Sociedade

VIOLÊNCIA POLICIAL

Aos gritos de "justiça" a estudante Maria Eduarda é enterrada no Rio

sábado 1º de abril de 2017| Edição do dia

foto: Cléber Júnior / Agência O Globo

A estudante Maria Eduarda Alves da Conceição, de 13 anos, assassinada por policiais enquanto praticava educação física na escola municipal Daniel Piza, em Acari (zona norte do Rio), na tarde de quinta-feira (30), foi enterrada às 13h10 deste sábado (1) no Cemitério Jardim da Saudade, em Mesquita (Região Metropolitana do Rio).

Em meio a grande comoção, familiares cobraram providências do governador Luiz Fernando Pezão (PMDB). Mais de 200 pessoas, em sua maioria familiares, professores e colegas de Maria Eduarda, foram ao velório. Os colegas de escola vestiam camisetas em homenagem à adolescente. Em vários momentos, familiares e amigos foram retirados do ambiente do velório para conter a desolação. Veja aqui carta escrita pelo professor de Maria Eduarda.

O sentimento de revolta contra a polícia era generalizado. A mãe de Maria Eduarda, a acompanhante de idosos Rosilene Alves, de 52 anos, declarou que "Pezão tem que ouvir a gente, mas ele não está nem aí, e o secretário dele está nos Estados Unidos, não estão nem aí com o povo das comunidades. Mas aqui se faz, aqui se paga".

O advogado João Tancredo anunciou que vai ingressar com ações judiciais contra o Estado e o município cobrando indenização à família pela morte de Maria Eduarda e oferecimento de apoio psicológico aos familiares. “Não é vingança que a família quer, é justiça. Não adianta o Estado do Rio dizer que vai dar toda a assistência e nem vir ao sepultamento. Entraremos com uma ação contra o estado e a prefeitura, ambos têm responsabilidade”, disse o advogado.

Fundador da ONG Rio de Paz, Antônio Carlos Costa também compareceu ao enterro e lamentou o episódio. "Já são três crianças mortas por bala perdida neste ano na região metropolitana do Rio. Foram 20 nos últimos dois anos, e 33 em 10 anos", afirmou.

O secretário de Educação não compareceu ao enterro, como se o estado não tivesse responsabilidade sobre um assassinato ocorrido dentro de uma escola pública. Já o prefeito Marcelo Crivella, que também não compareceu, anunciou a intenção de blindar as escolas municipais, mas ainda não há detalhes sobre essa hipótese.

A proposta de blindar as escolas é um grande absurdo, já que indica que a polícia continuará atuando da mesma maneira, executando a juventude negra nas ruas, morros e favelas. Basta lembrar do assassinato do menino Eduardo, morto com um tiro dá polícia quando brincava em frente a própria casa.

A polícia carioca já bateu recorde de assassinatos este ano, sendo que foram 182 mortes somente nós dois primeiros meses do ano. Essa instituição assassina mostra cada vez sua faceta mais odiosa, tirando a vida de nossa juventude negra. É preciso acabar com essa instituição que apenas serve como braço armado, repressivo e assassino do Estado!

Como dito aos gritos durante o sepultamento, é preciso que se faça justiça para Maria Eduarda e também para todas as vidas negras arrancadas diariamente pelas mãos da polícia.

Com informações da Agência Estado




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