DIA INTERNACIONAL DAS ENFERMEIRAS E ENFERMEIROS

Apenas reconhecimento não basta: enfermeiras em Portugal exigem melhores condições de trabalho

Com mais de 100 pares de sapatos enfermeiras e enfermeiros, na cidade de Braga em Portugal, simbolizaram seu afastamento de casa para ser linha de frente no combate ao coronavírus. Não podendo largar seus postos de trabalho, apenas três profissionais organizaram o protesto simbólico e silencioso que grita, no entanto, por melhores condições de trabalho.

terça-feira 12 de maio| Edição do dia

As enfermeiras em Portugal denunciam salários extremamente baixos e um sistema de precarização da carreira que leva cada vez mais à terceirização dos serviços de saúde. Além disso denunciam que o governo de António Costa, Primeiro Ministro português, não contabilizou os pontos do plano de carreira de 20 mil enfermeiros no país. Esse corte, segundo a dirigente nacional do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses Guadalupe Simões, representa “20 anos de trabalho jogados fora, por parte deste Governo”. Como se não bastasse os profissionais não efetivados em um plano de carreira público, e que estão afastados por COVID-19, estão recebendo 25% a menos.

Por todo o mundo diversos países, mesmo no mundo desenvolvido, há décadas vem cortando recursos para a saúde pública. Esses cortes se sentem agora diante da pandemia, com sistemas entrando em colapso. Ainda que hajam os parcos investimentos no período da pandemia, esses não dão conta de impedir milhares de mortes. As quarentenas cumprem muito mais um papel repressivo, já que para as polícias nunca faltam EPIs, do que meios de identificar, isolar e tratar infectados.

No mundo todo profissionais da enfermagem são linha de frente contra o novo coronavírus, lutam em condições de trabalho muitas vezes precárias e são expostos ao risco de contaminação. No dia de hoje, dia internacional das enfermeiras e enfermeiros, trabalhadores da linha de frente no combate ao covid-19, o Esquerda Diário coloca toda sua estrutura não apenas para homenagear esses trabalhadores, mas também dar voz a suas lutas e demandas. EPIs para todos os profissionais de saúde, mais contratação e jornadas de 30h semanais para preservar a saúde dos trabalhadores, afastamento dos que compõe o grupo de risco com salários e direitos garantidos são uma das principais reivindicações.

Sobre hoje: Façamos do dia 12 uma grande luta em apoio aos trabalhadores da saúde

Se trata de uma batalha que se choca com o interesse desses monopólios privados de saúde, representados por políticos como Mandetta, Teich e diversos parlamentares e governadores, que comercializam a vida da população e impedem que se unifique todos os leitos, hospitais, respiradores e recursos para enfrentar a pandemia. Diante disso, fica evidente que as únicas pessoas que tem de fato capacidade de gerir e controlar os hospitais e todo o sistema de saúde são os próprios trabalhadores da saúde. Não há ninguém melhor dos que estão na linha de frente, trabalhando e morrendo para salvar as nossas vidas, que possa comandar a batalha contra a pandemia.

Somente um plano de combate dos trabalhadores organizados pode dar uma resposta que não seja a de empilhar corpos, como está sendo sob a direção capitalista da crise. Com os trabalhadores à frente, muito mais leitos podem ser criados, respiradores e todos os insumos podem ser fabricados nas indústrias, pode ser organizada a distribuição de alimentos saudáveis para aumentar a imunidade da população mais pobre, se a produção não estiver em função dos lucros capitalistas, mas da vida das pessoas milhares de vidas podem ser poupadas. No entanto, os capitalistas não abrirão mão de seus lucros para salvar vidas, somente os trabalhadores unidos podem travar essa luta. Nossas vidas valem muito mais do que os lucros deles!

Acompanhe a cobertura do Esquerda Diário do dia internacional das enfermeiras e enfermeiros aqui.

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