Sociedade

CRISE ESTADOS

Ano novo e velhos problemas, culpa dos governadores que não pagam salários e 13°

Flavia Valle

Professora, Minas Gerais

terça-feira 2 de janeiro| Edição do dia

Um momento de retomada de energias, de festas e confraternizações com familiares e amigos, sentimentos que trazem a época de natal e o recomeço de um novo ano, transforma-se em desespero e aflição para mais de um milhão de famílias. Isso porque governadores e prefeitos escolhem o final do ano para deixar de pagar o que deve aos servidores e aposentados pelo trabalho já realizado na saúde, educação além de outros cargos administrativos.

Essa é a realidade de muitos estados no Brasil, como Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Rio Grande do Norte e Sergipe. No Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, além da falta de previsão do pagamento do 13° salário, o estado ainda deve parcela dos salários atrasados, o que gera uma dificuldade ainda maior para os trabalhadores nesse início do ano. Minas Gerais, por sua vez, é o estado em que o maior número de servidores não recebeu o 13° salário, o que já gerou protestos dos professores em pleno dia 27 de dezembro, quando pararam as ruas da capital mineira.

Enquanto famílias de trabalhadores e aposentados passam necessidades, os governos estaduais continuam garantindo benefícios bilionários aos capitalistas e empresários. Exemplo disso foi a privatização da Cedae no Rio de Janeiro votada em meio a um campo de guerra no Rio de Janeiro com repressão aos protestos contrários à medida; enquanto apenas no ano de 2016 o governo do Rio abriu mão de R$8,8 bilhões de isenções às empresas no estado. Já em Minas Gerais, estima-se que o governo petista abriu mão de arrecadar cerca de R$14 bilhões no ano de 2017 devido aos privilégios fiscais aos empresários.

É um escárnio com os trabalhadores que enquanto os governos garantem bilhões pagos aos grandes empresários, os servidores e os aposentados passem necessidades. A desculpa da dívida pública não é crível como argumento do não pagamento aos trabalhadores. Isso porque todos sabem que essa dívida é formada pelo roubo dos governos e sua política de isenção de impostos às grandes empresas como política dos mais variados governos, seja do PSDB, MDB e toda a corja golpista, ou dos governos petistas.

Portanto, além do pagamento imediato dos salários atrasados e do 13° que esses governos devem aos trabalhadores, há que parar o pagamento dos empresários e capitalistas por via de uma dívida criada apenas para favorecê-los enquanto a população passa necessidades. As grandes centrais sindicais devem romper sua submissão aos governos que servem a esses capitalistas e fazer um plano de lutas para preparar uma greve geral em que os trabalhadores possam batalhar contra a retirada de nossa aposentadoria pelo governo federal e contra a retirada de nossos salários e dos serviços públicos pelos governos estaduais.

Foto: Aposentados utilizaram vans para retirar doações no Rio de Janeiro. Foto: Divulgação / Muspe, agosto/2017




Tópicos relacionados

Juiz de Fora   /    Contagem   /    Porto Alegre   /    Caxias do Sul   /    Sociedade   /    Belo Horizonte   /    Rio de Janeiro   /    Política

Comentários

Comentar