Educação

Apesar da pandemia, Bolsonaro se ocupa inaugurando escola militar para formar "bom patrão"

Bolsonaro ainda afirmou durante a inauguração, junto ao Crivella, que "aqui queremos que o jovem (...) seja formado um bom profissional, um bom patrão, um bom liberal, e não um militante, como acontece muito no Brasil”

sábado 15 de agosto| Edição do dia

Nessa sexta-feira (14) foi o último dia permitido para inaugurar obras públicas antes das eleições que ocorrerão em novembro, devido à pandemia do coronavírus. Por isso, foi também hoje que Crivella, junto com Bolsonaro e todo um clã de apoiadores bolsonaristas, inaugurou a escola cívico-militar General Abreu no Rio de Janeiro.

As escolas cívico-militares são um projeto de Bolsonaro que, junto ao MEC, busca incentivar que estados e municípios invistam nesse tipo de regime escolar; Bolsonaro ainda afirmou durante a inauguração que "aqui queremos que o jovem (...) seja formado um bom profissional, um bom patrão, um bom liberal, e não um militante, como acontece muito no Brasil”. Ou seja, ele não faz questão de esconder o real objetivo de avançar com essas escolas militarizadas, sem liberdade de ideias e feita com o objetivo claro de formar jovens com uma ideologia totalmente reacionária.

A saga de Bolsonaro contra a educação se expressa desde o começo de seu mandato nomeando ministros totalmente alinhados com o mercado e sem especificação na área para dirigir o MEC e outras pastas importantes relacionadas à educação.

É evidente também a estrategia de Crivella para associar sua imagem a de Bolsonaro para tentar a reeleição, mesmo com o presidente afirmando que não apoiará nenhuma candidatura no primeiro turno. E não foram poucos os elogios de Bolsonaro ao atual prefeito, relembrando o período em que os dois se formaram aspirantes do exército e o seu trabalho quando ainda era senador, que permitiu aos militares acumularem funções na saúde pública.

Bolsonaro recebeu uma medalha de honraria da Guarda Municipal, onde estiveram presentes no evento os ministros da Educação, Milton Ribeiro, do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, e do Meio Ambiente, Ricardo Salles, e Carlos Bolsonaro.

Um elemento decisivo nessa busca de Crivella pelo apoio de Bolsonaro nas próximas eleições é o papel que cumpre o filho do presidente investigado por diversos crimes de corrupção, Flávio Bolsonaro, como ponte entre o atual prefeito e o governo federal. Vale lembrar também que, recentemente, a proposta de reforma tributária de Paulo Guedes mantém as igrejas livres de impostos; a igreja universal, onde Crivella é pastor, é uma das grandes beneficiadas nesse esquema.

Apesar do grande evento, apenas um dos edifícios da escola foi inaugurado hoje, os outros dois edifícios só serão terminados no fim do ano. Mais um sinal de que esta inauguração pela metade se tratava apenas de um evento de campanha na já iniciada corrida eleitoral.

Aqui no Esquerda Diario, já denunciamos diversas vezes a militarização das escolas brasileiras e a serviço do que elas estão. A militarização não tem nada a ver com proteção e qualidade das escolas. Alteram a gestão, retiram a tarefa pedagógica da mão de especialistas e a transfere às mãos de policiais, o que fortalece a perseguição política, coerção e vitimização de professorxs e estudantes. Não há pensamento livre sob as botas policiais que todos os dias mostram como lidam com as crianças nas favelas, como foi com Ágatha Felix, Maria Eduarda, Ketellen, Marcos Vinicius e tantas outras.




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