Sociedade

Apesar do desemprego recorde, 10 mil brasileiros se tornaram milionários em 2016

terça-feira 22 de novembro| Edição do dia

De acordo com dados publicados nesta segunda-feira, 21, pelo Credit Suisse, há no Brasil, mais 10 mil novos brasileiros que passaram a ser considerados milionários, sendo somando agora o total de 172 mil pessoas em 2016.

Apesar do país enfrentar a pior crise de décadas, o número de milionários permanece a expandir, isto é, o país permanece a acumular muito na mão de poucos. De acordo com o próprio estudo revelado na Suíça, estes números são contrastados da realidade econômica que a população do país vive, de "sérias dificuldades" com índice recordes de desemprego.

Em dólares, a renda média de um brasileiro hoje, é de apenas um terço do que era em 2011, sendo uma das maiores quedas entre as grandes economias. "Ainda que o patrimônio tenha continuado a aumentar na moeda local, esses ganhos são em grande parte inflacionários", discorre.

"Dados anteriores mostraram que a média da renda de uma família triplicou entre 2000 e 2011, saindo de US$ 8 mil por adulto para US$ 27,1 mil", explicou."A história da riqueza no Brasil foi uma de um boom e de uma explosão", alertou porém, que em 2016 os dados já apontavam a queda da renda média de um adulto para apenas US$ 21 mil por ano.

Na avaliação realizada por um dos maiores bancos da Suíça, ativos financeiros permanecem representando 36% do patrimônio de famílias no Brasil. "Muitos brasileiros mantém uma relação especial com ativos imobiliários, especialmente em forma de terra, como uma proteção contra futura inflação", indicou, não aprofundando nenhuma relação de interesses dos grandes latifundiários com a especulação imobiliária, que permanece a inviabilizar, até hoje, que os trabalhadores tenha minimamente uma moradia digna.

A dívida de famílias, porém, foi apontada como estável, passando de 19% de seu patrimônio em 2015, para 18% em 2016. Na interpretação do banco, isso reflete uma maior cautela diante do aumento de incertezas que o país vem atravessando.

O próprio banco revela que a dimensão da desigualdade social no Brasil, é um fenômeno "relativamente alto", ainda mais frente a profunda crise e queda de patrimônio em dólares.

Além dos 172 mil milionários no país, o Brasil conta com 245 mil adultos entre a camada que representa o 1% da riqueza mundial. Ao mesmo tempo que tem 24 milhões de pessoas com renda inferior a US$ 249,00 por ano, classificada por esse mesmo banco, como "o fundo" da sociedade mundial, mas que na verdade, é a maior parte da população que padece das miserabilidades que sobra as inúmeras famílias de trabalhadores que nunca poderão entrar no ranking de maior patrimônio, justamente por trabalhar para o lucro e acúmulo destes senhores, que já são donos dos maiores patrimônios. "O nível relativamente alto de desigualdade reflete a desigualdade de renda, o que por sua vez está relacionado com um padrão desigual de educação pela população e a divisão entre os setores da economia formal e informal", conforme aponta o banco.

De acordo com estudo realizado pelo banco, no mundo, o número total de milionários passou de 32,3 milhões em 2015 para 32,9 milhões em 2016. Ou seja, há 596 mil novas fortunas registradas só neste ano, em que o planeta todo vive consequências alarmantes acerca de uma crise econômica, em que novos milionários se esforçam e articulam politicamente, em inúmeros desdobramentos, para a manutenção de seus lucros e da precariedade de vida da população empobrecida, que passa a ter maiores dificuldades para ter acesso a serviços e direitos mais básicos, como é o própria questão da moradia e saneamento básico, assim como saúde, educação e trabalho.

Os resultados desse estudo só apontam a necessidade de uma saída por parte dos trabalhadores, que supere a conciliação de interesses junto aos grandes capitalistas e estes políticos que através do suborno, buscam manter suas governabilidades e privilégios. Somente com numa perspectiva revolucionária e anticapitalista é que se poderá defender seriamente as pautas dos trabalhadores, com o apoio da juventude, mulheres e negros, poderemos barrar os ataques que nos aguardam por parte desse governo golpista de Temer e do Partido Judiciário, que insiste que os trabalhadores paguem por mais essa crise, causada e gerada, para que as riquezas e privilégios permaneçam a ser preservados nas mãos de poucos.




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