Política

TUTELA MILITAR

Alto Comando do Exército pressiona para que Lula siga preso

Pouco antes da decisão oficial do presidente do STF, Dias Toffoli, de manter a prisão de Lula, negando a liminar do Ministro Marco Aurélio, o alto comando das Forças Armadas esteve reunido para discutir a decisão do ministro.

quarta-feira 19 de dezembro de 2018| Edição do dia

Por videoconferência, o Alto Comando do Exército se reuniu, segundo este, para avaliar os possíveis cenários após a decisão do Ministro do STF, Marcos Aurélio, de libertar condenados em segunda instância que ainda possuem recursos em instâncias superiores, o que afetaria diretamente na prisão autoritária de Lula.

Não seria a primeira vez que no caso Lula a alta cúpula dos militares teriam exercido a sua mais detida atenção e tutela. Na decisão desse mesmo STF em que foi negado o HC a Lula, convalidando com a sua prisão, o general Villas Boas fez coro com declarações golpistas de generais do Exército pressionando pela prisão do petista. Essa reunião exasperada com a possibilidade da prisão ser revertida mobilizou novamente a alta cúpula para manter as arbitrariedades judiciais contra o ex-presidente.

Os grandes veículos de imprensa tratam como se esse tipo de atitude dos militares está em conformidade com as práticas naturais de uma democracia. Certamente só pode ser tratada com tanta tranquilidade pelo nível de degradação que se atingiu a ordem burguesa nesse país, onde a ordem do dia é o golpismo para abrir caminho ao mercado imperialista e perseguir os sindicatos e entidades de base. Moro assumir o Ministério da Justiça, com poder sobre os registros sindicais, é o atestado de confissão de toda a arbitrariedade da Lava-Jato.

Alguns militares vinculados ao PSL pressionaram Toffoli, pronunciando-se pela manutenção do cárcere a Lula. O general Girão Monteiro, deputado federal eleito pelo PSL, disse que "Ordens absurdas não serão cumpridas. Essa decisão monocrática ABSURDA do ainda Ministro Marco Aurélio não irá muito longe." Outro general e deputado federal eleito, Roberto Sebastião Peternelli Junior, disse que: “Estão querendo empurrar o país para o caos".

É interessante observar que o presidente do Supremo, Dias Toffoli, tomou sua decisão logo após a reunião dos militares e de ter se reunido com a sua equipe, cujo principal assessor é um general indicado por Villas Boas. A tutela dos militares sobre a cavalgada golpista do STF segue ativa e se provará certamente decisiva frente a forte presença de gente da caserna no Executivo.

Sem prestar nenhum apoio político ao PT, que se coloca de joelhos frente ao Judiciário golpista enquanto, nós do MRT e do Esquerda Diário - que lutamos contra o golpe e seu aprofundamento, bem como contra o autoritarismo judiciário e avanço da extrema direita - exigimos a liberdade imediata do ex-presidente Lula, assim como para todos aqueles que não passaram por trânsito em julgado.

Todos esses ataques do judiciário contra direitos democráticos da população possuem um objetivo central de fragilizar as posições dos trabalhadores no interior de um regime político mais endurecido e autoritário, dificultando a organização sindical e as greves a fim de descarregar crise capitalista nas costas dos trabalhadores, em primeiro lugar a reforma da previdência.




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