Educação

TERCEIRIZAÇÃO

Ameaças de demissão e ataques aos terceirizados na UERJ: por uma campanha nacional em defesa dos empregos e direitos

Passados cinco meses de pandemia no Brasil, com a população espremida entre a doença, o desemprego, a miséria e a fome, trabalhadores da limpeza e alimentação da UERJ, em sua maioria mulheres negras, assim como de outras Universidades publicas pelo país, estão submetidos ao terrorismo de ameaças de demissões massivas, além de cortes de salários e direitos. O movimento estudantil (ME) pode cumprir um grande papel se organizando junto a esses trabalhadores e entidades em uma grande campanha nacional em defesa dos empregos e direitos!

sexta-feira 7 de agosto| Edição do dia

Um absurdo clima de “normalidade” paira no ar. Com o número de mortes “estável” no pico, o país ultrapassa 100 mil mortos pela COVID-19, e é nesse cenário que mais de 2,6 milhões de trabalhadores são jogados no desemprego e outros 17 milhões desistiram de procurar. Bolsonaro, Mourão e os militares, a frente da política negacionista, são os principais responsáveis pela dimensão da catástrofe, mas não diferente deles, governadores como Witzel e Doria, STF e o conjunto do regime político não tomaram medidas elementares como testes para toda a população, organizando uma quarentena racional, e investindo em contratação e ampliação do SUS, muito pelo contrário. No Rio, hospitais de campanha do governo Witzel e da prefeitura de Crivella estão sendo fechados enquanto trabalhadores da saúde estão sem salários. Todas essas alas do regime político que ora fazem oposição seletiva entre si, mas que hoje estão em trégua, são responsáveis por ter deixado a classe trabalhadora e a população espremidas entre a pandemia, o desemprego, a miséria e a fome.

É nesse cenário que em diversas Universidades pelo país, trabalhadores terceirizados, os mais precários e muitas vezes invisíveis, vem sofrendo uma enxurrada de ameaças de demissão e ataques que se apoiam na MP936 de Bolsonaro que não tem nada que impeça demissões, mas permite que as empresas reduzam salários e facilita maiores níveis de precarização. Desde o início da pandemia vários relatos de terceirizados da UERJ vêm mostrando o absurdo tratamento que sofrem esses trabalhadores tão essenciais para o funcionamento das Universidades e instituições públicas em todo o país.

“Estamos sem vale alimentação” declaram funcionários do bandejão da UERJ ao menos desde julho, relatos também colocam que a empresa PRIME não estaria recebendo pagamentos da Universidade, enquanto a reitoria de Ricardo Lodi afirma estar com os boletos de pagamento das empresas em dia.

Na área da limpeza os relatos são semelhantes, “O vale alimentação normal é uns 450 reais. Eu recebi 199 nesse mês, teve gente que pegou 170, 140”. Funcionários afirmam que mesmo com os pagamentos feitos pela reitoria à empresa APPA, seguem sofrendo cortes nos vale alimentação e transporte e ainda são chantageados constantemente com a ameaças de demissão com a proximidade do fim do contrato da empresa com a Universidade.

Essa situação na UERJ é semelhante à de milhares de trabalhadores terceirizados das Universidades pelo país, que com a ausência de atividades presenciais por conta da pandemia, vivem a aflição da incerteza de seus empregos.

Na UFMG a reitoria planeja demitir 75% dos trabalhadores e trabalhadoras terceirizados dos bandejões, um escândalo que pode deixar centenas de famílias sem sustento.

Na Unicamp, dezenas de trabalhadores terceirizados da limpeza e vigilância já foram demitidos, além de não terem seus últimos salários pagos, um absurdo que levou a manifestações em frente à reitoria da Universidade, que lavou as mãos, mostrando como é responsável também pela conivência com a precarização do trabalho que significa a terceirização.

Na USP, já em maio o SINTUSP denunciava que a reitoria planejava corte de 25% no orçamento de terceirizados, o que levaria a milhares de demissões e redução de salários. Em junho, por iniciativa da juventude Faísca -Anticapitalista e Revolucionária, o Conselho de Centros Acadêmicos aprovou moção e articulação em repúdio a essa medida, mas diante de uma crescente ameaça aos terceirizados por todo o país, é preciso uma articulação nacional e mais forte, entre entidades estudantis, sindicais e toda a juventude universitária em defesa dos empregos e direitos desses trabalhadores.

No Esquerda Diário e em todos locais de trabalho e estudo onde estamos com a Faísca ou Movimento Nossa Classe, defendemos os mesmos direitos e salários para todos os trabalhadores e efetivação dos terceirizados no quadro de funcionários efetivos sem necessidade de concurso, entendendo a terceirização como mecanismo de precarização e divisão da classe trabalhadora.

Nas Universidades, historicamente viemos dando essa batalha no ME, colocando nossas entidades a serviço de resistir junto a esses trabalhadores em cada caso de atraso de salário, ameaça ou demissão. A terceirização nos serviços públicos anda de mãos dadas com o plano de conjunto dos capitalistas de privatização e precarização da educação e saúde públicas. A precarização que atinge o trabalhador terceirizado da Universidade e o motorista de aplicativo é a mesma, ainda que em proporções distintas, da que avança com a implementação de Ensino Remoto nas Universidades que abre caminho para o mercado privado de ensino à distancia.

Diante à gravíssima crise econômica agravada pela pandemia, enquanto às burocracias sindicais, incluindo CUT e CTB, dirigidas pro PT e PCdoB seguem consequentes com a sua tarefa estratégica de manter a classe trabalhadora desarticulada e imóvel frente às investidas reacionárias dos governos e parlamentares contra os seus direitos e sua condição de vida, a juventude universitária e o ME, tem como uma grande tarefa batalhar por uma ampla unidade de luta a partir das bases em defesa desses trabalhadores, começando por exigir da UNE que se posicione e cumpra sua responsabilidade de articulação nacional dos estudantes. Lembrando que PCdoB de Orlando Silva, relator da MP936, é quem também dirige a UNE, além da CTB, superar as barreiras da burocracia nos movimentos estudantil e sindical é parte dessa luta contra a precarização do trabalho e dos serviços.

Na UERJ, nos colocamos à disposição dessa batalha com o Centro Acadêmico de Serviço Social (CASS), nos somando aos organizadores da página “Invisíveis” que vem dando importante visibilidade às denuncias dos trabalhadores, a todos que compõe à campanha contra o ERE onde pudemos pautar esse tema e fazendo um chamado a todos os coletivos da esquerda, que atuam na Universidade, intelectuais, funcionários efetivos e suas entidades a nos unirmos numa grande batalha em defesa dos empregos e direitos desses trabalhadores.




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