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CORONAVÍRUS

Apesar do desprezo de Bolsonaro, mais universidades produzem álcool 70%

Enquanto o governo Bolsonaro despreza o conhecimento científico, professores, técnicos, pesquisadores e alunos de diversas universidades agem por iniciativa própria para atenuar os efeitos do coronavírus na população.

quarta-feira 1º de abril| Edição do dia

Foto: CNA/Divulgação

Cerca de 15 pesquisadores da Universidade Estadual do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), diante da falta de álcool 70% no mercado, decidiram fabricar o produto, utilizando insumos já disponíveis no laboratório da universidade, para direcionar o álcool para o Hospital Universitário Pedro Ernesto e à Policlínica Piquet Carneiro. O álcool é fundamental para a limpeza das superfícies, eficiente no combate à transmissão do coronavírus, o eliminando rapidamente dos locais onde se instala.

No entanto, esse não é um exemplo isolado. Desde a semana passada, diversos laboratórios de universidades públicas estão atuando para ajudar na fabricação dos insumos necessários na contenção e precaução do coronavírus. Pesquisadores do Instituto de Ciências Básicas da UFRGS está na linha de produção preparando entre 400 e 500 testes de diagnóstico por dia, um número de produção relativamente alto para apenas um instituto de saúde universitário. Em outra frente, estudantes, técnicos e professores da UFRGS iniciaram a produção de máscaras do tipo faceshield, importantíssimos para os milhares de profissionais de saúde que hoje sofrem com a falta de equipamentos e ferramentas básicas de trabalho para que eles mesmo não sejam infectados pelos pacientes. O Instituto de Química, a Escola de Química e a Coppe (Engenharia) da UFRJ estão numa ação conjunta para produzir também o álcool 70% para ser entregues às unidades hospitalares.

O exemplo desses pesquisadores e professores mostra o potencial das universidades públicas em cumprir um papel importantíssimo no combate racional ao coronavírus, pois não estão apenas enfrentando a estrutura precária das próprias universidades (fruto de cortes no orçamento realizados nos últimos anos e potencializado pelo desprezo do atual ministro Weintraub à educação pública), como também mostram a solidariedade do conhecimento científico à população pobre e trabalhadora, já que os insumos produzidos estão sendo destinados prioritariamente para hospitais públicos.

Entretanto, apesar da ação das universidades, é preciso que iniciativas desse tipo sejam expandidas e redirecionadas como parte de um plano racional de emergência para salvar as vidas de trabalhadores e das populações mais pobres. Até o momento, nem a ala considerada “eficiente” do regime (Mandetta, governadores e Judiciário) e nem a ala alinhada ao obscurantismo de Bolsonaro estão caminhando nesse sentido. Sob a gerência conjunta dos profissionais de saúde, dos pesquisadores e dos trabalhadores, centralizados num comitê de combate ao coronavírus por fora dos comitês criados pelos governos estaduais e federal, é o caminho para que, com a unidade dos trabalhadores, possa ser controlada e expandida a capacidade produtiva das fábricas no sentido de assegurar às unidades hospitalares os insumos e os testes massivos necessários para que a quarentena imposta seja de fato eficiente.




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