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Apesar de tentar mostrar confiança, a defensiva de Moro reafirma o "MoroGate"

Em uma entrevista dada ao Estadão, após as divulgações das conversas de Moro com Dallagnol, Moro disse que não renunciará e desafia que publiquem todas as conversas.

sexta-feira 14 de junho| Edição do dia

Numa longa entrevista divulgada ontem (13), Moro tenta aparecer forte e irredutível após o "MoroGate", mas suas declarações reafirmam seu golpismo e seu conluio.

Ao alegar "descuido" e submeter-se a possibilidade de uma análise de todas as suas mensagens, Moro mantém uma posição de defensiva frente às acusações que recebe que não consegue, sequer, negar as acusações que sofre de que atuou de maneira ilegal e fraudulenta para realizar uma operação política de supressão política do PT nas eleições de 2018. O amadorismo desses juízes e promotores - que acabam "pegos" por mensagens de celular - atesta sua incapacidade de serem cérebros de tamanha operação política.

A ligação entre Curitiba-Washington serviu para aprofundar interesses imperialistas no país e na região, e a Lava Jato foi a operação por excelência desses interesses. Escolheu blindar os esquemas de corrupção nos navios-sonda, FPSOs e outros esquemas com empresas imperialistas, e tratou de penalizar somente estatais e empresas nacionais e, embora a operação negue que seja uma agência americana, há fartas evidências que constando ou não em contra-cheques, os agentes foram treinados e manipulados diretamente a servir interesses do capital imperialista norte-americano.

Antes de se fazerem famosos, Moro e Dallagnol, operadores jurídicos no esquema Banestado, que resultou em imensa impunidade (tema que vale investigação à parte), eles aparecem mencionados em documentos secretos do governo americano (e vazados por Assange no Wikileaks).

Saiba mais: “Wikileaks: EUA criou curso para treinar Moro e juristas”

As mensagens - que seguem tendo seu conteúdo reafirmado por Moro - espantam pelas delações, conduções coercitivas (nomeadas sob o eufêmico “métodos para extrair provas”), dentre outras inovações “metodológicas” da lava jato com seus métodos autoritários, utilizados em embrião para agora, tentarem se tornar metodologia oficial da justiça brasileira, podendo expandir o que foi feito com Lula a todas e todos os que lutam e são oprimidos pelo sistema a partir do pacote Anti-crime de Moro.

Tratou-se também de uma tentativa de erguer um regime que ataque ao já limitado direito ao sufrágio universal, contribuindo decisivamente no impeachment ou manipulando eleições, para colocar em seu lugar os candidatos que preferirem ou eles mesmos. Procuradores e juízes e seus parceiros na mídia que em sua intervenção cotidiana encontram maneiras mais abertas ou cifradas de repetirem seu único dogma religioso: “IN USA WE TRUST”.

O combate à Lava Jato é parte do necessário combate ao imperialismo, um combate que foi dado sistematicamente por esse diário ao longo dos mais de 3 anos dessa operação manipulada e fraudulenta, que sob o suposto combate à corrupção - esta, inerente ao capitalismo - alterou o regime político brasileiro à direita, para impor mais ataques e ajustes do que já havia implementado o próprio PT.

Houverem aqueles que acreditaram que a Lava Jato era uma operação legítima e idônea, e a esses, frente às recentes declarações de Moro e à escalonagem dos escândalos de conluio e colaborações ilegais entre Procuradoria, Ministério Público e juízes, é preciso reafirmar que o combate à corrupção não passa pelas mãos de juízes privilegiados e politicamente interessados, mas pela eleição popular e revogável de todos juízes e procuradores, que passem a ganhar o mesmo que uma professora. Uma luta pelas mãos da classe trabalhadora, da juventude e do povo pobre, que imponha que todos julgamentos de corrupção se façam por júri popular, que os corruptos sejam expropriados e suas fortunas utilizadas em obras sociais e em garantia de direitos. Se atualiza também a batalha por uma constituinte livre e soberana, construída pela mobilização, que mude não apenas os jogares mas também as regras desse jogo onde apenas nossa classe paga pelos custos da crise.




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