Juventude

UNE, UMA ENTIDADE IMOBILIZADA

Ao que leva a conciliação de classes no movimento estudantil?

Porque a UNE não se mobiliza para conter os ataques e combater o avanço da Kroton-Anhanguera, o maior monopólio de educação do mundo?

quarta-feira 15 de novembro| Edição do dia

A conjuntura aponta para um caminho tortuoso para a juventude nos próximos anos, que se vê em meio a ataques crescentes às universidades públicas, com cortes de 13,4 bilhões da pasta de educação só neste ano e com uma perspectiva ainda pior para o ano que vem, com a implementação de fato da PEC 55 do teto dos gastos para a educação (na prática já entrou em vigor). A Reforma Trabalhista minará ainda mais as possibilidades da juventude trabalhadora de ter um futuro decente , além do visível avanço das universidades privadas em detrimento das públicas, com destaque para a precarização crescente dos centros de excelência (UNB, UFRJ, etc.) e a situação calamitosa da UERJ, vitima do conluio criminoso entre Temer e Pezão.

O avanço sobre as universidades públicas no Brasil não vem de hoje, longe do discurso demagógico petista que diz ter democratizado as universidades o que se viu foi de fato um aumento de vagas, porém quase todas elas precárias e voltadas para o lucro de grandes empresários, que se forjaram durante esse período como é o caso da Kroton-Anhanguera, o maior monopólio de educação do mundo.

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As politicas petistas foram convergentes para que esses capitalistas se tornassem do tamanho que são hoje. Só de 2010 a 2013, o FIES cresceu 630% em matriculas (FONTE) ao mesmo tempo em que a KROTON multiplicou seus lucros em escandalosos 20.000% entre 2010 e 2014. (FONTE)

As entidades estudantis petistas não poderiam cumprir papel diferente do que o de corroborar com a conciliação de classes, em que os estudantes têm um papel menos importante que os ganhos exorbitantes dos empresários, que com políticas financeirizadas do governo (FIES e PROUNI) contribuem para o endividamento da juventude trabalhadora e com as salas precarizadas e super lotadas do ensino privado.

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Nesse contexto devemos nos perguntar para o que estão voltadas as entidades estudantis hoje. A direção majoritária da UNE, representada pela UJS junto a correntes petistas, e também o Campo Popular composto pelo Levante Popular da Juventude, fazem da entidade um palanque para defender sua própria política, a de conter a auto-organização da juventude, uma instituição cooptada para dentro do Estado que não se propõe em nenhum nível a ser uma saída para juventude.

As recentes viagens de Lula ao nordeste e Minas Gerais fazendo alianças com velhos caciques e com setores burgueses, entre eles uma reconciliação justamente com a Kroton-Anhanguera evidenciam de que lado da trincheira estão os petistas, enquanto os estudantes veem os ataques atingirem sua cabeça com força a politica do PT é "perdoar os golpistas". Nada diferente foi a proposta do deputado Andrés Sanchez (PT-SP) de haver pagamento de mensalidades nas universidades públicas.

A Kroton-Anhanguera é um monstro criado pelo PT a mando direto do capital financeiro, um de seus principais acionistas é nada menos que JP Morgan, o maior grupo capitalista do mundo. Não atacar esses setores e pior, atuar ao lado deles, significa se subordinar ao que eles querem para nós, que paguemos por uma crise que eles mesmos criaram.

No movimento estudantil, quando não há independência de classe, passam a não importar as ligações espúrias com qualquer setor; são uma "tendência", por exemplo na recente união entre UJS e MBL para o DCE da Unicamp. Nada diferente da política da UNE e do PT e PCdoB em uma escala maior no último período, do lado de empresários e golpistas e não dos trabalhadores e estudantes.

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Por isso devemos lutar pelo ataque à propriedade privada e pela estatização da Kroton-Anhanguera, no marco da luta pelo fim do vestibular e do não pagamento da dívida pública. Passando necessariamente por uma luta anticapitalista que questione até o final a quem serve a universidade de classes numa sociedade de classes, a fim de arrancar a última gota do que for possível para que a universidade sirva de fato aos trabalhadores e os setores oprimidos, na mais ampla democracia a qual é possível chegar, na perspectiva de os estudantes, funcionários e professores definirem os rumos de cada local de estudo.

Foto: Folha Política




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