagem: Sindicato dos Metalúrgicos de Camaçari/BA

O anúncio de fechamento da Ford no Brasil pegou milhares de trabalhadores de surpresa, não só os pouco mais de 5 mil trabalhadores efetivos, mas toda uma cadeia produtiva que envolve efetivos e terceirizados. O impacto pode chegar direta ou indiretamente à vida de mais de 100 mil famílias em todo o país, o que em meio ao aumento da pandemia e da crise só tende a tomar contornos mais graves.

A direção da Ford do Brasil, no entanto, sem se abalar com a responsabilidade de deixar milhares de famílias na rua, convocou nesta segunda, 18, os trabalhadores para a produzirem de peças de reposição, mesmo mantida a decisão pelo encerramento da operação da montadora no país. Com desconfiança, a resposta dos trabalhadores a esta espécie de deboche foi a de cruzar os braços e não atender ao chamado da montadora.

A “Ford deu um tapa na cara” mas a burocracia sindical quer dar a outra face

Ao negarem o chamado da Ford, os trabalhadores expressam uma importante disposição em não aceitar os mandos e desmandos da patronal sobre suas vidas. Segundo Julio Bonfim, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Camaçari/BA, “ninguém voltou porque o que a Ford fez foi um tapa na cara, não negociou nada com a gente e pede para a gente retornar ao trabalho? Não dá”.

As direções sindicais dos metalúrgicos, no entanto, estão seguindo a mesma receita do sindicato do ABC, de apenas ladrar enquanto a caravana dos ataques segue passando. Segundo declaração do sindicato de Camaçari, por exemplo, deixam claro que continuam “em busca de negociação para reverter esse quadro dramático e garantir a manutenção da fábrica e dos postos de trabalho. Mas, diante da insistência da Ford em fechar a unidade, o Sindicato vai também lutar por uma negociação que assegure uma indenização justa aos milhares de pais e mães de família que estão com o emprego em risco.”

Isso mostra que, se depender da burocracia sindical, o episódio do fechamento da Ford em São Bernardo, que só passou com as direções sindicais atuando para anular a disposição de luta no ABC, tende a se repetir nas outras regiões. Essas direções sindicais buscam se apoiar nessa disposição de luta dos trabalhadores apenas na medida em que isso contribua para se localizarem melhor nas negociações que conciliem com os interesses da patronal e não tumultuem a saída da montadora do país.

Diante dessa perspectiva, ainda mais em meio ao agravamento da pandemia que coloca na ordem do dia a necessidade de produzir mais insumos hospitalares, tubos de oxigênio, respiradores e outros equipamentos necessários para os tratamentos de saúde, porque não se coloca também na ordem do dia que os trabalhadores tomem essas plantas da Ford para produzir? Não as peças de reposição que servem para garantir os lucros da Ford mesmo diante de seu fechamento, mas sim para reconverter a produção e produzir o que for necessário para que o SUS possa garantir o combate à pandemia.

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