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GOVERNO BOLSONARO

Após 30M, Bolsonaro se faz de coitado e diz que sofre sabotagens: “já chorei muito”

Bolsonaro, após os massivos atos 30M contra os ataques do governo, afirmou em entrevista para a Revista Veja que sofre sabotagens, pois tem que trabalhar com “ministérios aparelhados e políticos inexperientes”, mesmo com suas inúmeras nomeações para cargos de militares e ministros reacionários.

sexta-feira 31 de maio| Edição do dia

O presidente reacionário tenta convencer a população que existe uma influência da esquerda sobre alguns ministérios, principalmente o da educação, exatamente um dia depois do Ministro que ele mesmo nomeou ter publicado uma nota incentivando a perseguição aos professores e à comunidade escolar que falassem dos atos que aconteceram no 30M contra os ataques do governo.

“É uma luta de poder. Há sabotagens às vezes de onde você nem imagina”, ele afirmou. Depois, disse que o ministério da defesa é outro do qual ele criticou as influências, sob o argumento de que ele teve que colocar os militares nos cargos pois antes eles estavam “aparelhados por civis”.

Na entrevista, também afirmou que não é contra o estudo de Che Guevara nas escolas, contanto que se fale também do torturador coronel Brilhante Ustra, que foi um dos grandes repressores na ditadura militar no Brasil e que Bolsonaro tanto venera.

Com um discurso defensivo, ele disse que existe uma pressão muito grande para governar. “Já passei noites sem dormir, já chorei pra caramba também. Angústia, né? Tá faltando o mínimo de patriotismo para algumas pessoas que decidem o futuro do Brasil. Imaginava que ia ser difícil, mas não tão difícil assim. Essa cadeira é como se fosse criptonita para o Super-homem. Mas é uma missão”, relatou.

Essa declaração de Bolsonaro vem logo após o segundo grande ato contra os cortes na educação. O presidente reacionário elegeu os professores e estudantes como seus inimigos número um e, também, tem como principal prioridade aprovar a absurda reforma da previdência. Para isso, no entanto, é preciso que as alas do governo consigam se articular. E não é novidade que apesar das suas diversas divergências, elas se unem para atacar os trabalhadores e o povo pobre: a prova disso foi a tentativa de pacto que ocorreu durante a semana entre Bolsonaro, o centrão e o STF para aprovar a reforma que vai nos fazer trabalhar até morrer.

Na última quinta-feira, 30 de maio, a juventude mostrou novamente a força e a disposição que tem para seguir uma luta forte ao lado dos trabalhadores contra os ataques à educação e a reforma da previdência. A UNE, no entanto, entidade que deveria representar a vontade dos estudantes no país inteiro, é dirigida pela UJS (juventude do PCdoB) e deixa muito explícito com seu apoio à Rodrigo Maia, um dos principais articuladores da reforma, que estão dispostos a negociar nosso futuro e querem separar as lutas de forma consciente para seguir com esse objetivo. Por isso, é mais que necessário que em todas as universidades no Brasil, que vieram demonstrando mobilização, a base vote nas assembleias delegados para formarem um comando nacional que decida quais vão ser os próximos passos, preparando a juventude para estar ao lado dos trabalhadores no 14J, contra a política divisionista da entidade.

Junto a isso, é preciso que as centrais sindicais, dirigidas principalmente pelo PT (que também veio se propondo a negociar a reforma, política muito explícita com seus governadores do nordeste se propondo a debater “pontos específicos”) e PCdoB, organizem pela base a greve geral do 14J, chamando assembleias em cada local de trabalho. Precisamos tomar a luta em nossas mãos contra todos os ataques à educação e à previdência, com uma profunda aliança dos trabalhadores com a juventude que pode ser explosiva para derrotar Bolsonaro.




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