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Apaixonante torneio de futebol em MadyGraf

ARGENTINA No sábado 22 mais de 80 trabalhadores se juntaram para participar do torneio “Mariano Ferreyra” e apoiar as e os operários da MadyGraf em luta pela expropriação da antiga Donnelley.

terça-feira 25 de outubro| Edição do dia

Desde o meio dia começaram a chegar dezenas de trabalhadores de distintas empresas da zona norte. O sol queimava a pele. As equipes se inscreviam: eram companheiros da gráfica Aluex, perfumista, de Mondelez Pacheco, da linha de coletivos 60 e 266, metalúrgicos e metalmecânicos. Diferente das edições anteriores, este torneio relâmpago teve mais tempo por partida e mais partidas por time, o que fazia mais competitiva a classificação para a final e aumentava os níveis de paixão. O público se mostrava entusiasmado pela disputa que estava nos jogos. Em uma final para recordar o time Willie FC chegou ao primeiro posto vencendo Mondelez Pacheco. Porém, além da concorrência e o prêmio, o que realmente importava era outra coisa: a solidariedade entre os trabalhadores.

Na metade da jornada Jorge “el loco” Medina, trabalhador da MadyGraf contou a situação da luta que estão levando adiante:

“Somos duzentos trabalhadores que estamos lutando por nossos postos de trabalho desde que há dois anos a empresa Donnelley fechou as portas de maneira fraudulenta e nos deixou todos na rua. Tomamos a planta e a colocamos para produzir, (…) mas o juiz da falência não quer renovar o contrato, e nos dizem que vão arrematar a fábrica e as máquinas e voltaríamos, assim, terminar na rua. Nós não vamos permitir. Sabemos que sozinhos não podemos lutar contra este sistema, por isso também contamos nosso conflito à outros trabalhadores de outras fábricas e empresas para que nos apoiem da mesma maneira que nós queremos ajudar outros companheiros. Temos um objetivo ainda maior que é que a estatização da fábrica, sob o controle dos trabalhadores, para que o Estado se encarregue e ponha à disposição da sociedade o que aqui se pode produzir”.

Ademais, fez um convite: "Além de trabalhar aqui sou militante do PTS e quero ter o atrevimento de convidá-los ao ato de 19 de novembro na quadra de Atlanta que realizará a Frente de Izquierda, que é integrada pelo meu partido. Para nós é muito importante, porque se hoje estamos lutando pela expropriação e temos um projeto de lei, é graças a que temos deputados da Frente de Izquierda e uma advogada como Myriam Bregman, que também é deputada, ou companheiros como Nicolás Del Caño, que vai fechar o ato, um companheiro que esteve acompanhando a luta dos trabalhadores de Lear contra as demissões e, sendo deputado, foi reprimido junto aos trabalhadores. É a única força que está junto aos trabalhadores."
Também fizeram uso da palavra o Javier “Macha” Aparicio, operário da VW e o “Mono” Ruiz Diaz da linha de coletivos 60, convidando para o ato em Atlanta e comentando a luta dos rodoviários pelas 6h de trabalho.

LaIzquierdaDiario recolheu alguns testemunhos na jornada.

Agustin e Joni, delegados da Aluex: "Aqui estamos presentes por que convidaram e bem, primeiro divulgamos em uma assembleia que fizemos, e aos companheiros de Aluex nos pareceu interessante a proposta. Estamos passando bem, e acompanhamos a luta dos trabalhadores da Madygraf pela expropriação de sua fábrica."

"E a realidade é que acreditamos que é perfeita a unidade entre companheiros, a luta é justa. O governo tem que ajudar as fábricas como MadyGraf, as cooperativas para que não se percam os postos de trabalho. Também a unidade e saber o que se passa entre os companheiros de todas as fábricas da zona é fundamental já que nos envolve a todos, desde que conseguimos a comissão interna na fábrica apoiamos as demais lutas por nossos direitos que ocorrem, como as 6 horas nos motoristas de coletivo ou as de diferentes cooperativas além de MadyGraf."

José, trabalhador perfumista: “Me pareceu estupendo, gosto muito do torneio e é muito interessante a visita guiada para que as pessoas saibam que o trabalho não é muito fácil a disputa que estão dando, espero que logo se solucione todas suas situações e possam ter todos os seus benefícios como todos os trabalhadores”.

Motoristas das linhas 266 e da 60

Francisco da 60: “Hoje, antes do torneio, viemos fazer uma visita guiada à fábrica e sinceramente é um orgulho pelas batalhas ganhas que têm e aprendemos muito como se organizaram. E bom, unindo-nos é que os trabalhadores podemos fazer algo, porque não somos um número a mais na empresa”. Juan: “Está bom poder vim para apoiar-nos entre todos, demonstrando aos monopólios que não somos material descartável”.

Andrés, motorista da 266 em luta por sua reincorporação: “Os que hoje estamos aqui somos parte da agrupação de motoristas ’David Ramallo’, em homenagem ao companheiro assassinado pela patronal em Dota e iremos ao ato da Frente de Izquierda levantando esta bandeira pelas 6h de trabalho e por justiça para David”. Walter: “Nós estamos aqui difundindo uma campanha pelas 6h de trabalho que tem entrada, temos que conscientizar mais todos os companheiro das demais linhas de coletivos, que é uma luta necessária pela nossa saúde”.

Belén, da comissão de mulheres da 60: “...estamos dando uma luta por justiça para David Ramallo fazendo mobilizações ajudando no que seja necessário para sua família, que acabou destruída, por isso estamos tratando de espalhar a palavra”.




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