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Alta evasão escolar e aumento da procura do EJA retrata precarização do ensino público

Segundo pesquisa divulgada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) 2,7% dos estudantes - mais de 344,5 mil - ainda no fundamental saíram do ensino regular entre os anos de 2014 e 2015. No ensino médio, a proporção é menor, de 1,9% - 157,7 mil dos alunos. Essa crescente evasão escolar se converte numa grande procura pelos cursos de Educação de Jovens e Adultos (EJA), uma modalidade mais precária de ensino.

quarta-feira 21 de junho| Edição do dia

Dados inéditos, divulgados nessa terça-feira, 20, pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), mostram que 2,7% dos estudantes - mais de 344,5 mil - ainda no fundamental saíram do ensino regular entre os anos de 2014 e 2015. No ensino médio, a proporção é menor, de 1,9% - 157,7 mil dos alunos. A pesquisa também apontou o aumento da migração de alunos do ensino regular para os cursos de Educação de Jovens e Adultos (EJA).

Para cursar o EJA, é preciso ter 15 anos completos para se matricular no ensino fundamental e 18 anos, para o ensino médio. Na maioria das escolas, essa etapa - que substituiu o supletivo - ocorre no período noturno e tem uma carga horária menor.

A procura pelo EJA já no fundamental chega a 5% dos estudantes de Estados como Alagoas, Bahia, Sergipe, Rio Grande do Norte e Pará. Além dessa migração, nessa etapa o Brasil perde 5,4% dos alunos, que desistem de estudar.

A substituição do ensino regular pelo EJA, antigo supletivo, e a questão da evasão escolar são problemas atrelados a qualidade da educação pública e a desigualdade social. Como os dados mostram no 6.º ano do fundamental (o primeiro da etapa), 14,4% dos estudantes são reprovados. O porcentual tem queda, mas volta a subir no 1.º ano do ensino médio, quando 15,2% reprovam. O que demonstra como nos anos de transição entre as etapas do ensino é que se agrava o problema de evasão, pois todas as deficiências carregadas pelo estudantes nos anos anteriores tornam-se mais visíveis.

A busca pelo EJA também diz respeito às aparentes “vantagens” que essa modalidade de ensino possui para os estudantes que já tem de conciliar os estudos com uma rotina de trabalho, visto que tem uma carga horária menor.

Os resultados da pesquisa apontam para a crescente precarização do ensino, que caminha no mesmo sentido da reforma do ensino médio proposta pelo governo, que traz pontos como a contratação de profissionais da educação a partir de critérios abstratos como “notório saber” e a ampla adoção do ensino técnico, que oficializa essa realidade de dupla jornada dos estudantes, fornecendo uma mão de obra barata e parcialmente instrumentalizada com um conhecimento técnico básico para as empresas sedentas por rebaixar os custos e empregá-los como estagiários.




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