MARIELLE, PRESENTE

Anistia Internacional cobra agilidade nas investigações do caso Marielle

sexta-feira 13 de abril| Edição do dia

Há apenas um dia de completar um mês da execução da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, as investigações do crime ainda não avançaram para além do superficial e outros crimes já ocorreram com possível ligação ao caso, como a morte de Carlos Alexandre Pereira, colaborador de vereador que foi ouvido nas investigações do crime. Agora a Anistia Internacional se manifestou sobre o caso e soltou nesta sexta-feira (13) uma nota exigindo que o crime seja solucionado.

Segundo Jurema Werneck, diretora-executiva da Anistia Internacional Brasil, a cada dia que passa sem que algo concreto seja feito, os riscos em torno de figuras que defendem os direitos humanos aumentam. A Anistia Internacional pede que a investigação seja ágil e seja tomada como prioridade no momento, buscando atiradores e autores intelectuais do crime, segundo eles a possibilidade de que a não se solucione o caso pode causar um sentimento de impunidade em torno de crimes parecidos.

A investigação segue praticamente parada, segundo a Polícia Civil, estão buscando evidências comparando digitais de homens mortos em possível queima de arquivo com vestígios encontrados no local onde o carro de Marielle foi encontrado. Porém, chama a atenção que em um caso da morte de uma vereadora que denunciava o abuso policial e havia acabado de ser nomeada relatora da comissão de monitoramento da intervenção federal no Rio, se mantenha como investigadores agentes da própria polícia carioca, uma vez que muitas análises apontam para o envolvimento direto de policiais neste crime.

Para além disso, como se confirma nos recentes acontecimentos, com a prisão de Lula, fica cada vez mais claro que não é um problema isolado da polícia do Rio de Janeiro ou de um caso específico de corrupção policial, a justiça burguesa em si compre um papel reacionário e injusto, condenando sem provas um político pura e simplesmente para tirá-lo da jogada eleitoral, prejudicando com isso não necessariamente sua figura ou partido, mas sim atacando diretamente o direito mínimo que a população possa decidir em quem votar.

Para Werneck "O assassinato de uma vereadora, defensora de direitos humanos, ativista dos movimentos LGBTI e das favelas, negra e lésbica, tem, claramente, a intenção de silenciar sua voz e de gerar medo e insegurança.”, só em 2017 foram 58 assassinatos de defensores de direitos humanos. Tendo isto em vista não dá para continuar aguardando uma atitude da polícia carioca, por isso é imprescindível que se abra uma comissão investigativa independente, com advogados e investigadores de confiança e engajados escolhidos pelos movimentos sociais, sindicatos e entidades de luta contra opressões para que a investigação saia das mãos de uma polícia suspeita e interessada no caso, só assim se pode garantir uma investigação justa de fato.

A luta em repúdio a este assassinato também não pode parar, ainda segundo Werneck: “Mas vamos continuar levantando nossas vozes. Desde que Marielle foi morta, as pessoas no Brasil e em todo o mundo, se mobilizaram e não descansarão até que a verdade seja conhecida e a justiça seja feita. Eles tentaram nos calar, mas nós mostramos que não estamos com medo”. Mas para fazer isso, para além de emitir notas de exigências, também é necessário uma forte mobilização na rua.

Para este sábado, no qual se completa um mês da execução, estão sendo chamados uma série de atos em repúdio ao crime, aos quais os movimentos sociais e partidos devem sim dar todo o peso, mas mirando na continuidade da luta, fazendo manifestações e paralisações em repúdio à morte da vereadora, exigindo uma investigação independente e cobrando o fim imediato da Intervenção Federal no Rio de Janeiro, contra a qual a Marielle morreu lutando.




Tópicos relacionados

Marielle Franco   /    Anistia Internacional

Comentários

Comentar