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Ángel Arias: “Na Venezuela está em jogo uma ofensiva dos EUA para recuperar terreno na América Latina”

“El Círculo Rojo” entrevistou Ángel Arias, sociólogo e trabalhador estatal, militante da Liga dos Trabalhadores pelo Socialismo (LTS), organização que pertence à FT (Fração Trotskista, impulsionadora da rede internacional de diários Esquerda Diário) sobre a crise política nesse país.

quinta-feira 31 de janeiro| Edição do dia

Nesse domingo (27), El Círculo Rojo entrevistou Ángel Arias, trabalhador do Ministério do Trabalho, membro da Liga de Trabalhadores pelo Socialismo da Venezuela (organização irmã do MRT na Venezuela) e parte da rede internacional La Izquierda Diario, sobre a interferência imperialista e a crise aberta do governo de Maduro.

Arias declarou que “com certeza temos que partir de que no país estamos em uma situação difícil, uma verdadeira tragédia social com uma situação de pobreza e miséria, é um fato, assim como os níveis de repressão do governo. Isso não tem discussão. O problema é que o que está acontecendo nesse momento é uma tentativa dos EUA e da oposição de direita de aproveitar o que passa e o cansaço popular, mais do que justo, para avançar nos planos e nos próprios interesses dos EUA e da oposição, que não tem nada a ver com os dos trabalhadores e o povo do nosso país”.

Assim acrescentou que “o argumento seria, por exemplo, de que Maduro estaria usurpando a vontade popular”. Mas para a oposição parece melhor, então, que a soberania popular fique em Washington. Porque é evidente – e inclusive relatado por agências de notícias - que todos os detalhes e a decisão para que Juan Guaidó se declarasse como presidente, se deram nos gabinetes dos EUA. Inclusive o governo dos EUA organizou reuniões clandestinas com outros governos latino-americanos e dirigentes da oposição, para preparar a posse. Ou seja, toda uma encenação que deixa claro que os fios se movem dos EUA.

Indicou além disso que “é um fato a crise que estamos padecendo e que o governo nacional se apoia cada vez mais sobre fraude e repressão. É um governo que quase governa junto com as Forças Armadas, fechou quase todos os canais de expressão democrática do povo; tão certo como isso, também é certo que a oposição está dando o poder de decisão ao governo dos EUA. Nesse Momento está em jogo uma ofensiva dos EUA, de aproveitar para recuperar terreno na América Latina.

Ao analisar a pergunta de como se chega a essa situação, Arias contou que “o governo de Chávez como o resto dos governos pós neoliberais da região se encarregaram de administrar a crise que vinha arrastando o capitalismo servil em nosso país.

Houve uma conjuntura favorável, de certa alta no preço do petróleo, certa recuperação dos rendimentos petroleiros nas mãos do Estado e certa redistribuição em alguns anos. Quando as condições mudam, o governo começa a aplicar uma série de ajustes econômicos que descarregam a crise sobre os trabalhadores e o povo. Isso se aprofunda com o governo de Maduro. Evidentemente começa a perder bastante base social, e a oposição de direita sempre de espreita, procurando derrubá-lo. Tivesse sido eleito ou não, a oposição sempre buscou derrotar pela força os governos do chavismo. Então essa combinação da desaparição do cenário público de Chávez, que tinha representatividade popular, uma crise que o próprio governo e os empresários começam a descarregar sobre o povo e essa perda de apoio social e a demagogia da direita, como única oposição realmente existente, configuram esse quadro. E diante aos ataques da direita, se reforçam as medidas autoritárias e essa situação que temos agora.”

Fernando Rosso se referiu à tentativa de uma posição binária sobre a crise venezuelana, entre o impulso à oposição de direita e o apoio ao Maduro. “Que propostas e perspectivas você apresenta para o povo venezuelano?”.

Arias respondeu salientando que o cenário político tende a se polarizar, entre essas posições maniqueístas, no entanto é uma falsa dicotomia. Se você se posiciona ao lado dos interesses dos trabalhadores e do povo, tem que se opor ao imperialismo e qualquer tentativa de interferência imperialista e ao mesmo tempo tem que ter independência e inclusive combater o governo de Maduro porque é responsável pela crise, pela repressão. O imperialismo não tem nenhum interesse pelas liberdades democráticas e pelos sofrimentos do povo venezuelano. É uma hipocrisia total. A oposição é uma hipocrisia total.”

Arias recorreu aos principais problemas do país, entre eles o peso da dívida, que Maduro e a oposição coincidem em sustentar. Também o roubo da renda petrolífera e a fuga de capitais, ambos temas naturalizados por ambos setores hoje em disputa.




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