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Anistia Internacional aponta que 58 defensores dos direitos humanos foram assassinados este ano no Brasil

Segundo o relatório “Ataques letais, mas evitáveis: assassinatos e desaparecimentos forçados daqueles que defendem os direitos humanos” da Anistia Internacional, divulgado hoje, 58 pessoas que defendiam os direitos humanos foram assassinadas no Brasil apenas no primeiro semestre. Nosso país é considerado o mais perigoso, das américas, para defensores de direitos humanos. Em 2016, 66 pessoas foram mortas durante o ano todo.

terça-feira 5 de dezembro| Edição do dia

FOTO: Lunae Parracho/Reuters

Segundo Guadalupe Marengo, coordenadora do Programa Global de Defensores de Direitos Humanos da Anistia Internacional, isso se dá ao fato do Programa Nacional de Proteção dos Defensores de Direitos Humanos ter sido enfraquecido em 2016.

A maioria dos casos foram precedidos de agressões que o Estado não averiguou. "O desmonte do programa e a falta de investigação e responsabilização coloca centenas de homens e mulheres em risco todos os anos. É fundamental que o Estado brasileiro implemente políticas concretas para garantir a proteção dos defensores", diz Renata Neder, da Anistia no Brasil.

Em maio deste ano, dez trabalhadores rurais foram assassinados pela polícia na chacina de Pau D’Arco, no Pará em conflito agrário. Dois meses depois, um dos líderes dos trabalhadores também foi morto a tiros.

Além de questões ambientais e disputas de terras, o documento também cita ataques a ativistas LGBT, como é o caso de Mirella de Carlo que foi encontrada morta em seu apartamento. O Brasil é o país que mais mata pessoas trans que atuam pelos direitos humanos no mundo. Mortes de ativistas ligados ao combate da exploração sexual e em defesa dos direitos das mulheres também são frequentes.

Nos últimos três anos, o assassinato de ativistas vem aumentando. Em 2014 foram 136 mortes, em 2015 foram 156, chegando ao absurdo de 281 assassinados em cerca de 40 países em 2016. Desde a declaração da ONU sobre os defensores dos direitos humanos em 1998, cerca de 3.500 ativistas foram mortos em todo o mundo.




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