Política

EUA-BRASIL

Ao contrário de Bolsonaro, 66% da população não apoia que o Brasil priorize EUA

Ao contrário do que Bolsonaro quer nos fazer crer, a maioria da população não apoia seus planos privatistas e entreguistas pró-Estados Unidos.

quinta-feira 27 de dezembro de 2018| Edição do dia

Foto: Reprodução/Intercept Brasil/YouTube

Pesquisa divulgada pelo DataFolha demonstra que 66% dos brasileiros não concordam que o país deva dar preferencia para os EUA em suas relações exteriores. Foram ouvidas 2.077 pessoas em 130 municípios do Brasil nos dias 18 e 19 de dezembro. A pesquisa tem margem de erro de dois pontos para cima e para baixo.

O teor da pesquisa é expressivo para demonstrar que Bolsonaro não possui uma base consolidada para seus planos anti-operários, entreguistas e privatistas. A ampla população que o elegeu, sobretudo de trabalhadores, não votou pela reforma da previdência, a venda da Petrobras, o Banco do Brasil, a Eletrobras, o fim do 13°, o aprofundamento da reforma trabalhista e também, não é ideologicamente pró EUA, como demonstra o resultados divulgados hoje pela Folha de São Paulo.

O resultado se dá mesmo com a população não se dando conta do quão treinado pelos EUA é Sergio Moro. E que a Lava-Jato não veio para acabar com a corrupção mas para substituir um tipo de corrupção por outro, mais entreguista e imperialista, estabelecendo o mesmo tipo de relação espúria do estado, não mais as estatais, mas com as empresas multinacionais. Isso fica demonstrado com a absoluta vista grossa que o ex-juiz faz ao analisar os casos de corruptos e corrupção dentro do Governo Bolsonaro. Já são três acusados e u condenado entre os ministros de Bolsonaro. Sobre um deles, Onyx, Moro se pronunciou, com o seu mais sincero cinismo: "ele já admitiu e pediu desculpas".

A fragilidade relativa que tem o presidente eleito nas suas pautas principais (econômicas) pode ser o fio condutor de uma possível resistência que rompa por dentro o bloco que elegeu e está apoiando Bolsonaro, inclusive. A estabilidade que ele propagandeia como base para seus ataques não se passa de uma mentira. Mesmo entre os que votaram em Bolsonaro, apenas 35% estão de acordo com a ideia de apoiar um privilégio das relações exteriores aos EUA.

A pesquisa está sendo divulgada por um setor da burguesia que é crítico dos planos de Bolsonaro, como a Folha de São Paulo, como meio de influenciar para ser mais pragmática a política externa brasileira. Esse setor vê como uma série de possíveis perdas com a China e Oriente Médio, grandes parceiros comerciais do Brasil, se o governo implementa um alinhamento duro com os EUA e Israel como quer o Chanceler Araujo.

Além de haver uma discordância interna da população que elegeu Bolsonaro, existe um amplo setor que o rechaçou, que diretamente votou contra nas urnas, e também que se absteve e esse deve ser a base para uma oposição nas ruas, nos locais de trabalho e de estudo. Para isso é preciso que as centrais sindicais rompam sua passividade e coloquem a frente um plano de lutas efetivo. A direção dos sindicatos, no entanto, vem oferecendo paz a Bolsonaro, como a CUT que propõe uma "reforma da previdência alternativa" e oposição "propositiva". Só é possível barrar os ataques que estão por vir se os trabalhadores entram em cena na mais ampla unidade e superem tais direções para que não sejamos nós que paguemos pela crise, e sim os capitalistas.

A pesquisa, apesar da pergunta insossa do DataFolha, "O Brasil deve dar preferência ao governo dos EUA em relação a outros países?", demonstra o espaço que existe para uma resistência anti-imperalista, há muito estancada pela passividade que o PT implementou em seu governo, e na não resistência frente ao golpe. Sua forma de militância nos locais de trabalho e estudo sempre separou o sindical do político, e nunca se propôs a romper com o imperialismo, apostando sempre que pôde nas instituições carcomidas da degradada democracia brasileira. O PT, ao longo de todo o tempo que foi governo, esvaziou o sentido de uma luta anti-imperialista, continuou pagando a dívida pública, além de seguir o rito do plano mundial para a educação (com o aparecimento de monopólios como a Kroton-Anhanguera). Abaixo o resultado da pesquisa na íntegra:

O Brasil deve dar preferência ao governo dos EUA em relação
a outros países?

15%
concorda totalmente
14%
concorda em parte
19%
discorda em parte
47%
discorda totalmente
4%
não sabe
1%
tanto faz

Fonte de informações: Folha de São Paulo




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