PUC-RIO

Aluno e professor da PUC-RIO são ameaçados após repudiarem jornal de extrema-direita

terça-feira 20 de março| Edição do dia

Na sexta-feira, dia 16, um dia depois do grande ato que reuniu mais de 50 mil pessoas no centro do Rio para que se faça justiça por Marielle, foi distribuído na porta da PUC-RIO o "Jornal O Universitário", publicado por uma ala de extrema-direita da Igreja Católica chamada Centro Dom Bosco. Desde então, uma página no Facebook foi criada intitulada PUC Livre e alunos que apareceram nos vídeos publicados vêm sendo ameaçados e um professor do Departamento de História vem sendo perseguido por essa ala da Igreja que pede sua expulsão e que depois das ameaças apagou seu perfil no Facebook.

Abaixo, hostilizam abertamente o professor de história que apagou seu perfil no Facebook:

O teor do Jornal e suas ameças dizem muito sobre quem são e para que estão distribuindo o jornal. Separamos algumas delas:

-"NÃO É PRECONCEITO, É BIOLOGIA."
- "Há poucas pesquisas que apontam a liderança do deputado federal Jair Messias Bolsonaro" (...) Contudo, o bom senso mostra vários indícios de que essas pesquisas padecem de precisão estatística".
- "somos comunistas sem que nos demos conta disso"
- "Num país dominado há décadas por vozes que não conseguem enxergar que “a grama é verde”, “o céu é azul” e a “água é molhada” (...) "escrevemos para você que compreende que a grama é verde e que algo precisa ser feito. É para isso que aqui estamos. Pedimos a Deus que nos ajude e a você que leve este jornal a todos!"

Um aluno da PUC, que não quis se identificar, disse que está em choque após ver comentários ameaçadores à sua integridade física. Ele citou alguns: "que precisava ter batido neles", "vamos aparecer com PM à paisana aí na frente" ou "vamos ver se na bala eles aquietam". Veja a entrevista abaixo:

Esquerda Diário: Você estava no dia que eles vieram distribuir jornal pela primeira vez na PUC? Voce estava hoje também?

"Eu estava aqui na sexta-feira. O Jornal Universitário é patrocinado pelo centro Dom Bosco, um centro de fieis leigos, ou seja, são médicos, advogados, PMs que produziram o Jornal e é disseminado por alunos do Dom Bosco com conteúdo de ódio, opresão, racismo, machismo, homofobia, transfobia na capa, e que apoiam o Bolsonaro que apoia tudo que apoia. Enfim, critico muito e assim como tudo que estava lá entendemos que discurso de ódio não é opinião e, enfim, com certeza exaltados pela gravidade do momento de uma perda de uma aluna, uma professora, uma pesquisadora, militante, negra, mulher, bissexual que é a Marielle e uma representação importante que deixou um luto geral na PUC e todos em luto, comovidos, recebemos esse jornal, que é uma afronta, claramente esquematizados pro dia que eles vieram, eles podiam ter vindo qualquer dia mas escolheram o dia após o ato, e enfim, eles vieram prontos para gravar o que eles podiam.

Eu estava no vídeo que foi postado tanto pela página no Facebook do Dom Bosco como PUC Livre (que foi criada depois do ocorrido), pegando jornal do chão, gritando e militando como podia no momento, sem agressividade, como não houve nenhuma agressão física. A gente viu exaltações desnecessárias, mas não tanto, e eu fui exposto, minha imagem sem minha permissão e segunda-feira chego com o desgosto de ver eles de novo, mais propício ao que eles queriam que é a violência, estavam ai com três ou quatro seguranças na frente (da PUC), fortes e tatuados, um estereótipo de opressão no meio de seguranças, que gravou o rosto de todo mundo que passou, fui filmado na parte da manhã as 10h até de tarde. Recebi diversas ameaças no Facebook, tanto no grupo do PUC-Livre como no grupo Dom Bosco, nas publicações dos vídeos, não particularmente mas a todos que estavam no vídeo e vinha de diversas formas, tanto de "que precisava ter batido neles", tanto como "vamos aparecer com PM à paisana aí na frente" ou "vamos ver se na bala eles aquietam", enfim, vários discursos de ódio novamente, me senti totalmente violado e acredito que todo mundo que tava no vídeo também.

Eu particularmente fiquei triste principalmente de ter chegado na minha mãe no interior de São Paulo e ela pedir para eu trancar a faculdade, não me envolver e ir embora, principalmente porque eu sei que o que acontece é isso, que existe execução política. Marielle é prova, tantos outros são prova e a ditadura tá aí à mostra, sendo tiradas fotos de moradores nas favelas, sua identidade tirada foto como na ditadura para execução e obrigatório, me sinto alvo de perseguição, fui reprimido, depois de comentar no vídeo fui bloqueado pelo PUC Livre que se diz livre, como se todas as opiniões contassem para eles".

Nós, do Esquerda Diário, expressamos nosso repúdio ao Jornal O Universitário e aos ataques que vêm fazendo aos alunos e professores da PUC-Rio. Colocamos todo nosso peso em apoiar a luta dos estudantes em defesa da justiça por Marielle, sabemos que somente a mobilização pela base dos estudantes e dos trabalhadores pode dar uma resposta a essa direita reacionária e colocar a nossa saída em curso, não a de Temer, e nem da Globo que querem utilizar a figura de Marielle para mais guerra às drogas, mais reformas, mais intervenção e consequentemente mais pobres e negros mortos.




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