Gênero e sexualidade

O RENTÁVEL NEGÓCIO DA "CURA GAY"

Anos antes de propor a "cura gay", Malafaia investiu em clínicas psicológicas de recuperação

Fernando Pardal

@fepardal

quinta-feira 21 de setembro| Edição do dia

Em texto para Congresso em Foco, o cientista social Leonardo Rossetto levantou alguns dados de anos anteriores sobre as "opções de investimento" do pastos Silas Malafaia, cujo deputado apadrinhado por ele, Sóstenes Cavalcante, é ninguém menos do que o atual patrão de Rozângela Justino, a psicóloga que entrou com a ação pedindo a liberação para as terapias de "reorientação sexual", a famigerada "cura gay".

O que Rossetto mostrou foi que nos anos de 2011 e 2012 a "Associação Vitória em Cristo" (AVEC), da igreja de Malafaia, investiu na construção do centro de acolhimento para dependentes químicos, "O Semeador".

Como disse Malafaia na época, "Fazer a obra de Deus é também dar assistência social aos mais necessitados. Por isso queremos estar juntos de pessoas que têm credibilidade e sabem fazer trabalho social". Acredite quem puder na "bondade" do milionário pastor.

No Semeador, os dependentes químicos são tratados à base de muita doutrinação e dogma religioso, como afirma o Pastor José Cosme Martins, presidente e criador do projeto: "Temos muitos testemunhos maravilhosos de cura e mudança de vida. Um rapaz que era viciado e morava na rua hoje é um homem de Deus, trabalha com carteira assinada e conquistou o sonho da casa própria”.

Mas sabemos que, como qualquer bom negócio capitalista - e de bons negócios o pastor Malafaia entende bem - é necessário expandir seus horizontes. Para ganhar, Malafaia precisa "manter a casa cheia". Aí entram, por exemplo, programas como o "Redenção" (o nome não é casual) de João Doria, que queria internar compulsoriamente pessoas que fossem presas arbitrariamente pela polícia por uso de crack (algo que sequer é crime).

O plano deu errado já que o TJ proibiu Doria de "caçar e prender" quem usasse crack.

Mas sendo um empresário de faro aguçado, Malafaia não investiu apenas nesse "nicho de mercado": desde 2013 a bancada evangélica - nessa época por meio do pastor Marco Feliciano - procura aprovar a "cura gay". Mesmo tendo sido derrotado pelas mobilizações de milhares nas ruas, o projeto não foi abandonado. E, agora, quatro anos depois, voltou pelas mãos de uma ação judicial

Se Malafaia, Rozângela e os "psicólogos cristãos" conseguem emplacar isso, ou seja, se nós não derrubarmos essa liminar, estará servido um "prato cheio" para as clínicas de Malafaia, como alerta Rossetto: "Com a cura gay, pessoas poderão ser levadas pelos pais ou parentes num Centro de Referência de Assistência Social (Cras) ou num Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) buscando tratamento de reversão sexual. Daí o governo vai ter que credenciar clínicas que façam esses tratamentos, afinal é um direito de todos e dever do Estado.

Na hora de credenciar essas clínicas, quem estará lá todo feliz credenciando suas clínicas em busca de grana pública pra cura gay?"

Sim, para Malafaia não basta querer oprimir nossa sexualidade: é preciso lucrar com isso.




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