Gênero e sexualidade

VIOLÊNCIA LGBT

Alunos homossexuais sofrem mais agressão do que héteros, diz estudo

Um estudo realizado nos Estados Unidos, pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês) apontou que adolescentes homossexuais têm mais chances de serem vítimas de estupro e/ou agressões do que os heterossexuais.

quarta-feira 17 de agosto| Edição do dia

É a primeira vez que se realiza uma pesquisa de abrangência nacional no país norte-americano a respeito do tema. O estudo ouviu, de forma anônima, mais de 15 mil jovens pelo país.

Os dados levantados a partir da resposta dos adolescentes mostram, por exemplo, que cerca de um terço dos estudantes LGBT sofreram bullying no colégio, contra cerca de 20% dos estudantes heterossexuais. Já a taxa de tentativas de suicídio nos 12 meses anteriores à pesquisa, foi de cerca de 25% entre os homossexuais, o que é quatro vezes mais alta do que entre os heterossexuais. A taxa de adolescentes que relataram ter sofrido um estupro, em algum momento da vida, também foi quatro vezes maior entre gays, lésbicas e bissexuais do que entre os demais adolescentes.

Durante muitos anos, grupos e ONGs vêm denunciando a frequência de bullying e ostracismo entre adolescentes homossexuais, que é muito maior e que se desdobra a maiores riscos de enfrentar outros muitos problemas. Antes, as pesquisas governamentais eram limitadas a poucas cidades e estados, já esse novo estudo, incluiu também estudantes de áreas rurais e outras partes dos Estados Unidos.

"Essa é a primeira vez que podemos dizer que em todo o território nacional existem desafios consistentes enfrentados pela juventude lésbica, gay e bi", afirmou David W. Bond, do Trevor Project, uma organização nacional de prevenção ao suicídio focada em jovens gays, lésbicas, bissexuais e transgênero.

Veja alguns dos dados levantados pelo CDC:
- Quase um em cada cinco estudantes gays, lésbicas e bissexuais afirmaram que sofreram estupro em algum momento de suas vidas, em comparação com um em cada 20 estudantes heterossexuais;
- Quase um em cada cinco estudantes gays, lésbicas e bissexuais que foram a um encontro romântico com alguém no ano passado afirmaram que sofreu uma agressão física do par, como ser empurrado contra uma parede ou apanhado. Isso é mais do que o dobro do reportado pelos jovens héteros;
- Um em cada três disse que sofreu bullying na escola, contra um em cada cinco estudantes heterossexuais;
- Mais de um em cada dez disse que perdeu aulas no último mês por preocupação com sua segurança. Menos de um em cada 20 heterossexuais afirmaram o mesmo;
- Mais de um em cada quatro estudantes LGBT disseram que tentaram suicídio nos últimos 12 meses. Em comparação, cerca de um em cada 16 alunos heterossexuais admitiram ter tentado se matar recentemente.

O estudo realizado nos EUA aponta de forma bastante concreta os riscos a qual a população LGBT recorrentemente esta exposta, isso no próprio ambiente escolar, que é parte estrutural de uma formação social excludente e opressora, com aqueles a qual não se encaixam aos padrões heteronormativos, e diariamente, são violentados por isso.

Já no Brasil, o país que mais mata travestis e transexuais do mundo, bem como permanece como um dos países mais perigosos para a população LGBT viver, não há nenhum tipo de tendência por parte desse governo golpista e reacionário de se realizar pesquisas que deem visibilidade a esta questão de machismo e homofobia, e consequentemente, de saúde pública. Na verdade, o que se observa, é justamente as ações seguirem sentido contrário, uma vez que se vê retornar pautas tão retrogradas e absurdas, como é o caso da Cura Gay, bem como do projeto de lei Escola Sem Partido, que busca aprofundar ainda mais o abismo de opressões e violações, uma vez que não se permite dizer, nem discutir e quem dirá refletir acerca das múltiplas possibilidades de vivencia de nosso gênero e sexualidade, e que consequente a isso, permanece a invisibilizar e marginalizar as pessoas que não se enquadram nessa logica limitada e violenta, que é a lei da heterossexualidade.




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